Sociedade

CRISE DA ÁGUA

Sabesp amplia distribuição de água contaminada à população

Rafaella Lafraia

São Paulo

quinta-feira 30 de abril de 2015| Edição do dia

No início foi a negação da crise de abastecimento, até o final do ano passado, depois foi a alegação de que o problema é decorrente da estiagem – falta de chuvas – e, agora, o governo do Estado de São Paulo comprova, mais uma vez, o descaso com a crise de abastecimento e com uma parcela da população.

No mês passado houve a confirmação da contaminação da água no bairro de M´Boi Mirim, extremo da zona sul da cidade, mas o presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), Jerson Kelman, não havia relatado o motivo da causa. Nesta última sexta-feira, dia 24/04, amostras de água foram coletadas em outra região da cidade, no bairro de Jardim Paulistano, extremo da zona norte, para verificação de contaminação, pois vários moradores da região relatam receber água escurecida e com cheiroantes e após o período de corte de abastecimento. Entretanto, a SABESP não confirmou, até o momento, a contaminação da água na região.

No início do ano, o diretor metropolitano da SABESP, Paulo Massato, admitiu que a companhia realiza uma manobra de racionamento de água para economia, que é a diminuição da pressão da vazão d´água em certas localidades da cidade. Segundo um dirigente da SABESP, esta manobra, feita em trechos de distribuição, poderia causar a infiltração de água do lençol freático, devido rachaduras na rede de distribuição, contaminando a água distribuída. Esta informação não foi confirmada por Paulo Massato, em depoimento à CPI na Câmara municipal, pois esta infiltração ocorreria somente em casos de rodízio.

Várias pessoas sofreram e relataram complicações de saúde – cólica, diarreia, vômitos, dor de cabeça, febre e infecção intestinal –, apesar de não serem feitas relações com a qualidade da água distribuída pela SABESP, como coloca Aldemar Maurício de Deus, um morador da zona sul, que levou sua filha a uma UBS da região, afirma: “Disseram que é surto de diarreia”. A fala de Patrícia de Souza, moradora da zona norte, evidencia tal relação: “No mesmo dia (da ingestão da água) já fiquei com cólica e diarreia e minha filha (de seis anos) ficou internada com infecção intestinal”.

Estes relatos confirmam o descaso com a crise de abastecimento do Estado e que são as populações das regiões mais extremas e pobres da cidade que irão sofrer com este descaso, pois terão sua saúde colocada em risco, além de terem que enfrentar os longos períodos sem abastecimento – já que estas regiões, diferentemente de outras da cidade, chegam a ficar por dias sem receber água – e com os prejuízos financeiros, como verifica-se na fala de Vanduir de Lima, morador da zona norte afetada com as alterações da qualidade da água: “Tivemos que jogar tudo fora e comprar água mineral. É prejuízo dobrado porque essa água da SABESP será cobrada”.

O capitalismo e seus senhores, como Alckmin, que por décadas privatizaram este recurso básico, agora envenenam milhões em função do lucro dos investidores. Em uma situação como esta fica evidente que a única classe que pode responder por esta e outras demandas é a classe que sabe o verdadeiro valor da água e, por isso, é ela que deve controlar e gerenciar a utilização dos recursos hídricos, expondo as contas e movimentações das empresas estatais de outros recursos naturais, pois somente assim será garantida que esta e as futuras gerações poderão utilizá-los, pois o farão para atender suas necessidades, ou seja, de forma realmente sustentável.

Foto: Márcio Fernandes/Estadão.




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