Cultura

SECRETARIA DA CULTURA

Regina Duarte assume secretaria da cultura prometendo cortes e agenda conservadora

A reacionária atriz Regina Duarte, casada com um latifundiário e pecuarista, assume oficialmente a secretaria especial de cultura, após ter dado declarações defendendo cortes na área e expressando dar continuidade à agenda reacionária e de censura a arte. A nova secretária chegou a convocar as manifestações contra o Congresso marcadas para o dia 15 de Março, mostrando que seu projeto à cultura está alinhada ao avanço autoritário de Bolsonaro.

quarta-feira 4 de março| Edição do dia

No início de seu mandato, Jair Bolsonaro optou por desmanchar o Ministério da Cultura e incorporá-lo ao Ministério do Turismo, nomeando para o cargo o dramaturgo Roberto Alvim; Regina Duarte assume após o então secretário da Cultura ter sido demitido do cargo por conta de um vídeo com referências nazistas nas redes sociais, parafraseando Ministro da Propaganda e braço direito de Hitler, Joseph Goebbels.

Sua demissão não foi por uma retaliação à política defendida por ele, assim como por Bolsonaro, mas sim por ter “dado muito na cara” e gerado desgaste ao governo. A admissão da atriz é prova disso, na medida em que é promete dar continuidade à agenda conservadora e de censura à arte e cultura.

Em 2019, em uma entrevista com Pedro Bial, Regina Duarte defendeu os cortes de verbas da área da cultura feitos pelo governo com a justificativa de “controle de gastos” no momento de crise. No processo de encerrar seu contrato com a Globo, sem ainda ter tomado posse do cargo de secretária da Cultura, apenas o período que chamou de “noivado", a oferta de Bolsonaro custou aos cofres públicos 15 mil reais destinados à atriz.

Casada com o pecuarista Eduardo Lippincott, não é de se espantar que a atriz já tenha feito declarações a favor do “direito inalienável à propriedade” em contraposição à demarcação de terras indígenas e quilombolas em 2009, ao participar da 45ª Exposição Agropecuária e Comercial (Expoagro) em Dourados (MS). “Podem contar comigo, da mesma forma que estive presente nos momentos mais importantes da política brasileira”, declarou, oferecendo seu apoio aos grandes produtores.

Como vimos com os ataques seguidos à Ancine, os cortes de sua verba , a censura escancarada que vem ocorrendo a filmes, editais, peças de teatro etc, o projeto bolsonarista é fazer um pente fino na cultura e deixar apenas aquilo que interesse a seus fins, primeiro com a nomeação de Alvim e agora com o convite à Regina Duarte, ambos capacitados para seguir com o projeto de controle da cultura desse governo reacionário.

Renovação conservadora na secretaria

Ao tomar posse, a nova secretária decidiu renovar o time de conservadores, demitindo funcionários que vieram dando declarações polêmicas, não para retroceder na agenda bolsonarista, mas para dar uma “cara limpa” ao obscurantismo que compartilha com Bolsonaro.

Dentre os demitidos estão Dante Mantovani, até então presidente da Funarte - e que disse que o rock induz às drogas e ao satanismo; Camilo Calandreli, secretário de Fomento e Incentivo à Cultura; e Paulo Cesar Brasil do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Museus.

Sérgio Camargo, o polêmico presidente da Fundação Palmares - que disse que a escravidão foi benéfica aos descendentes e que não existe racismo no Brasil -, está confiante que fica. Ele chegou a ser afastado momentaneamente do cargo pela Justiça.

Na semana passada, Camargo já se movimentava para formar uma nova equipe alinhada às suas ideias. Em post publicado no Facebook nesta terça-feira, 3, ele diz que tem o "respaldo do presidente Jair Bolsonaro e do secretário do Turismo Marcelo Álvaro Antonio". A Fundação Palmares é ligada à Secretaria Especial da Cultura que, por sua vez, é subordinada ao Ministério do Turismo.

A atriz que se diz estar alinhada “de corpo e alma” com a agenda bolsonarista, tendo brincado ter noivado com o presidente, expressa que a cultura segue sendo vítima de um projeto que quer acabar com toda a liberdade artística e as medidas de fomento à cultura, como parte do avanço autoritário de Bolsonaro, em especial a partir do ato chamado para o dia 15 de Março.




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