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EDUCAÇÃO | Roberto Naves precariza trabalho docente em Anápolis-GO para não convocar cadastro reserva

O último concurso para pedagogos realizado no município goiano foi no segundo semestre de 2019, os primeiros aprovados foram convocados em 2020, mas ainda não supriram os déficits de profissionais principalmente na Educação Infantil. A fim, cortar gastos precarizando ainda mais o trabalho docente o prefeito de Anápolis em Goiás obriga as pedagogas da Educação Infantil a complementar a carga horária com aulas nas turmas de Ensino Fundamental I para evitar convocar os excedentes.

Cris LibertadProfessora da rede estadual em Anápolis - GO.

domingo 6 de junho | Edição do dia

Roberto Naves prefeito de Anápolis e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Fonte: Goiás em tempo

O relato de uma professora da Educação Básica viralizou no município goiano de Anápolis na última semana, nele podemos constatar as condições precárias de trabalho das pedagogas, desde o início do ensino remoto em 2020, mas também de todos os ataques que a categoria vem sofrendo nos últimos anos, em razão das inúmeras reformas impostas aos trabalhadores pelo regime golpista que tem Jair Bolsonaro, Mourão e militares à frente.

No relato, a pedagoga narra a rotina do “Professor Público em Anápolis”, pois os professores não mais se pertencem, já acordam esperando a novidade da Secretaria de Educação do Município para o dia, pois são várias desde a implantação do home office. Vemos em seguida, a primeira denúncia - fora a da precarização do trabalho como um todo - há três anos que os trabalhadores da Educação em Anápolis, não têm reajuste salarial “leia-se reajuste, não aumento”, completa a professora. Mas, os serviços, não congelaram como os salários da categoria, ao contrário, aumentaram, e muito!

A professora dá conta, que os profissionais tiveram que se virar para se tornarem youtubers, pois todas as aulas seriam on-line. Uma das principais ressalvas apresentadas, se dá justamente na falta de acesso de vários estudantes à esse tipo de aula. Dessa forma, a resposta da secretaria de educação, se deu em jogar a responsabilidade para os gestores das unidades escolares, e em muitos casos as próprias professoras, para se viraram para os alunos terem acesso às atividades propostas. Em seguida, a professora destaca o quanto os educadores tiveram que aprender nesses meses de pandemia, desembolsando do próprio bolso - desfalcando sem os reajustes - recursos para a aquisição de equipamentos, ou mesmo se endividando para isso. “- Como mágica, seus celulares K10 vão aguentar!” Ela diz. Algo que objetivamente, tendo dezenas até centenas de alunos é impensável, por estar recebendo, vídeos e fotos, todas as horas e dias da semana.

Não bastasse a rotina de youtuber - com vídeos de no máximo 15 minutos contendo: faz de conta, Contagem de história, Alfabeto, Numerais, Psicomotricidade, Música, Formas Geométricas, Como está o tempo hoje, lateralidade, brincadeiras. E para as crianças de 4 a 6 anos, nem folhas devem ser enviadas, deve-se estabelecer uma metodologia mágica na realidade paralela que a secretaria de educação de Anápolis - não somente nela, mas em todo o país - preparou. Além disso, o acompanhamento de materiais recebidos em massa, como também lhes exigiram além do planejamento quinzenal - que em Anápolis é obrigatoriamente bastante detalhado -, que todos os vídeos e as atividades fossem enviados com os mesmos 15 dias de antecedência.

Para completar, a fim de cortar gastos - pois essa é ordem geral do regime golpista que governadores e prefeitos seguem em todo o país obstinadamente, inclusive em governos de esquerda, como podemos acompanhar através da reforma da previdência e congelamento salarial que o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues do PSOL quer aprovar - as professoras dos CMEI’s deverão completar a carga horária em duas escolas, pegando aulas nos 4º e 5º Anos do Ensino Fundamental Fase I, obrigando às professoras destas turmas, à pegaram aulas em outras turmas, assim, aumentando ainda mais a carga de trabalho das profissionais e evitando que o cadastro de reserva do último concurso público para as pedagogas em Anápolis, seja convocado.

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Roberto Naves, segue sem nenhuma surpresa a linha que a educação estadual de Ronaldo Caiado (DEM) apresenta, sem concursos, retirada de direitos, nenhum reajuste para os profissionais efetivos, afinal é lucrativo. No último mês, a Assembleia Legislativa de Goiás, aprovou o absurdo projeto que corta a remuneração automática de complementação de carga horária para professores. A partir de 2022, os professores efetivos serão obrigados a fazer um processo seletivo, caso queiram pegar carga máxima de aulas.

E a pergunta que fica: Onde estão os sindicatos? Ainda em quarentena, e apostando as suas fichas de combate contra os golpistas no Judiciário que também é parte deste regime podre. O SINTEGO (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás, filiado à CUT) entrou mais uma vez com ações na justiça para reaver o pagamento por horas extras e o SINPMA (Sindicato dos Professores da Rede Municipal de Ensino de Anápolis, filiado à CTB) se reuniu com o secretário da Economia do município para discutir a respeito do reajuste salarial dos professores municipais. Ações que caracterizam o total distanciamento dessas entidades com os trabalhadores, que podem ser a força necessária para arrancar de Caiado e Naves as reivindicações não somente dos professores, mas todas as demandas mais urgentes da nossa classe de conjunto.

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O exemplo das marchas do 29M, demonstram que há o fôlego na juventude, trabalhadores e no povo pobre, para enfrentar os ataques dos golpistas para que sejam os capitalistas a pagarem pela crise. A união da juventude e da classe trabalhadora através das Assembleias de base, junto a paralisações convocadas pelas centrais são os primeiros passos para derrubar esses ataques. Não é através de mecanismos da justiça golpista e muito menos na crença de saídas institucionais através das eleições em 2022, que poderemos derrotar os nossos inimigos.




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