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Presidente do México anuncia plano DN-III com destacamento de militares frente a pandemia

Em conferencia realizada nesta quinta (19), o governo mexicano mostrou que busca aproveitar a crise do coronavírus para fortalecer o exército e a militarização.

quinta-feira 19 de março| Edição do dia

Publicamos em português artigo originalmente em espanhol, escrito no La Izquierda Diario México, que faz parte da mesma rede internacional de diários digitais que o Esquerda Diário.

O subsecretário López-Gatell admitiu que a primeira morte ocorreu devido à covid-19, mas, diante do avanço do contágio, mantêm medidas mornas contra a pandemia, como minimizar os riscos de contágio em shows - o que seria o caso da pessoa falecida - , enquanto rejeita a aplicação de testes massivos e desencoraja o uso de máscaras.

Quanto à possibilidade de quarentena, López Obrador declarou que, se necessário, chamará o povo a respeitá-la, isso no marco de que, segundo previsões científicas, a pandemia provavelmente avançará exponencialmente entre 20 e 30 de março.

Por sua vez, López Obrador afirmou: "As compras estão sendo feitas a um bom preço, não vamos permitir a corrupção e o mais importante é que estamos preparados medicamente, temos um plano de assistência para os doentes. Os espaços têm camas suficientes, os medicamentos necessários e estamos preparando um plano DN-III para este propósito. Contaremos, como sempre, com o apoio do exército da Marinha, com todo seu pessoas e suas instalações. O Governo inteiro está preparado, por isso estamos fazendo as coisas”.

Plano DN-III e a militarização

O plano DN-III-E (Plano de Auxílio à População Civil em Casos de Desastre) estabelece as diretrizes para operações conjuntas entre o Exército e a Força Aérea mexicana para “auxiliar” a população civil em caso de desastres naturais ou situações de emergência e risco. Nos casos de desastre de grande magnitude, se destaca a Força de Apoio para Casos de Desastre.

Na fase de auxílio do Plano DN-III-E, as prioridades demonstram os interesses do governo. As forças armadas devem resguardas a população e a planta produtiva das patronais, e cooperar com as forças públicas para preservar a atividade econômica.

Subordinado a isso se encontra a busca, salvamento e resgate, a assistência medica e a ajuda humanitária.

No caso de ser aplicada frente a crise do COVID-19, procurará reforçar a interferência das forças repressivas nas ruas, aprofundando assim a continuidade da militarização com a Guarda Nacional da AMLO (Andrés Manuel López Obrador)- composta principalmente por militares, juntamente com marinheiros e policiais - cuja principal função até agora tem sido prender e assediar migrantes que cruzam o México para chegar aos Estados Unidos.

Guarda nacional e aeroporto de Santa Lucía

O presidente López Obrador anunciou também que a Guarda Nacional ficará encarregada de distribuir apoio a idosos em áreas rurais onde não existem agências bancárias.

Tanto o plano DN-III quanto o destacamento da Guarda Nacional para distribuir "ajuda" são medidas claramente destinadas a fortalecer as forças repressivas do Estado como executoras de "tarefas humanitárias", uma medida preventiva contra a possibilidade de expressões de descontentamento frente a como lidam com esta crise da saúde, embora hoje em seu discurso ele tenha se manifestado contra o autoritarismo.

Por sua vez, López Obrador novamente demonstrou seu servilismo ao governo Trump, agradecendo-lhe por não fechar a fronteira -pelo transporte de mercadorias- mas sem dizer que o imperialismo americano está se preparando para deportar migrantes em meio à pandemia , também negando assistência médica.

Em um parágrafo separado, uma parte importante da conferência foi dedicada à explicação sobre o avanço do aeroporto de Santa Lucía, um gesto político diante da crise econômica que atinge o mundo, e especialmente o México, no contexto da crescente desvalorização do peso em relação ao dólar e do colapso do preço do petróleo.

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