Gênero e sexualidade

Violência contra a mulher

SP: Casos de feminicídio aumentam com Bolsonaro e Dória

Os índices de violência contra a mulher, já altíssimos, continuam crescendo, agora impulsionados pelas declarações machistas do presidente.

quarta-feira 7 de agosto| Edição do dia

Com base em levantamento feito pelo G1 — que aponta, só para o estado de São Paulo, um crescimento de 57 casos no primeiro semestre de 2018 para 82 entre janeiro e junho deste ano, um espantoso aumento de 44% — é possível concluir que não é apenas no discurso que o bolsonarismo ataca as mulheres, mas os absurdos que o presidente fala têm reflexo principalmente nas relações domésticas, dando carta branca para maridos e namorados abusadores agirem de forma cada vez mais violenta. Isso fica claro quando olhamos para outro dado do levantamento do G1, que mostra que 73% dos casos ocorreram dentro de casa. Também segundo o G1, outros crimes violentos, como latrocínios, roubos, homicídios, e mesmo estupros — que também são principalmente violência à mulher, mas na maioria dos casos catalogados ocorrem fora de relacionamentos — diminuíram no período.

Segundo a especialista em segurança pública entrevistada pelo G1, Samira Bueno, não se trata de mais registros corretos de uma quantidade de crimes que já ocorria, e sim de um real aumento nos casos. Além disso, segundo ela, esse aumento segue a tendência de aumento de outros crimes, como “linchamento, violência policial e violência de gênero”. Sua conclusão é que a violência passou a ser vista mais amplamente como uma forma de resolução de conflitos, o que para nós do Esquerda Diário é um reflexo claro do bolsonarismo. Aliás, já que foi mencionada a violência policial, cabe notar que, segundo levantamento também do G1, a PM paulista matou mais em 2019 do que em 2018 também. 414 vítimas contra 397 (cerca de 2,3 mortes por dia!). Para o Esquerda Diário, isso também é reflexo do bolsonarismo, que aumenta a liberdade das forças repressivas do Estado para agirem da forma que quiserem.

É importante remarcar, porém, que a violência contra a mulher não é uma invenção nova, e é parte de uma divisão estrutural na nossa sociedade, que coloca mais da metade da população como cidadãs de segunda classe, com salários inferiores, empregos mais precários, dupla jornada de trabalho, como forma de enfraquecimento da classe trabalhadora. O MRT, que impulsiona o Esquerda Diário, atua também junto ao Pão e Rosas na luta contra o patriarcado com um feminismo socialista.




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