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LAVA JATO MADE IN USA

Pressionado, Dallagnol vai aos EUA procurar apoio da Exxon, de bilionários, racistas e Trump

Dallagnol foi buscar apoio em sua base mais dura. Fundação ianque que homenageia britânico que ajudou o sul-escravocrata e é financiada pela Exxon, pelos irmãos Koch e a atual ministra da educação de Trump.

domingo 23 de junho| Edição do dia

Foto: Fernando Frazão

Todo político quando se sente ameaçado procura apoio em sua base mais dura. É exatamente isso que o procurador Dallagnol fez. Foi ao Michigan dar palestra e receber apoio de fundação financiada por ministra da educação de Trump, por bilionários denunciados por golpismo no mundo todo e pela petroleira Exxon, parte interessada na operação brasileira. A fundação que honrou o senhor powerpoint é nomeada em homenagem a político britânico que foi violento inimigo de Lincoln e defensor da “liberdade” do sul escravocrata.

Supostamente Dallagnol não seria um político. Seria um religioso e devoto procurador zeloso pelo bem público e nada mais. O Sr.Powerpoint no entanto comporta-se como um e todas as mensagens vazadas comprovam o que já se sabia, sua atuação foi golpista e politicamente dirigida para garantir que os rumos do país agradacem sua base de apoio mais dura: bilionários e racistas ianques.

Sua visita ao templo do reacionarismo da Acton University do Acton Institute deixa claro quais são suas conexões e pontos de apoio. Trata-se de uma casa de interesses petrolíferos, mantida pela família DeVos que tem uma ministra no governo Trump acusada de racismo em diversos casos e que homenageia um “defensor da liberdade”, Lord Acton, político britânico que foi ativo defensor do sul escravocrata americano. Eis os pontos de apoio de Dallagnol.

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Casa da nata do reacionarismo mundial, o instituto Acton em Michigan é uma meca de bilionários golpistas, financiada pelas família Koch e DeVos -> segundo a revista de negócios americana Forbes.

Os Koch além de promoverem uma rede de think tanks golpistas em todo o mundo (com casos denunciados em cada país) tem claros interesses no Brasil particularmente em uma de suas áreas de concentração, energia e petróleo. A família DeVos por sua vez tem seus maiores investimentos no setor ferroviário mas agora ventura-se por uma área de especial dileção do bolsonarismo, a educação. A atual ministra da educação de Trump é dessa família e tenta promover a privatização das escolas públicas nos EUA.

O instituto que eles financiam tem como missão declarada promover “liberdade econômica” e “liberdade religiosa”. O instituto é financiado também por outra gigante petroleira, a ExxonMobile, parte interessada na privatização do petróleo brasileiro.

O instituto Acton é nomeado em homenagem ao político britânico Lord Acton que foi parlamentar e editor de jornais ultra-conservadores, ligados ao movimento católico “Ultramontano” ao mesmo tempo que advogava pelo livre comércio, uma combinação típica de bilionários conservadores e neoliberais. Lord Acton, em seu tempo levava essa posição às últimas consequências: era defensor da “liberdade” e ao mesmo tempo da “confederação sulista”, ou seja da escravidão nos EUA em meio à Guerra de Secessão.

Acton atuou para tentar convencer o primeiro-ministro Gladstone para apoiar o sul-escravocrata. Esse apoio ao sul-escravocrata e sua suposta “defesa da liberdade” continuou mesmo depois da derrota sulista. Em 1866 dirigiu uma carta ao general Lee já depois da derrota escravocrata, ele deixava clara toda sua simpatia e dor pela derrota sofrida pela “causa”. Acton compara a dor dessa derrota do reacionarismo como maior do que a vitória obtida contra Napoleão em Waterloo: “portanto eu considerei que você estava lutando as batalhas de nossa liberdade, de nosso progresso, de nossa civilização; e eu lamento mais profundamente pelo que foi perdido em Richmond do que eu celebro o que foi salvo em Waterloo.”

Na palestra citada Dallagnol repete platitudes sobre a Lava Jato. Quando confrontado com as acusações oriundas dos vazamentos ele diz estar “calmo”, mas um extenso gaguejar, troca de frases onde afirma que houve “vazamentos de conversas” para depois dizer “vazamento de supostas conversas” indicam o contrário de calma. A própria ida a esse templo de reacionarismo para procurar apoio mostra sua falta de calma.

Na conversa com seus pares ianques ele confirma que frequentemente tratava com o juiz em separado, e ainda admite que isso seria “normal” no Brasil, diferente dos EUA segundo o paranaense.

Os vazamentos recentes comprovam como Dallagnol, Moro e a operação Lava Jato foi explicita e completamente dirigida a promover interesses políticos golpistas, para promover governos golpistas que levassem à cabo ataques aos direitos trabalhistas e sociais maiores do que o PT podia realizar e para trocar um esquema de corrupção por outros com a cara da direita e mais ligados aos interesses americanos, com os quais o procurador paranaense foi buscar conselho e apoio. Os vazamentos a conta-gotas são contrários ao interesse político dos trabalhadores brasileiros que precisam ter livre e total acesso a todos crimes e trama golpista, sem poupar nenhum ator do regime político, dos militares, das instituições e ver as ligações cada vez mais explicitas e comprovadas com interesses americanos.

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