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RELAÇÕES EXTERIORES SERRA

Serra admite que política externa brasileira ’não terá compaixão’ da África

O Ministro das Relações Exteriores do governo golpista de Michel Temer, José Serra, inicia seus primeiros dias como no cargo de chanceler brasileiro mostrando quem são os aliados deste governo, um dos mais conservadores e de direita desde o fim da Ditadura Militar, sem a presença de mulheres, indígenas ou negros nos cargos de primeiro escalão, sem nenhum envolvimento com os movimentos sociais, com vários investigados em escândalos de corrupção, pertencentes da bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia), que se mostrou de maneira escancarada suas posições de direita na votação do impeachment da presidente afastada Dilma Roussef.

segunda-feira 23 de maio de 2016| Edição do dia

Uma das primeiras ações de Serra foi visitar o Governo reacionário de Macri na Argentina, um dos primeiros a parabenizar Temer pelo golpe aplicado no Brasil e um dos poucos governantes da América Latina que o reconhece. Serra também afirmou que irá estreitar os laços como Governo estadunidense, que junto com o da Alemanha vem com bons olhos o Golpe no Brasil, lembrando inclusive do período em que passou exilado nos Estados Unidos como uma “escola de democracia”, aprendida com os norte-americanos.

Porém, quando se fala nos outros países em desenvolvimento, em especial os países africanos, vê-mos que a forma muda. Segundo o próprio Serra “Nós vamos levar adianto a nossa relação com a África, mas não com base em culpas do passado ou em compaixão”, o que nos coloca a pergunta: Quando houve esta “compaixão”? O Brasil, sob a direção do PSDB e do PT respectivamente durante seus governos, seguiu ampliando a exploração dos países africanos, através do envio de empresas nacionais envolvidas com corrupção, como a Odebrecht e a Camargo Correia, que exploram mão de obra africana em prol de ampliar seus lucros ou liderando ocupações militares em solo africano, como na República do Congo, retirando sua soberania nacional e oprimindo os negros deste país, e também não podemos esquecer da vexatória ocupação militar no Haiti que já dura 12 anos.

Isso segue sendo feito por este ministério escolhido por Temer que está repleto de homens brancos, filhos da oligarquia e herdeiros de escravocratas, latifundiários que exploram trabalho escravo dos negros em suas fazendas, como Luiz Carlos Heinze do RS, Osmar Terra, Blairo Maggi, o “Rei da Soja”, entre outros. Este mesmo latifundiários, corruptos e exploradores são os mesmo que até ontem estavam na base do governo do PT e em quem o PT de apoio durante os 13 anos de seu governo, alimentando esses parasitas como “uma leoa cuida de seu filho caçula”, amamentando, caçando para alimentá-lo e protegendo-o dos inimigos.

No caso dos países africanos, estes têm sido alvo da ganância de várias empresas exploratórias, que vendem o sonho do “desenvolvimento” em troca de baixos custos operacionais e mão de obra barata, visando os altos lucros. Um exemplo é a empresa BSAC, que atua na área agrícola do Sudão, que lucrou 15 milhões de dólares no ano passado. A empresa é comandada por Paulo Hegg, da família do ramo do laticínio Tirolez. A área de agricultura é a de maior crescimento no continente africano atualmente, uma vez que o continente possui 20% das terras disponíveis para a agricultura no mundo, o que podemos ler como “terras que possam dar lucro para os grandes capitalistas”.

Outro exemplo é do banco BTG Pactual, que chegou no continente africano em 2014, ao comprar 50% das operações da PETROBRAS no continente. No ano seguinte conseguiu um lucro no valor de 150 milhões de dólares, cerca de 10% do capital investido. No mesmo sentido, ele estuda o fechamento das embaixadas presentes na África e no Caribe, mostrando que a diplomacia vai até a parte de garantir lucros para o Brasil.

Mais do que nunca se faz necessária uma união dos trabalhadores e negros brasileiros com nossos irmãos africanos, para não apenas lutar contra o governo golpista de Temer e seus aliados, mas também para expulsar essas empresas exploradoras e corruptas do solo africano. Apenas um plano de luta que imponha derrotas através da mobilização não apenas dos negros, mas também dos trabalhadores brancos, de mulheres e homens, será capaz de derrotar esses racistas, machista e opressores, sejam eles brasileiros ou africanos.

Somos uma só classe em combate contra esses setores e apenas a nossa união será capaz de derrotar os ataques que estão sendo feitos e os que estão por vir. Uma vez que o compromisso de Serra com os países imperialistas e com os Bancos Internacionais segue intacto, os bilhões da dívida externa serão descontados nas costas dos trabalhadores, seja na forma do aumento do custo de vida ou diretamente do desemprego para garantir os lucros das multinacionais sangue-sugas.

É fundamental que toda a esquerda, os setores mais avançados da classe trabalhadora e todos os que estão se levantando para derrubar o governo golpista e seus ataques, exijamos com toda a força que a CUT e a CTB saiam do imobilismo e convoquem uma grande paralisação nacional e um plano de lutas com greves, ocupações e corte de estradas, até derrotar o golpe. Nessa luta nós reivindicamos que a própria mobilização imponha uma Assembleia Constituinte livre e soberana, para barrar todos os ataques aos direitos trabalhistas, democráticos e sociais que estão em curso.




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