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Racismo da Polícia: abordagens do Segurança Presente disparam entre janeiro e março no RJ

Nova ferramenta que permite o monitoramento da produtividade de policiais em tempo real, aponta o aumento da repressão policial no último período no Rio de Janeiro. O número total de abordagens feitas pelo Segurança Presente, somando as 31 bases no estado teve um aumento de 139%, passando de 55.478 em janeiro para 132.657 em março. Belford Roxo, na Baixada Fluminense, lidera o ranking de números absolutos. Foram 19,5 mil carros e 22,8 mil pessoas abordada nos três primeiros meses de 2021, um total de 42,4 mil abordagens no período. Um crescimento de 87,6% se comparado janeiro e março.

segunda-feira 3 de maio| Edição do dia

Foto: Divulgação/Philippe Lima

Os dados fornecidos ao jornal (Extra) pelo Segurança Presente, mostram também que o maior salto ocorreu no bairro nobre de Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde as abordagens de veículos passaram de 18 para 1.455, um crescimento de 7.983,3%. Na abordagem de pessoas, a base do Leblon, na Zona Sul, foi a que teve o maior crescimento com 4.146%, passando de 30 em janeiro para 1.274 em março.

O programa Segurança Presente que é financiado pela Federação dos Comerciantes e usa a Polícia Militar como agentes, mostra como as áreas periféricas do estado, onde a maior parte da população é negra e de classe baixa, trabalhadores, são a com maiores números de abordagem. No ranking das cincos bases que fizeram mais abordagens de janeiro a março, quatro estão na Baixada Fluminense, são elas Belford Roxo, Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Magé. Essas bases também são as com maiores números de agentes.

Essas regiões que são conhecidas pela violência policial e das milicias e os números absolutos de abordagens mostra como o Estado age, vestindo uma roupagem de prevenção e ajuda para resolver crimes. Sendo que das quase 189 mil pessoas abordadas desde janeiro apenas 434 tinham mandados de prisão em aberto (0,22%) e menos da metade os mandados ainda valiam, por um déficit no Banco Nacional de Mandados de Prisão. Dos 91 mil veículos abordados, apenas 137 (0,15%) eram roubados ou furtados.

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Mesmo com números tão baixos o atual coordenador do programa, tenente-coronel Rodrigo Laviola, considera que o programa é ainda preventivo, como também pode ajudar na resolução de crimes com a as informações armazenadas. Laviola também coloca que “Uma abordagem pode frustrar que a pessoa cometa algum delito posteriormente, naquele dia”, mas o que os números apresentam até agora é a excessiva repressão policial nas áreas mais periféricas. Mesmo com o número de abordagem crescendo aos saltos na Zona Sul, não chegam nem próximo aos números da Baixada Fluminense, mostrando o caráter racista e classista das abordagens policiais.

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