Juventude

ELEIÇÕES CACH UNICAMP

Qual foi a importância da proporcionalidade no CACH-Unicamp no primeiro ano de Bolsonaro?

Estamos em meio às eleições do CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas), um dos principais centros acadêmicos da Unicamp, que historicamente esteve à frente das lutas contra os ataques das reitorias e dos governos. Desde 2016 o CACH é proporcional, o que significa que todas as chapas que concorrem às eleições são parte da gestão de forma proporcional ao número de votos que receberam. Achamos que essa é uma conquista por um CACH mais democrático e que expresse as distintas concepções de entidades que existem no IFCH. Este ano, nós da faísca e independentes fomos da chapa minoritária “Por Moas e Marielles” e expressamos aqui qual papel achamos que cumprimos mesmo sendo minoritários nessa gestão.

sexta-feira 8 de novembro| Edição do dia

Como se expressou a proporcionalidade no CACH?

Contra todos os ataques de Bolsonaro e Dória, a gestão minoritária do CACH e a faísca exigiram da reitoria a liberação de todos setores da universidade, inclusive os terceirizados, para uma assembleia unificada onde pudéssemos debater como nos organizar. Essa posição foi aprovada em assembleia, mas nem o DCE e nem a majoritária do CACH, compostos por PSOL (Afronte, Juntos), PCB e independentes, colocaram essa posição pública. Veio à assembleia universitária, onde não tivemos direito de nos expressar e deliberar sobre nada. Naquele momento Knobel e a Funcamp já ameaçava 330 trabalhadores terceirizados com demissão, e tinha votado no último CONSU pelos fundos patrimoniais que abrem espaço à privatização, enquanto dizia defender a universidade pública. Não fomos à passeio na assembleia universitária, levamos nossa posição numa faixa, denunciando esse grande ataque e colocando que não era possível defender a universidade assim. Lá, um trabalhador terceirizado ousou denunciar as demissões, os estudantes responderam dizendo: “Nenhuma Família na Rua”. Mas a resposta da Funcamp, com conivência da reitoria que até hoje não se pronunciou, foi a demissão de Sidney. Hoje, seguimos a campanha pela sua readmissão e contra a demissão dos 330 trabalhadores e chamamos todas as entidades, o DCE e a majoritária do CACH a se incorporar na campanha.

No 1 de abril, quando a extrema direita saía dos bueiros para comemorar a ditadura militar, nós organizamos uma visita dos estudantes ingressantes da sociais integral e noturno ao AEL, um dos maiores arquivos de história social da América Latina que fica na Unicamp, é conhecido por poucos e guarda diversos acervos que contam as histórias dos oprimidos e explorados pela ditadura militar brasileira. Pela primeira vez o AEL abriu a noite, e estudantes trabalhadores do noturno tiveram contato com seu acervo. Para o próximo ano, defendemos que nossa Calourada deve ser integrada ao AEL e queremos impulsionar um grupo que organize o acervo do movimento estudantil da Unicamp para retomar nossa história de luta e resistência.


Quando Evaldo Rosa foi assassinado com 80 tiros em seu carro, e a menina Ágatha Felix foi assassinada com um tiro nas costas, nos somamos a todos os que repudiam à violência do Estado aos negros e negras, que se aprofunda diante de Bolsonaro. No IFCH fizemos intervenções para debater esse conteúdo com os estudantes. Vidas negras importam!

Quando vieram os primeiros ataques à educação, Bolsonaro direcionou sua artilharia à sociologia e filosofia. Junto ao andamento da reforma da previdência queria atacar os setores mais críticos da sociedade, como são os estudantes das ciências humanas e cortar nossas pesquisas. Mas logo, no IFCH os estudantes se mostraram dispostos a responder, e nós estivemos junto a eles fazendo um chamado à que a gestão majoritária organizasse uma assembleia para que pudéssemos debater e nos organizar contra esse ataque. Para o CACH 2020 defendemos que os estudantes possam ter Encontros Temáticos sobre as pesquisas, para que possam ser compartilhadas coletivamente no instituto.

No IFCH, o movimento estudantil vem sendo reprimido por uma liminar da justiça que proibia as festas e atividades culturais. A reitoria se apoiou nessa liminar para controlar e reprimir nossos espaços. Começamos o ano pautando essa questão e no primeiro semestre fizemos uma feijoada com samba e propomos nas assembleias a retomada das festas. Em 2020, queremos multiplicar essas iniciativas, com festas, saraus, debates e um CineCACH.

No segundo semestre iniciamos com o ataque do Future-se que quer uma universidade-empresa. Debatemos com os estudantes de que precisávamos ocupar nossos espaços e reagir à liminar do judiciário e ao controle da reitoria contra as festas, fizemos uma carta ao CACH e DCE para retomar as festas e a vivência pelo campus, à serviço de também servir à organização dos estudantes e ser contra a universidade-empresa do Future-se que quer que sejamos robôs para produzir conhecimento para as empresas. Mas não tivemos nenhuma resposta.

Junto a estudantes independentes fizemos a primeira festa do ano, foram mais de 2 mil pessoas que vieram ao IFCH se divertir, retomar o espaço que é dos estudantes, e cantar contra Bolsonaro que "O IFCH voltou". A arrecadação dessa festa foi usada para revitalizar a estrutura física do CACH, que hoje defendemos que deve ter seguir sua revitalização à serviço de fortalecer a organização do movimento estudantil.

Junto aos estudantes ingressantes em março percorremos a Unicamp perguntando: Quem mandou matar Marielle Franco? E debatendo com cada um a necessidade de lutar por uma investigação independente para chegar nos mandantes desse crime, uma questão que se reforça ainda mais agora, quando mais do que nunca, se escancara que o Estado brasileiro tem o sangue de Marielle nas mãos. Marielle é a ferida aberta do golpe institucional e por ela seguiremos atuando no CACH exigindo justiça!

Estivemos nas primeiras mobilizações dos professores da rede pública do ano quando os professores paralisaram contra a reforma da previdência. Lá, colocamos a necessidade das entidades estudantis, como a UNE e nosso DCE, se unificarem com essa luta. Hoje no CACH defendemos como proposta o "CACH vai às escolas" para que os estudantes do IFCH possam ir às escolas debater com os estudantes e professores sobre projetos e suas pesquisas e para nos unificar com os professores que são atacados por Dória e Bolsonaro.

Em maio veio a força do movimento estudantil repudiando os cortes nas pesquisas e nas universidades federais. Na Unicamp paralisamos diversos cursos e fomos milhares nas ruas de Campinas. Nós, atuamos nesse movimento debatendo a necessidade de unificar nossa luta com os trabalhadores e de que nossa pauta era contra os ataques à educação e a reforma da previdência, questão que a majoritária da UNE, composta por PT e PCdoB vieram negociando com Rodrigo Maia. Depois do dia 15, nós exigimos uma coordenação nacional das lutas e que a greve geral do dia 14 de junho se unificasse com os estudantes no dia 30. Mas a estratégia que primou foi a da separação dos dias, separando assim a juventude e os trabalhadores e favorecendo as negociações do PT e PcdoB no Congresso. Negociaram nosso futuro e hoje vemos como essa estratégia serviu para desmoralizar os estudantes. Por isso, sempre debatemos que a tarefa do CACH e do nosso DCE era desmascarar o papel que cumpria essas burocracias da UNE e centrais que travam nossa organização.

As entidades começaram o primeiro ano de governo Bolsonaro na Unicamp com uma tarefa: organizar os estudantes que já vinham rechaçando esse governo desde outubro para enfrentar todos ataques que ele ameaçava. Por isso, nós da chapa minoritária fizemos uma proposta à majoritária do CACH e ao DCE, compostos pelo PSOL e PCB, na Calourada: preparar um Congresso dos Estudantes para refundar o movimento estudantil contra Bolsonaro e Dória. Fizemos cartazes, textos, fomos ao CRU (Conselho de representantes de Unidade) com essa proposta e abrimos uma importante discussão com os estudantes sobre sua necessidade, mas infelizmente foi negada pela majoritária e DCE. Este Congresso só foi acontecer em outubro, do qual fazemos o balanço de que não serviu como uma ferramenta de organização dos estudantes.

Todas essas medidas só foram possíveis por dentro do CACH por conta da proporcionalidade, que permite que as diferentes concepções se expressem como foi esse ano em relação às chapas que estavam na entidade. Para dar continuidade à essas ideias, que se baseiam na auto-organização dos estudantes, na aliança com os trabalhadores, para que as entidades rompam sua rotina do dia a dia para organizar nossa luta independente da reitoria contra Bolsonaro e Dória que hoje disputamos o CACH com a chapa “Por todas as Àgathas”, e no DCE a chapa “Pra poder contra-atacar” que defendem a proporcionalidade também no DCE e chamamos você a debater e votar em nós nos dias 12,13 e 14 de novembro.




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