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Quem são os robôs da Indústria 4.0?

Gabriel "Biro"

Imagem: Alexandre Miguez

Quem são os robôs da Indústria 4.0?

Gabriel "Biro"

O conceito “Indústria 4.0” foi amplamente difundido utilizando-se da cínica propaganda distópica de que a união da Internet das Coisas, o Big Data, a Computação em Nuvem, a Inteligência Artificial e a robótica, iriam substituir o trabalho humano, em uma nova era, na qual a fonte de valor e riqueza seriam as inovações tecnológicas.

Bem, esse discurso estava em seu auge em 2019, até a chegada da pandemia mundial do coronavírus provar por A mais B que a classe trabalhadora é essencial no capitalismo. As máquinas das fábricas não trabalharam autonomamente enquanto a humanidade permaneceu segura dentro de suas casas. A esmagadora maioria da classe trabalhadora seguiu levantando todos os dias para trabalhar, pois nada no capitalismo se move sem o emprego de sua força de trabalho. A propaganda interessada de que a tecnologia seria o novo centro da produção e da geração de valor não passa de um nevoeiro ideológico para desviar a atenção de seus reais propósitos. Todas as “revolucionárias” tecnologias da “Indústria 4.0” tem um único sentido: impulsionar um projeto de reestruturação produtiva que aumente ao máximo o controle e a exploração do trabalho humano. Mas a classe trabalhadora segue inevitavelmente no centro da produção capitalista.

Quarta Revolução Industrial, uma “narrativa positiva” para uma campanha de espoliação imperialista

O termo "Indústria 4.0" teve origem a partir de um projeto estratégico de desenvolvimento tecnológico do Governo Alemão. Muitas fontes atribuem a autoria do conceito a Henrik Von Scheel, membro do Grupo Consultivo do Ministério Federal de Educação e Pesquisa – iniciativa política de inovação encarregada de definir a estratégia de alta tecnologia da Alemanha. O conceito foi apresentado publicamente pela primeira vez em 2011 na Hannover Messe, uma feira de negócios realizada em Hanover, Alemanha, sendo apresentado oficialmente ao governo alemão em 2012. O propósito deste projeto estratégico, que surge no interior do estado imperialista alemão, era aumentar a competitividade deste país na concorrência do mercado mundial.

A crise econômica mundial que estourou em 2008 se alastrando por todo o globo, teve como uma de suas consequências o acirramento das disputas entre os estados nacionais, expressão da competição inter burguesa por mercados no plano internacional. A necessidade de aumentar a taxa de lucro, no marco da sua tendência decrescente, fruto desta disputa, colocou um problema de primeira ordem para países imperialistas como a Alemanha.

A destruição, executada no neoliberalismo, do antigo estado de bem estar social e dos direitos sociais adquiridos na etapa histórica anterior aos anos 90, já não era mais suficiente para garantir a conversão de investimento internacional na produção industrial das empresas dos países centrais, pois estes vinham perdendo a capacidade de competir com a produtividade de países como a China e os baixos salários de países subdesenvolvidos e semicoloniais da periferia do capitalismo. Ou seja, a crise econômica de 2008 acirra a competição capitalista de tal forma que a busca por baixos salários e alta produtividade, para aumentar as taxas de lucro, faz com que países imperialistas como a Alemanha, que tem como base estratégica da sua economia a produção industrial de alto valor agregado, fossem obrigados a buscar novas formas de encabeçar essa disputa por lucratividade no cenário internacional. Para solucionar este problema estratégico, a “Indústria 4.0”, ou então, a “quarta revolução industrial", aparece como uma política de reestruturação produtiva, para elevar a produtividade através da aplicação tecnológica, isto é, intensificar a extração de mais valia relativa.

Com este objetivo, a política da “Indústria 4.0” é constituída por dois componentes: um de natureza ideológica e outro de natureza econômica, que se complementam. O componente de natureza econômica trata-se justamente de preparar uma reestruturação produtiva aplicando no interior dos processos produtivos o que há de mais avançado em termos de inovação tecnológica disponível no mercado. A Internet das Coisas possibilita conectar cada equipamento, máquina e ferramenta que está sendo utilizada na produção em uma rede, coletando dados em tempo real de tudo que está sendo feito, permitindo assim a utilização de um Big Data para armazenar uma gigantesca quantidade de dados para serem processados e traduzidos para patronal, sugerindo opções de gestão e controle dos processos. A robótica e a automação integrados a esse sistema de informação podem utilizar da Inteligência Artificial para corrigir falhas, adequar e mudar processos em tempo real, assim como o ritmo e parâmetros da produção.

Já o componente ideológico trata-se de uma ampla propaganda da “Indústria 4.0” em escala global para não apenas vender este projeto globalmente, assim como seu "know how” e exportar seus recursos materiais; mas, também, realizar uma operação imperialista consciente de facilitar a inserção de novas tecnologias através de uma "narrativa positiva” que arme a patronal e a intelectualidade burguesa com um discurso que possa ser reproduzido nos centros de formação técnicos, no marketing empresarial, pelas corporações de recursos humanos, pelos governos e agentes estatais, pela comunidade científica e tecnológica, assim gerando aceitação e naturalização por parte da opinião pública e, no máximo de sua efetividade, no sonho dos capitalistas, a passividade dos próprios trabalhadores, assim servindo diretamente a suas necessidades econômicas.

Mas se a interpretação desse que tendenciosamente vos escreve, na contramão desta “narrativa positiva”, não transpira confiança, podemos buscar ainda a definição de Geraldo Augusto Pinto, professor do Departamento Acadêmico de Estudos Sociais (Daeso) e do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade (PPGTE) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que estudou detidamente a aplicação da “Indústria 4.0” na Mercedes Benz em São Bernardo do Campo. Em seu artigo "A Indústria 4.0 na cadeia automotiva: a Mercedes Benz em São Bernardo do Campo” o autor define a “Indústria 4.0” como “uma propaganda para angariar investimentos privados, no marco da redução do papel da indústria manufatureira nos países centrais” como “reação à diminuição da participação do PIB de indústrias de manufatura nos países centrais agravado pela crise do subprime em 2008” ou ainda, uma “agenda de cunho propagandístico para inserir um modelo alemão na divisão internacional do trabalho” [1].

Ao digitarmos indústria 4.0 nos sites de pesquisas da internet, o que mais encontramos são artigos dizendo que as inovações tecnológicas aplicadas estão a serviço de acabar com problemas ergonômicos, trazer praticidade e conforto para os trabalhadores, quando não diretamente substituí-los. Porém, não é preciso grande averiguação crítica para compreender que existe uma política ideológica em curso. Basta olharmos para uma das produções literárias mais conhecidas por disseminar as “maravilhas” tecnológicas da “Indústria 4.0”, o livro “A Quarta Revolução Industrial", praticamente um folheto de propaganda encomendada, onde o escritor alemão Klaus Schwab, assume:

“É, portanto, crucial que nossa atenção e energia estejam voltadas para a cooperação entre múltiplos stakeholders que envolvam e ultrapassem os limites acadêmicos, sociais, políticos, nacionais e industriais. As interações e as colaborações são necessárias para criarmos narrativas positivas, comuns e cheias de esperança que permitam que indivíduos e grupos de todas as partes do mundo participem e se beneficiem das transformações em curso.” [2]

Em outros trechos Schwab ainda deixa explícito sua preocupação com a possibilidade de “rupturas” e “reação popular” no desenvolver da “quarta revolução industrial", e apela para que os órgãos públicos e agentes políticos estejam preparados e armados com uma “narrativa positiva” para tentar evitar a revolta dos trabalhadores; como neste trecho por exemplo:

“Primeiro, acredito que os níveis exigidos de liderança e compreensão sobre as mudanças em curso, em todos os setores, são baixos quando contrastados com a necessidade, em resposta à quarta revolução industrial, de repensar nossos sistemas econômicos, sociais e políticos. O resultado disso é que, nacional e globalmente, o quadro institucional necessário para governar a difusão das inovações e atenuar as rupturas é, na melhor das hipóteses, inadequado e, na pior, totalmente ausente. Em segundo lugar, o mundo carece de uma narrativa coerente, positiva e comum que descreva as oportunidades e os desafios da quarta revolução industrial, uma narrativa essencial caso queiramos empoderar um grupo diversificado de indivíduos e comunidades e evitar uma reação popular contra as mudanças fundamentais em curso.” [3]

Seria então a necessidade de uma “narrativa positiva” para um triunfo “pacifico” da quarta revolução industrial a motivação primeira que levou Schwab a escrever seu livro? Bem, mas a questão central não é então somente o cunho ideológico imbuído na propagação do uso dessas tecnologias, mas sim porque Schwab, o ideólogo da “quarta revolução industrial" teme a “reação popular” contra tais maravilhas da ciência? Estaria sua preocupação associada à brutal intenção de aumentar a exploração da classe trabalhadora?

Despido de seu invólucro ideológico, vejamos agora o que a “Indústria 4.0” contém em sua natureza econômica que propicia o aumento das taxas de lucro tão almejadas pelos capitalistas.

O que existe por detrás da “narrativa positiva” da Indústria 4.0?

Antes de nos aprofundarmos detidamente na análise da implementação da “Indústria 4.0”, vale ressaltar que, no marco da divisão internacional do trabalho, a adoção dessas tecnologias por parte da patronal é desigual ao redor do mundo e em um mesmo território nacional, ainda mais frente aos limites de reconversão de capital existentes em meio a uma crise em curso. A escolha de adotar este modelo de reestruturação produtiva varia entre os distintos ramos econômicos. Para definir o que será implantado depende da quantidade de capital disponível para ser revertido em investimento de capital fixo e o cálculo do custo benefício a médio e longo prazo.

Porém a “Indústria 4.0” é antes de mais nada um cardápio de tecnologias a serem aplicadas, a gosto da gestão empresarial, não sendo necessário ser aplicado em sua totalidade, podendo ser inseridos apenas alguns de seus componentes, para obter resultados específicos. Por exemplo em uma grande siderúrgica, onde a implementação integral da “Indústria 4.0” significaria trocar toda a instalação física e o enorme maquinário, o investimento seria estratosférico; porém adotar a informatização do controle da produção e processamento de dados para aperfeiçoar a gestão da mão de obra, dos insumos e da produção é um projeto muito mais viável. Podemos compreender portanto que a “Indústria 4.0” é capaz de conviver harmonicamente com o que há de mais atrasado do ponto de vista da exploração do trabalho. Na indústria de serviços, por exemplo, criou-se um modelo que minimiza a infraestrutura, onde os componentes da “quarta revolução industrial” vem conseguindo se disseminar de forma universal por todo o globo através das empresas de aplicativos, que maximizam seus lucros utilizando a mão de obra ultra precarizada, sem direitos trabalhistas, e onde as ferramentas de trabalho são custeadas pelo próprio trabalhador.

Dentro das distintas combinações possíveis para aplicação da “Indústria 4.0” podemos sintetizar dois objetivos essenciais que possibilitam o aumento da taxa de lucro: 1) desvalorização do trabalho humano, e consequentemente também o custo do capital variável, com diminuição dos salários e direitos, junto com o aumento do ritmo de trabalho e a prática de acúmulo de funções, a chamada “polivalência”, tão cultuada pelos “modernos” RHs das multinacionais; 2) controle integral do processo produtivo e do próprio trabalhador, possibilitando a gestão global e imediata da produção em tempo real.

Vejamos agora detidamente como a “Indústria 4.0” busca alcançar cada um desses objetivos. Para tal, utilizemos um exemplo verídico. No artigo já citado de Geraldo, em que analisa a implantação da “Indústria 4.0” na Mercedes Benz de São Bernardo do Campo, é possível observar o que há de mais avançado da “Indústria 4.0” posto em ação, facilitando assim a análise do que ela é na prática em sua excelência.

Neste artigo o autor apresenta todas tecnologias aplicadas em cada um dos processos. Ao final da implantação se evidencia: 1) a automatização e robotização de todo processo, mas especialmente o processo logístico, alterando o layout da planta e adotando o transporte automatizado dos componentes que são utilizados na produção, reduzindo drasticamente a quantidade de estoque necessário, assim como o número de trabalhadores empregados nestes processos; 2) adoção de dispositivos tecnológicos para auxiliar os operários em processos estratégicos, como a linha de produção.

A otimização total da logística permitiu elevar ao máximo a eficiência do modelo just in time, aumentando o rigor científico do investimento de insumos e elevando assim as margens de capital de giro. Por outro lado, a demissão e a redução do pessoal empregado, aumenta as fileiras do desemprego e eleva a competição entre os trabalhadores, pressionando o rebaixamento dos salários. Mas é na linha de produção, no coração da agregação do valor, que a “Indústria 4.0” revela suas inovações mais brutais.

Chamemos atenção aqui para dois adereços tecnológicos empregados para auxiliar os operários na linha de produção: óculos de realidade aumentada e exoesqueleto. O óculos de realidade aumentada é capaz de dar instruções visuais e sonoras para o trabalhador, identificando os componentes a serem manipulados através de escaneamento de QR code. Ou seja, o aparato tecnológico instrui cada tarefa a ser executada por seu operador, podendo inclusive “treiná-lo” em qualquer função para qual esteja programado. Imagens e sons podem ser captados pelo óculos, e serem acessados em tempo real pelos agentes da gestão fabril, vendo e ouvindo como se estivesse no lugar do operador. Já o exoesqueleto, junto de outras ferramentas inteligentes, permite que determinadas posições ergonômicas sejam ou não adotadas, além de controlar a força que está sendo exercida, assim como o sentido e a velocidade de seus movimentos. Os movimentos dos trabalhadores passam a estar limitados e pré determinados por uma vestimenta de funções programadas.

Este exemplo contém o que há de mais avançado na “Indústria 4.0”, mas os mesmos objetivos podem ser alcançados com outros tipos de abordagens tecnológicas. O importante é que vemos aqui justamente os dois objetivos fundamentais da “Indústria 4.0” citados anteriormente em sua forma mais explícita, 1) desvalorizar o trabalho humano; 2) controle total do trabalho em tempo real. Nenhum desses objetivos são essencialmente novos, na realidade acompanham o capitalismo desde de seu nascimento. Marx analisava já na gênesis do modo de produção capitalista o papel da propriedade privada dos meios de produção e o maquinário industrial removendo o saber fazer e a técnica do antigo artesão feudal, desmembrando o trabalho intelectual e o trabalho manual na divisão social do trabalho, germinando assim o trabalho alienado, tornando o trabalho humano cada vez mais descartável, mecânico, embrutecedor e, enfim, cada vez menos humano. As mesmas tendências vimos também imperar no fordismo e taylorismo. Marx também analisou o papel estratégico do exército industrial de reserva para o rebaixamento salarial e incentivar a competição entre os trabalhadores, assim como o papel dos carrascos da chefia patronal na disputa pelo tempo de trabalho.

A utopia capitalista: transformar trabalhadores em máquinas

O que vemos na “Indústria 4.0” é o capitalismo mais uma vez utilizando a tecnologia produzida pela humanidade para elevar ao máximo sua eficiência na extração da mais valia. Os trabalhadores se veem obrigados a entrar na infinita competição por capacitação técnica e profissional, para assumirem postos de trabalho onde possam ser tratados como peças substituíveis, onde executam ordens ditadas por equipamentos eletrônicos que escondem, por de trás de telas, monitores e celulares, a figura carrasca da chefia e da patronal.

A “Indústria 4.0” impõe ao trabalhador que a ele não cabe mais pensar nem mesmo sobre seus próprios movimentos, sobre os procedimentos que a ele são incumbidos, não cabe a ele definir com que força apertar um parafuso, qual postura é melhor para executar sua função, que trajeto fazer e em quanto tempo. Tudo já está pré definido no maquinário e nas ferramentas de trabalho que pertencem ao capitalista, ou seja, na propriedade privada dos meios de produção, elevando assim para fora da órbita terrestre os níveis da alienação do trabalho. Cada aparato tecnológico está ali para que cumpra mais funções, em menos tempo, que cada segundo de seu esforço se transforme em mais valia. Nem mesmo a intimidade do seu olhar lhe pertence mais, pois a patronal pode ver através de seus olhos. Esse é o segredo do estado alemão escondido por trás da “narrativa positiva” da “Indústria 4.0”, para aumentar suas taxas de lucro e salvar sua burguesia imperialista de mais uma crise do capitalismo, na infinita competição inter burguesa por extração da mais valia.

Este artigo pode estar lhe parecendo a sinopse de um filme de ficção científica se passando em um longínquo futuro distópico. Mas estamos falando de agora, capitalismo século XXI. E a verdade é que este gênero cinematográfico, no qual se apresenta como um pesadelo distópico para a humanidade, robôs substituindo seres humanos em todas as esferas da sociedade, é bastante revelador em expressar em sua semiótica uma sádica utopia capitalista, um desejo de classe instintivo da burguesia, de poder transformar trabalhadores em máquinas, drones autônomos programados a seu bel prazer, a serviço de multiplicar o capital de suas fortunas.

Ao final deste artigo fica evidente o motivo do desespero de Schwab por uma “narrativa positiva” para tentar evitar a rebelião dos trabalhadores contra a “Indústria 4.0”. Mas, segundo os próprios ideólogos burgueses, as utopias são impossíveis de serem alcançadas, pois a realidade é muito mais complexa e imperiosa. E isso é verdade, inclusive para a burguesia, e especialmente no capitalismo. Mas enquanto materialista histórico é preciso dizer, que é a luta de classes que define os rumos da história e também o sentido empregado às tecnologias. Se irão servir para alimentar os lucros milionários de um pequeno punhado de burgueses, se voltará a reduzir cidades inteiras a cinzas nas guerras, ou se estará a serviço da libertação da humanidade, somente os próximos fenômenos da luta de classes poderá dizer. Não existe nenhum aparato tecnológico que não tenha surgido das mãos e mentes da classe trabalhadora, o futuro pertence a nós.

Para se aprofundar neste tema recomendamos o podcast Peão 4.0 nº37: Indústria 4.0: tecnologia da exploração

Também pode te interessar este episódio de Falando em Marx: qual o futuro do trabalho?.

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FOOTNOTES

[1PINTO, Geraldo Augusto. A Indústria 4.0 na cadeia automotiva: a Mercedes Benz em São Bernardo do Campo. In: ANTUNES, Ricardo (org.); Uberização, trabalho digital e Indústria 4.0, 2020.

[2SCHWAB, Klaus; A Quarta Revolução Industrial, 2018.

[3Idem.
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