Internacional

CORONAVÍRUS

Revolta de “riders” italianos: “Uma pizza não vale o risco, pare de distribuir!”

A crise da saúde, nacional e mundial, vinculada ao coronavírus afeta particularmente aos trabalhadores e trabalhadoras jovens, funcionários com contratos hiperprecários ou irregulares.

sexta-feira 13 de março| Edição do dia

A crise da saúde, nacional e mundial, vinculada ao coronavírus afeta particularmente aos trabalhadores jovens, funcionários com contratos hiperprecários ou irregulares. Um caso particular é o dos riders, os ciclistas que trabalham para os aplicativos de entrega a domicílio de alimentos e outros produtos e serviços. Um trabalho que, no momento da crescente propagação do vírus, é particularmente perigoso e desestabilizador em comparação com as medidas com as quais tenta se conter a infecção.

Os coletivos de trabalhadores auto-organizados de Bolonia, Milão, Roma e Nápoles, com razão, tomam posição a respeito da política imprudente dos aplicativos, que sacrificam a saúde dos cadetes, entregadores e todos os usuários em nome de seu lucro. Eles pedem a suspensão do serviço, a proteção à saúde, a continuidade da renda de todos os trabalhadores do setor. Seu protesto se soma às mobilizações e greves que começam a atravessar o país, em uma situação de saúde, social e política de crise e respostas tardias, repressivas e descaradamente pró-patronais do governo e do Estado Italiano.

Reproduzimos, a seguir, o comunicado dos riders auto-organizados

Acompanhamos os acontecimentos que afetam nosso país com preocupação, ainda mais porque estamos entre aqueles e aquelas que não podem ficar em casa. Somos funcionários mas, nos papéis, a falsas autonomia e a ausência de contrato nos privam de qualquer meio de defesa e proteção.

Temos trabalhado estes dias com o medo que tantos e tantas vivem neste delicado momento. Trabalhamos principalmente para plataformas que não nos proporcionam, apesar de nossas incessantes solicitações, pesar das leis estatais, os dispositivos de segurança necessários.

Vivemos das entregas a domicílio, são nossa fonte de renda: magra, precária, a toque de caixa. Mas como temos feito em outras circunstâncias, sentimos a necessidade de dizer que nossa vida e nossa saúde valem mais que uma pizza, um sushi ou um sanduíche. Fizemos isso quando a queda de neve tornou as ruas de nossas cidades intransitáveis e as plataformas esfregaram as mãos para tirar proveito de uma situação onde as pessoas não saíam de casa e pediam online.

Queremos fazê-lo ainda mais agora, uma vez que as indicações de segurança dadas pelo Governo não são possíveis de cumprir com os aplicativos de entrega de alimentos. Não são. Ainda mais desde hoje, que descobrimos incrivelmente que estamos enfrentando uma liberalização irresponsável das atividades de entrega domiciliar. Elas quase parecem ter se tornado um serviço público indispensável, como a saúde, farmácias ou supermercados: um serviço essencial que devemos realizar sem qualquer proteção, invisível para esta economia.

Acreditamos que a situação é muito grave e que devemos deter a infecção primeiro. Se a distribuição de alimentos em casa se torna indispensável, o Estado, a Proteção Civil e os órgãos competentes devem pensar nisso.

Paramos!

Pedimos aos riders que se abstenham do serviço enquanto dure a ordem de restrição.

Convidamos os consumidores e as consumidoras a não pedir: pensamos no necessário, na nossa saúde, nas nossas vidas e naqueles que parecem não ter o direito de ficar em casa.

Pedimos acesso às redes de segurança social e o direito de ter uma continuidade de renda, pois temos que poder continuar vivendo, ficando em casa.

Solicitamos que o governo imponha restrições às entregas domiciliares em todo o país, tomando como exemplo as disposições da região da Campânia que identificam um potencial veículo de contágio na entrega de alimentos.

O Governo também mobiliza a Agência Tributária para providenciar o reembolso imediato do imposto de renda retido na fonte aos credores informais que em 2018 e 2019 permaneceram abaixo do limite de 5.000 euros.

Queremos evitar um estado de grande perigo para todos nós e nossos clientes.

Faremos nossa parte, de todas as formas possíveis, para que ninguém seja forçado a colocar em segundo plano sua própria segurança, de seus entes queridos e a de todo o nosso país.

A saúde é um direito de todos, nós também queremos exercê-lo, ficar em casa como todo mundo: é por isso que exigimos renda, proteções e garantias para todos!

Riders Union Bologna
Deliverance Milano
Riders Union Roma
Riders per Napoli – Pirate Union




Tópicos relacionados

Coronavírus   /    Juventude trabalhadora   /    exploração   /    Trabalho Precário   /    Internacional

Comentários

Comentar