Sociedade

Relato de um estudante, morador do CRUSP, em meio a crise do coronavírus

"[...]toda falta ou confusão é algo comum e que a USP já faz grande serviço em ceder moradias. A falta de água é comum, não ter janta é comum, a guarda não passar nenhuma segurança ou não termos cozinhas para todos."

quarta-feira 25 de março| Edição do dia

Sou aluno da USP, ingressante de 2019, e desde minha entrada sou morador do conjunto residencial da USP (CRUSP) e eu gostaria de aqui relatar como denúncia e desabafo tudo que tenho vivido. Quando um aluno entra no CRUSP, tudo é feito pra que esse acredite que toda dificuldade, toda falta ou confusão é algo comum e que a USP já faz grande serviço em ceder moradias. A falta de água é comum, não ter janta é comum, a guarda não passar nenhuma segurança ou não termos cozinhas para todos, mas hoje, depois de ter saído do conto de fadas da USP, só consigo pensar "Mano! Por que raios nós, alunos da super Universidade de São Paulo, não temos condições básicas de vida" com várias palavras de baixo calão censuradas esse é meu pensamento diário.

Atualmente, me sinto, em relação a sociedade, esquecido e jogado à sorte pois em meio a uma pandemia tenho que ficar nesse buraco insalubre pois não tenho dinheiro pra sair daqui, não quero infectar minha família e dependendo de alguns raros pontos de internet pra fazer a atividade EAD do professores.

Questionamentos todos esse que me enlouquecem e que já enlouqueceram (no sentido clínico mesmo) muitos moradores desse lugar e eu espero não me afetar a esse ponto, mas sinceramente a frase pichada em diversos locais "O CRUSP é artificial", em meio a todo o fingimento burocrático e as táticas de sobrevivência parece-me uma sentença cada vez mais vívida.




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