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CHUVAS SP

São 20 mortos pelas chuvas na Baixada Santista enquanto Dória salva os lucros capitalistas

As mortes e desaparecimentos na Baixada Santista, litoral paulista, nessa temporada de chuvas, mais uma vez revela como a política dos governos condenam a população aos desastres ambientais.

quarta-feira 4 de março| Edição do dia

As buscas por 29 pessoas desaparecidas durante as chuvas fortes na Baixada Santista, no litoral paulista, continuam na manhã desta quarta-feira, 4, à medida que o Corpo de Bombeiros vasculha os escombros de deslizamentos em Santos, São Vicente e no Guarujá. O balanço mais recente divulgado pela Defesa Civil confirma 19 mortes com o temporal.

A cidade mais atingida foi Guarujá, que concentra o maior número de mortes (15), pessoas desaparecidas (22) e desabrigadas (11). Na sequência, estão os municípios de Santos (3 óbitos e 5 desaparecidos) e, por fim, São Vicente (1 óbito e 2 desaparecidos). Ao todo, quase 200 pessoas estão desabrigadas: 155 no Guarujá, 6 em São Vicente e 37 em Santos.

Em São vicente, um casal de idosos morreu. Um asilo atingido pela chuva sofreu uma erosão que engoliu o chão do prédio que abrigava os idosos.

Longe de serem resultado de “causas naturais”, esses deslizamentos, soterramentos de casas e inundações são fenômenos previsíveis frente a sazonalidade do período de chuvas. Mas graças à falta de investimentos em infraestrutura e habitação para a população mais pobre e precária, resultam todos os anos em mortes, desaparecidos, gente que perde tudo por causa das chuvas.

Essas mortes poderiam e deveriam ser evitadas, portanto são de inteira responsabilidade do governo João Dória e das prefeituras, que garantem seus privilégios e lucros dos empresários enquanto a da população tem que se submeter às habitações precárias e em situação de risco, fruto da exploração, do desemprego e da miséria cotidiana.

São mortes que ocorrem em meio a aprovação de uma cruel reforma da previdência contra os servidores do estado, aprofundando o saque às aposentadorias coordenado por Bolsonaro, o Congresso e os militares do seu governo. Enquanto famílias e idosos são soterradas no estado, o governo de SP garante o lucro dos capitalistas em cima dos direitos dos trabalhadores e aposentados, mobilizando a PM para espancar professores e garantir a sua votação autoritária.

Em outros estados como no Rio de Janeiro ou em Minas Gerais, a situação é a mesma. Ontem (3) o prefeito do Rio de Janeiro, pastor Marcelo Crivella, declarou que a culpa das mortes por deslizamentos na cidade são das próprias vítimas, porque “escolhem” habitar locais onde “gastam menos com xixi e cocô”.

Uma declaração repugnante e revoltante, que foi respondida com moradores com uma bola de lama na cara do prefeito, e que expressa a lógica higienista e reacionária desses governos, que não estão nem aí com as casas soterradas e as vidas perdidas.

Uma reforma urbana que desse condições de moradia e reestruturasse as comunidades mais pobres vitimadas pela chuva, enchentes e deslizamentos, era o mínimo esperado por parte desses governos. É urgente um plano de obras públicas, controlado pelos trabalhadores e pela organização dos bairros, que garanta essa reforma urbana que gere emprego e renda para as famílias, custeada pela dívida milionária dos empresários da construção civil, que lucram impunes em cima do roubo nas obras da públicas.




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