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Encontro Nacional da Faísca | Sobre o futuro da juventude: sejamos realistas e exijamos o impossível!

Por uma juventude que em aliança revolucionária operário-estudantil luta em defesa do programa e estratégia necessários para combater a passividade e ilusões dos nossos tempos e se dá o audaz desafio de construir a preparação do caminho à revolução.

quarta-feira 24 de novembro | Edição do dia

1° DIA do ENEM, com 26% de abstenções e o menor número de inscritos dos últimos 14 anos. Pralém da falta de acesso a educação com o filtro social racista e elitista do vestibular: os desafios de conjunto que atravessam o cotidiano e os sonhos da juventude brasileira cada vez mais precarizada. Com lupa, analisar as contradições da anatomia da sociedade capitalista, encarar os incômodos, atiçar os sonhos para pensar qual juventude e organização precisamos hoje para enfrentar a miséria capitalista aprofundada pela crise e o governo reacionário de Bolsonaro e Mourão.

não importa qual a pedra no meio do caminho. ou qual âmbito da vida. nem o terreno em que piso ou o tamanho do desafio. todos eles só me levam, conscientemente, a um lugar: escolher dedicar a minha vida, junto a tantas e tantos camaradas pelo mundo afora, à construção do caminho pra revolução que libertará e emancipará toda a humanidade. da opressão e exploração, aos problemas e dilemas mesquinhos, que seriam facilmente resolvidos se tudo o que produzimos e realizamos estivesse sob nosso controle e à nosso serviço, enquanto não chega o momento histórico de imensurável significado pra celebração plena da existência nesse planeta, perambulo as beiradas, daquelas angustiantes, mas num exercício constante de transformar a dor e a revolta em saída e luta. dia desses me rasgou o peito dar tantas notas baixas nas redações dos meus alunos do pré-vestibular social. doeu fundo. porque sei o esforço que fazem em meio a uma pandemia e crise sanitária, em meio ao modelo EAD, os mais velhos em meio à problemas de saúde, em meio às opressões tantas, ao racismo, machismo, lgbtfobia, ao medo constante das balas da polícia. em meio ao desemprego e ao emprego precário, em meio ao salário insuficiente, em meio a moradia, transporte, educação, alimentação precarizados, em meio a fome. não há energia em todos os professores e educadores juntos que consiga responder profundamente a esses problemas somente pela via da educação e do nosso querer de ajudar a transformar ao menos a vida de uma pessoa. tudo isso é legítimo, é válido, nos fortalece, por isso também sigo. mas é ainda pouco pro que vislumbramos. não há com o que se contentar. a canalização dessa energia na ilusão de que a educação é libertadora e transformadora por si só, carrega uma frustração do mesmo tamanho da romantização à essa ideia. a verdade concreta, pura, nua e crua, é o trajeto a se pegar, porque encaramos o real, desenvolvendo a firmeza e convicção de que não batalhamos em vão e nem por uma utopia, mas pelo que é mais que possível de concretizarmos. potencializa o sonho pra construção do mundo que realmente merecemos viver. ensina a tirar lições da história pra defendermos a estratégica certeira pra vencermos. a educação precária, a falta de acesso a educação pública, gratuita, de qualidade, a evasão, a desistência dos sonhos a partir da educação, não serão combatidos através dos nossos desejos isolados ou canaliza dos a saídas individuais. assim como o capitalismo não nos dará licença e não cairá sozinho. precisamos derrubá-lo, no fio da navalha. cada aluno que tenho conhecido me mostra a imensidão que cada ser é, um universo em cada mente aguçada, com sua personalidade única, sua inteligência, seus sonhos, seus olhares de garra pro futuro que batalham para construir. meu compromisso é com eles. pra muito além das aulas de redação e da vontade de que dentro dos marcos e limites sistêmicos, desejo profundo que todos passem e possam viver a experiência incrível do seu sonho da universidade e da profissionalização. mas meu compromisso se enche de sentido lutando pelo fim desse filtro social racista e elitista que é o vestibular, lutando pra que as universidades estejam à serviço dos trabalhadores, da juventude, lutando lutando pra que ninguém mais precise passar pela pressão horrorosa de achar que sua capacidade e conhecimento devem ser avaliados e distorcidos por um sistema de notas, lutando por um mundo onde o conhecimento, a arte, a cultura e toda expressão da vida não tenham amarras, mas sejam espetáculo do mundo. o que quero ainda é pouco. cada dia aprendo que quanto mais esse sistema nos mostra todo seu miserê, mais alto precisamos sonhar, com mais força precisamos esgarçar esse sonho em luta, pra estar a altura dos desafios que enfrentaremos. nos aguarde burguesada nojenta, Bolsonaro, Mourão, militares e toda a corja de canalhas que acham que comandam esse mundo. estão todos enganados porque o que tem de mais poderoso, nunca terão controle: a nossa subjetividade e capacidade de nos organizarmos pra enterrar na lata de lixo da história toda essa irracionalidade que nos impõem. como disse Lev Vigostky, "a vida se transforma em criação somente quando se liberta definitivamente das formas sociais que a deformam e mutilam. Os problemas da educação se resolverão quando forem resolvidos os problemas da vida." E pra seguir em olhar de futuro, resgato Blonsky, quando diz que "a escola do futuro deve ser identificada com a vida social, isto é, a sociedade deve fazer a escola desaparecer como instituição do Estado e transferi-la para a vida de trabalho social. Isto constitui o núcleo central de uma pedagogia da "escola sem escola" e a solução do problema do ensino no sentido estrito do termo". tamo na área pra abalar o mundo e não só desnudar a vida, mas lhe arrancar a pele, a pele que conhecemos até aqui, pra descobrirmos e criarmos as nossas camadas de vida plenamente vivida!




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