Negr@s

COMBATE AO RACISMO

Secretaria de Negros do SINTUSP mantém campanha de solidariedade aos haitianos

A Secretaria de Negros e Negras e combate ao racismo do SINTUSP e os trabalhadores da Universidade de São Paulo têm impulsionado desde o ano passado uma campanha de solidariedade aos imigrantes haitianos. São mais de setenta mil (70.000) haitianos que vieram para o Brasil fugindo da opressão e exploração que viviam no Haiti.

Marcello Pablito - Trabalhador do Bandejão da USP e diretor do SINTUSP

dirigente do MRT e fundador do Quilombo Vermelho

quinta-feira 5 de maio de 2016| Edição do dia

O Haiti foi o primeiro país da América a conquistar sua independência da metrópole, em 1792. Mais do que isso, a centralidade da atuação dos escravos negros insurretos fez com que a independência viesse acompanhada do fim da escravidão. A elite da época jamais perdoou esse exemplo dos haitianos e, desde então, não apenas massacrou a revolução como transformou o Haiti no país mais miserável da América, levando sua população as mais absurdas penúrias. Das mais recentes podemos citar a ocupação militar que já dura dez anos, dirigida pelas tropas brasileiras, e as milhares de mortes e epidemias posteriores a tragédia do terremoto em 2010.

Ja há alguns anos milhares de haitianos tem se arriscado nas mãos de traficantes para atravessar a América em busca de melhores condições de vida em São Paulo. A cumplicidade da maioria dos governos dos países latino-americanos, em especial do Brasil, com essa situação miserável a qual estão e são submetidos os haitianos é criminosa! Ao chegarem em São Paulo, muitos estão sem qualquer dinheiro, pois tudo foi gasto (ou roubado) pelos traficantes durante o percurso. Ao chegarem aqui, sequer tem onde dormir ou agua pra tomar. A dificuldade que o governo brasileiro impõe para a liberação de documentos impede que eles consigam trabalho e garantia de direitos básicos como acesso a saúde.

Em mais uma ação da campanha em solidariedade, os membros da Secretaria de Negros e Negras do SINTUSP, durante a paralisação e assembleia que votou o inicio da greve na categoria, venderam duzentas rifas e arrecadaram mais de mil reais que serão destinados às organizações de apoio e solidariedade aos haitianos, como a União Social dos Haitianos, organizada na CSP-Conlutas. Solidariedade de classe e internacionalismo são mais dois exemplos de luta no combate a opressão e a exploração que o SINTUSP leva a frente cotidianamente.




Tópicos relacionados

Dossie Haiti   /    Ocupação Haiti   /    Racismo   /    Negr@s

Comentários

Comentar