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Redução dos ônibus em Porto Alegre lotam os carros e levam à demissão dos rodoviários

Nesta quinta-feira, 19, as empresas privadas de ônibus de Porto Alegre começaram a circular com a frota em tabela de verão, sem autorização da EPTC. A diminuição dos ônibus serve como desculpa para demitir rodoviários, e com os ônibus mais lotados acarreta maior exposição ao Coronavírus para todos. Uma medida que só é boa para o lucro dos empresários que não se importam com a vida dos trabalhadores.

quinta-feira 19 de março| Edição do dia

Em meio à pandemia do Covid-19, que vem impactando severamente diversos países e se alastrando rapidamente pelo Brasil, a preocupação dos magnatas do transporte coletivo de Porto Alegre é manter seus lucros exorbitantes. Para isso aplicam um corte de linhas que só vai piorar ainda mais a situação dos trabalhadores rodoviários e dos trabalhadores que não foram dispensados de seus serviços e continuam dependendo dos ônibus. Essa medida deixa muitos trabalhadores desamparados, rodoviários relatam que trabalhadores com mais de 60 anos são afastados do serviço sem remuneração, deixando esses trabalhadores do grupo de risco sem salário sob o risco de infecção.

Este corte de linhas inclusive é ilegal, não tendo a autorização prévia da EPTC. EPTC anunciou multa de R$509,00 por cada viagem não realizada.

Conforme informações da GaúchaZH, os próprios rodoviários se queixam da superlotação nos ônibus, o que pode intensificar a transmissão do Coronavírus: “Avisaram a gente ontem à noite, um absurdo. O meu ônibus só sai de 20 em 20 minutos”. Os empresários do transporte colocam vidas em risco para manter seus lucros. Exemplo do desastre que essa medida pode causar foi visto em Caxias do Sul, onde a diminuição da tabela horária resultou em ônibus abarrotados de gente.

A desculpa da ATP (Associação dos Transportadores de Passageiros, sindicato patronal de Porto Alegre) é de que estão seguindo o decreto da prefeitura de dispensar os trabalhadores com mais de 60 anos, por isso a menor oferta de ônibus. Uma justificativa altamente questionável, um vez que a Carris mantém o funcionamento normal das linhas, e que mesmo assim a medida correta no caso de falta de pessoal seria contratação de mais trabalhadores para manter os serviços de transporte.

Essa medida também serve às intenções da patronal do transporte de demitir trabalhadores rodoviários que, em conluio com Marchezan no ano passado, tentavam aprovar um projeto que demitiria mais de 3600 cobradores. Em um Brasil sofrendo com desemprego e Coronavirus, querem desempregar trabalhadores e deixar famílias desamparadas.

Contra este vírus e contra o descaso dos governos e patrões, é necessário levantar um plano de emergência para resguardar a saúde e a vida da classe trabalhadora e toda a população pobre, desempregados e trabalhadores informais.

Em primeiro lugar, garantir materiais de prevenção como álcool gel e máscaras gratuitamente a todos os trabalhadores e usuários do transporte, e contratação de mais trabalhadores efetivos para realizar a higienização dos ônibus.

Para que nenhuma família fique desamparada em meio à pandemia em prol do lucro dos capitalistas, é necessário proibir as demissões. Assim como garantir testes em grande quantidade a todos que queiram, medida que é a única forma de conter a disseminação e os óbitos, como mostra a experiência de países que aplicaram testes massivamente como Alemanha e Coreia do Sul.

O sistema de saúde deve ser centralizado e estatizado sob controle dos trabalhadores, de forma a garantir mais leitos para quem precisar, dar conta de toda a demanda existente hoje. É preciso transformar os leitos privados em leitos públicos para que todos possam ser atendidos, é preciso contratação emergencial de mais funcionários da saúde, bem como girar a economia para produção de aparelhos respiratórios, testes do COVID-90, utensílios higienizantes, etc. Ou seja, girar esforços dos trabalhadores para combater o coronavírus, e não deixar que os capitalistas lucrem com toda essa situação de crise.




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