Sociedade

LUTA NA SAÚDE

Residentes pelo país chamam dia de luta contra atraso de bolsas e por condições de trabalho

Em diferentes locais do país residentes que atuam na linha de frente dos serviços de saúde se organizam para um Dia Nacional de Luta no próximo dia 19/04 (segunda feira). As principais demandas são o pagamento das bolsas e da bonificação por atuação no enfrentamento ao COVID-19 , vacinação de todos os profissionais e insumos para proteção individual(EPI's).

Isa Santos

Assistente social e residente no Hospital Universitário Pedro Ernesto/UERJ

quinta-feira 15 de abril| Edição do dia

Imagem: Divulgação/FNRS

Em diferentes locais do país residentes que atuam na linha de frente dos serviços de saúde se organizam para um Dia Nacional de Luta no próximo dia 19/04 (segunda feira). O dia de mobilização foi convocado após reunião do Fórum Nacional de Residentes em Saúde.

A reunião debateu em primeiro lugar o atraso do pagamento das bolsas-salários de diversos programas, o atraso no pagamento da bonificação, chamada Brasil Conta Comigo, paga pelo Ministério da Saúde desde o início da pandemia da COVID-19 e a falta de vacinação desses profissionais além de outras demandas. Os residentes reivindicam ainda redução e regularização das residências, melhores condições de trabalho, suporte a saúde e retomada da Comissão Nacional de Residências Multiprofissionais em Saúde.

A residência é tida como um processo de formação prática, que constitui a modalidade de pós-graduação presente em todos os níveis dos serviços de atenção em saúde por todo país com profissionais de diversas categorias. É uma forma de especialização dos trabalhadores da saúde mas se reverte em trabalho precarizado pela falta de direitos, carga horaria extenuante e salário baixo em comparativo a carga horária. Enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, assistentes sociais e outros profissionais inseridos nos programas de residência pelo país possuem uma carga horaria semanal de 60 horas e não podem, pelo tipo de sua contratação, exercer outra atividade remunerada. Desta forma dependem unicamente das bolsas-salários para sobreviverem.

Estados, municípios e o Governo Federal tem recorrentemente atrasado os pagamentos das bolsas-salários. Devido a diversidade das fontes responsáveis por esse pagamento se instala uma situação desigual em programas, unidades, municípios e estados onde parte desses profissionais estão com suas bolsas em dia e parte estão com falta de pagamento ou atrasos. Um absurdo de impacto imediato na vida e sustento daqueles que estão cotidianamente colocando seus corpos para salvar vidas frente a pandemia já que esses profissionais são desde sempre parte dos profissionais essenciais nesse contexto.

Há relatos de que os atrasos e a falta de pagamento já se transformam em falta de dinheiro para passagem e alimentação desses trabalhadores. Uma situação que se soma a falta de vacinação inclusive de profissionais inseridos no atendimento direto de pacientes com COVID-19 colocando suas vidas em riscos de forma desnecessária. Não há garantia de redução de carga horaria ou reorganização das escalas para menor exposição desses profissionais que ainda não foram vacinados.

Há programas que constam com irregularidades nos repasses para ao INSS, como é o caso de diversos residentes vinculados aos programas da UERJ, colocando esses profissionais em uma situação de total insegurança e nenhuma possibilidade de qualquer auxílio trabalhista frente ao adoecimento. Uma situação que se agrava frente as condições de trabalho precárias, onde faltam mascaras nos serviços de saúde, álcool em gel e outros insumos básicos para proteção individual nesse cenário.

A situação desses profissionais de saúde escancara a forma como governadores, prefeitos e o Governo Bolsonaro vem lidando com os trabalhadores da linha de frente do combate a COVID-19. Enquanto estes colocam suas vidas para salvar vidas lhes são negados direitos mínimos como o recebimento dos seus salários, condições de trabalho adequadas e vacina para garantir a segurança desses no atendimento a população. Desde o Esquerda Diário expressamos nosso apoio as mobilizações destes trabalhadores e colocamos nosso site e redes a disposição para fortalecer essa luta e dar voz a situação desses trabalhadores.




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