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COLUNA | Reflexões sobre a pandemia, o ensino remoto e o produtivismo

As 3 mil mortes por dia em contraposição com o produtivismo imposto pelo Ensino Remoto, baseado na precarização do trabalho docente e as custas da saúde mental dos estudantes, causam um incomodo quase palpável. Quem aguenta tantas cobranças, trabalhos, provas e atividades distanciadas da realidade concreta que impõe a crise sanitária e econômica enquanto sufocamos em meio a UTI’s sem leitos?

Luno P.Coordenador Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

sexta-feira 19 de março | Edição do dia

Imagem: Brenda Caramaschi/Portal RIC Mais

Cansaço que em passos largos nos leva a sobrecarga e raiva de um ensino remendado que só está a serviço dos grandes tubarões da educação, mas que nos é imposto mascarado com a ideia de que "é preciso fazer algo para manter uma mínima normalidade". Se pudesse definir o que penso sobre o ensino remoto, essa seria uma das definições. Entre os altos níveis de cobranças, frustrações diárias, dificuldades técnicas e a precariedade do ensino, os estudantes e educadores vêm sofrendo as dores de uma educação a distância em vários sentidos. Seja no sentido de um maior distanciamento das relações, ligados apenas por uma chamada de vídeo, muitas vezes sem qualidade, seja no sentido de uma educação que cada vez mais é distanciada da realidade concreta do que estamos vivendo.

Seminários, lives, aulas assíncronas ou síncronas? Escrita de artigos e muito, mas muito trabalho. Tudo em base a um produtivismo alimentado dia a dia que só está a serviço de nos disciplinar para aumentar os lucros dos capitalistas, que não satisfeitos de jogarem a massa da juventude no desemprego e nos postos de trabalho mais precarizados, impondo a reforma trabalhista e da previdência por exemplo, buscam atacar a educação (e a saúde) de todos os lados possíveis com a PEC Emergencial, o Teto de Gastos e os cortes no orçamento das universidades e da assistência estudantil. Alinhados com o projeto de país de Bolsonaro, Mourão e o conjunto da corja desse regime golpista, querem uma massa de trabalhadores precarizados sem direito à educação.

Em meio a tudo isso: mais de 3000 mil mortes por dia só no Brasil. Mortes que cada vez mais vão povoando nossas lembranças, tendo nomes familiares e endereços próximos. Mas as pequenas telas dos celulares e computadores transmitindo a incessante enxurrada de conteúdo não são o suficiente para esconder que a realidade bate à porta, e de que não é normal a ideia de que a vida precisa seguir com os trens e ônibus lotados, com o pouco dinheiro que sobra pra pagar as contas e a comida, com os diversos trabalhos, provas e aulas que parecem aumentar em meio ao ensino remoto, e com a tristeza e ódio de 1 morte a cada 30 segundos.

Mortes que poderiam ter sido evitadas, mas não foram. Com testes massivos, liberação remunerada, isolamento social racional e seguro e vacinação de toda a população com a quebra das patentes. Que poderiam ter sido evitadas com a reconversão da indústria e da economia, assim como de toda a capacidade de pesquisa das universidades, para combater o coronavírus e as consequências da crise sanitária, mas que não foram. Isso por uma política consciente de Bolsonaro, Mourão e os governadores, que para salvar os lucros capitalistas, jogam a crise em nossas costas, mesmo que isso signifique nos fazer agonizar em UTIs sem leitos.

E para nos fazer acreditar que não somos sujeitos de mudar essa realidade e a ordem capitalista que nos explora e oprime, alimentam o derrotismo e o pessimismo, como se nosso futuro fosse administrar aulas precárias entre os horários que não estamos carregando os lucros dos burgueses numa bag em nossas costas.

E há muita dor entalada na garganta e que nos escorre aos olhos. Dor que precisa explodir, entrar em combustão e queimar num combate decidido contra Bolsonaro, Mourão e os golpistas. É preciso dizer que chega, que não há tempo e que não podemos mais aceitar. De que as vídeo chamadas e telas que nos prendem em mil atividades da escola e universidade podem servir também para que a gente conspire contra esse sistema e organize nossa revolta, em cada turma, departamento e sala de aula, mesmo que online. De que não podemos esperar 2022 porque estamos morrendo agora, e nosso futuro está sendo vendido agora. De que é preciso impor com a nossa força aliada aos trabalhadores as medidas necessárias para combater a pandemia, e que para isso também é preciso combater o regime do golpe, e todos os seus atores.

Os dias de luta nacional convocado pelas centrais sindicais e pela UNE, dia 24 e 30 de março respectivamente, podem cumprir esse papel, mas para isso é preciso romper com a política do PT e PCdoB que busca separar a força dos trabalhadores com a força da juventude e unificar as datas numa só luta, construindo desde as bases a mobilização e um plano de lutas nacional unificado para golpear com toda nossa força Bolsonaro, Mourão, golpistas, militares e governadores.




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