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Aborto | Secretário de comunicação do PT afirma que programa de Lula não falará em aborto

De acordo com o secretário nacional de Comunicação do PT, Jilmar Tatto, o programa de governo de Lula passará longe do tema da legalização do aborto. Essa fala revoltante mostra que PT e Lula governará para os setores mais conservadores, deixando que milhares de mulheres sigam morrendo pelo aborto ilegal, num país em que uma mulher morre a cada 2 dias por aborto inseguro. Precisamos nos inspirar na luta das mulheres pelo aborto na Argentina e agora nos EUA para arrancarmos esse direito legítimo!

terça-feira 17 de maio | Edição do dia

Foto: Reprodução

Lula chegou a falar da legalização do aborto, mas, como já era de se esperar, voltou atrás, assim como voltou atrás sobre a revogação da reforma trabalhista, mostrando que na realidade Lula vai governar à serviço dos capitalistas e dos setores mais reacionários brasileiros, enquanto que o povo pobre vai seguir amargando nos postos de trabalho e as mulheres vão seguir morrendo diariamente por causa do aborto ilegal.

“Também achamos que (legalização do) aborto e regulação da mídia não são temas prioritários. Com certeza não estarão no programa de governo. Os temas são outros: combate à miséria, à desigualdade social. O foco é a vida do povo. E Lula está em primeiro lugar nas pesquisas justamente porque fala da vida do povo”, disse Tatto.

Petistas e aliados de Lula também esperam que a legalização do aborto não receba destaque durante a campanha, como é caso do senador Rogério Carvalho e o deputado estadual do Rio de Janeiro André Ceciliano, candidato ao Senado, do PT; e as deputadas federais Jandira Feghali e Perpétua Almeida, do PCdoB. Isso também escancara como o PC do B de comunista não tem nada, e atua a serviço dos interesses dos conservadores, como a vez que votaram pelo perdão das dívidas das igrejas.

Segundo estudo do G1 com o DataSus, em 2020, o SUS realizou mais de 81 mil procedimentos relacionados a abortos mal sucedidos, um número que é 79 vezes maior do que o de interrupções de gravidez previstas em lei, e ainda é menor do que os números de 2019 que foram mais de 89 mil procedimentos, isso pode se explicar pelo fechamento de alas do aborto legal em hospitais públicos diante da pandemia, como o do Pérola Byington, que é um dos maiores em relação ao procedimento em SP.

A pesquisa ainda revela que o SUS gasta 30 vezes mais com procedimentos pós-abortos incompletos do que com abortos legais. No primeiro caso, são gastos R$ 14,29 milhões, contra R$ 454 mil gastos no caso do segundo.

“A proporção de óbitos por aborto identificados no SIH, em relação ao total de óbitos por aborto identificados no SIM, variou de 47,4% em 2008 para 72,2% em 2015. Embora os dados oficiais de saúde não permitam uma estimativa do número de abortos no país, foi possível traçar um perfil de mulheres em maior risco de óbito por aborto: as de cor preta e as indígenas, de baixa escolaridade, com menos de 14 e mais de 40 anos, vivendo nas regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste, e sem companheiro”, diz o artigo “Aborto no Brasil: o que dizem os dados oficiais?” do Caderno de Saúde Pública de 2020 da revista da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Além disso, segundo pesquisas do Ministério da Saúde em 2018, uma mulher morre a cada 2 dias por aborto inseguro.

A fala de Tatto é revoltante e descabida, já que quando se trata do aborto, está se falando da vida do povo, que é composto por milhares de mulheres que diariamente devem se enfrentam com a questão do aborto e do direito ao próprio corpo, sendo colocadas numa situação de vida ou morte, em especial as mulheres negras e pobres. Portanto é um absurdo que o tema do aborto não seja tratado como um tema "do povo".

Na realidade, isso mostra como o PT não está comprometido com o povo pobre, pois seguirá mantendo esses ataques brutais que são a proibição do aborto, a reforma trabalhista, a reforma da previdência entre outros ataques, impondo todo o reacionarismo das classes dominantes sobre as mulheres, os negros, os LGBT’s e à classe trabalhadora. Longe de governar para o povo pobre e trabalhador, Lula e o PT mostram que vão governar para os ricos e para as elites.

Veja também: Estados Unidos: crise do governo, luta das mulheres e dissidências e luta de classes

Milhares saem às ruas nos Estados Unidos em novas manifestações para defender o direito ao aborto

Nós do Pão e Rosas nos inspiramos na legítima luta das mulheres na Argentina, que com sua maré verde arrancou o direito ao aborto, bem como na luta que as mulheres vem dando nas ruas neste momento nos EUA, em conjunto com o movimento pró-sindicalização, para gritar CHEGA DE MORTES EM CLÍNICAS CLANDESTINAS, ABORTO LEGAL, SEGURO E GRATUITO JÁ!




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