Mundo Operário

TRABALHADORES DE APLICATIVO

Rappi bloqueou entregadores por pegar mais de um frasco de álcool gel

Em protesto nesta sexta-feira (05/06) entregadores de aplicativos, como Rappi e iFood, denunciam taxas de entrega baixíssimas, bem como punições e bloqueios absurdos.

sexta-feira 5 de junho| Edição do dia

Na manhã desta sexta-feira (05/06), trabalhadores de aplicativos de entrega, como iFood e Rappi, fizeram uma manifestação na Avenida Paulista, denunciando as medidas absurdas que as empresas que vêm implementando. -

Uma das denúncias diz respeito à distribuição de kits de produtos básicos de higiene que a Rappi distribuiu aos seus entregadores. Composto por apenas um par de luvas e um pequeno frasco de álcool em gel, era totalmente insuficiente para a proteção dos trabalhadores frente à pandemia de Covid-19. Entregadores que pegaram um segundo frasco de álcool em gel foram bloqueados pela empresa, perdendo assim sua fonte de renda.

Além disso, a maioria desses trabalhadores são negros, que não atoa ou por questões biológicas são os setores que mais morrem pelo coronavírus. É a própria herança escravista da exploração capitalista no nosso país que os tornam mais vulneráveis nas favelas, em água ou banheiro em suas casas, e sendo obrigados a trabalhar nos postos mais precários de trabalho durante a pandemia. Um relato como esse só expõe o fato da Rappi e da iFood serem também responsáveis por essa realidade, enquanto seus "empreendedores" se acidentam e não tem nenhum suporte do aplicativo.

Isso mostra a mentira que é o discurso de que estes trabalhadores são empreendedores individuais. A empresa define o valor da taxa de entrega e o quanto ela vai dar efetivamente pro entregador, definindo assim o salário dele. A empresa define o seu local de trabalho, ao impedir, por meio de seu sistema de pontos, que ele acesse certas partes da cidade. A empresa define seu horário de trabalho ao impor punições ao entregador por rejeitar pedidos. Por fim, a empresa pode demitir o entregador por qualquer razão, ao simplesmente o bloquear do aplicativo.

No Brasil, estes empregos precários são reservados quase sempre aos negros, e por isso aparecem também denúncias de racismo, como entregadores que foram impedidos de usar o banheiro unicamente por serem negros.

Neste sentido, é fundamental nos olharmos para o exemplo da fúria negra que varre os Estados Unidos nesse momento denunciando a violência policial e o racismo e também no exemplo da Rede de Precarizados da Argentina, que organizou manifestações de trabalhadores de aplicativos, de call-centers e de outras categorias em diversas cidades do país na última sexta-feira.

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É através da mobilização e da organização que poderemos avançar contra Bolsonaro e Mourão para garantir condições mínimas, como a liberação de todos os trabalhadores não essenciais, a liberação do auxílio emergencial e que este tenha um valor de 2 mil reais, capaz de sustentar uma família, e os EPIs básicos, como máscaras, luvas e álcool gel para todos aqueles que seguirem trabalhando.

Por isso, chamamos a todos que se somem aos atos anti-fascistas e anti-racistas que estão convocados em todo o país no próximo domingo, 7. Nós do Esquerda Diário estaremos nesse dia para batalhar por uma perspectiva revolucionária e anticapitalista por essa luta, e chamamos a todos a lutarmos juntos por Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, botando em cheque todo esse regime escravista e racista que o STF, o Congresso e a Globo querem salvar.

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