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São Paulo | Resposta de Doria para crise é que médicos enfrentem a pandemia sem receberem salário

No retorno dos dias mais críticos da crise sanitária do país, secretário de saúde de SP convoca “médicos voluntários” em coletiva de imprensa, que vão trabalhar sem receber salários.

sexta-feira 5 de março | Edição do dia

foto: Governo do Estado de São Paulo (21/7/2020)

Nesta sexta-feira (5), o secretário de saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, anunciou o que chamou de “operação de guerra” para responder ao retorno da fase crítica da crise da Covid-19 no estado. Durante uma coletiva de imprensa, o secretário pediu para que profissionais voluntários ajudem na linha de frente da atuação contra a pandemia. Com o estado batendo recordes catastróficos, como recorde de mortes em 24 horas, maior índice de ocupação de leitos de UTI e maior número total de doentes internados, o setor da saúde, no estado, está à beira do colapso. Os profissionais da saúde, em meio à isso, são a categoria mais exaurida, trabalhando cargas horárias extensivas e em iminente risco de saúde, adoecendo tanto pelo vírus como por questões psicológicas.

Desde o início da pandemia, mais de mil profissionais já morreram por conta da covid, com o Brasil respondendo por um terço das mortes de profissionais da saúde de todo o mundo. Trabalhando muitas vezes com EPI’s precários e sobrecarregados, são a classe mais atingida no último ano. Nem mesmo após a anunciação da primeira fase de vacinação, que tinha como prioridade grupos de risco e quem estava à frente da pandemia, todos os profissionais tiveram seu direito à vacinação garantido.

Mediante isso, o secretário da saúde, agora, propõe que eles trabalhem de graça. Não suficiente o sofrimento que significa estar à frente na luta contra a crise sanitária, os profissionais agora, aos olhos do secretário, devem abdicar até mesmo ao seus direitos de subsistência e trabalhar arriscando suas vidas sem salário, tudo para que o governo Dória “economize” em cima da vida dos trabalhadores da saúde enquanto segue garantido os lucros do empresariado capitalista.

Doria, que também estava na coletiva de imprensa, por sua vez, segue fazendo demagogia com o combate à crise. Enquanto se contrapõe, em tese, contra a política negacionista de Bolsonaro, anuncia medidas absurdas, como retorno das aulas presenciais nas escolas públicas, mesmo em fase crítica da crise. Anunciou o novo hospital de campanha, que ainda será detalhado na segunda-feira, com o intuito de abrir mais vagas na estrutura de saúde que já está se esgotando. O secretário de saúde ainda citou que iria ter "paciente no corredor”, dizendo que se as vagas não fossem suficientes, os doentes seriam colocados até mesmo no corredor.

A questão é que a abertura de novos leitos é necessária, mas não somente isso. Cada leito ocupado precisa de uma estrutura para funcionar, bem como profissionais diversos da saúde para atender cada paciente. É ineficaz a abertura de novos leitos sem a contratação de novos profissionais para que eles funcionem, profissionais estes que agora o governo de São Paulo nem mesmo quer pagar.

Mais claro do que nunca, fica a resolução de que a saída real para a crise só virá das mão da própria classe trabalhadora, que é quem verdadeiramente é responsável por dar combate à crise. É preciso que os trabalhadores dos setores estratégicos decidam os rumos da luta contra o covid. Que mais profissionais sejam contratados e tenham condições dignas de trabalho, com garantia de EPI’s e alívio da carga horária exacerbada. É preciso que os hospitais, além de leitos, tenham garantidos todos os insumos necessários para que de fato esses leitos sejam funcionais, assim como a fila única do sus, desapropriando os setores privados da saúde que só fazem lucrar com o sofrimento da pandemia e colocando suas estruturas a serviço da saúde pública. E que se garanta a proteção da população em geral, especialmente a população pobre que não possui direito de quarentena e precisa seguir trabalhando para sobreviver, com renda básica, testagens massivas, e vacinação para todos.




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