Mundo Operário

Movimento Nossa Classe na Conlutas

Por uma jornada nacional de lutas em apoio a luta dos petroleiros e por um plano de emergência contra a pandemia

Veja as proposta de resolução apresentadas pela delegação do MRT e do Movimento Nossa Classe, na Coordenação Nacional da Conlutas realizadas nos dias 5 e 6 de março de 2021.

Grazieli Rodrigues

Professora da rede municipal de São Paulo

sábado 6 de março| Edição do dia

A crise política que se abriu a partir da intervenção de Bolsonaro na Petrobrás, a escalada nas disputas entre militares e o STF com a prisão de Daniel Silveira e as declarações do general Villas Boas ao redor da pressão dos militares ao STF para manter Lula preso e inelegível em 2018, expõe tanto as fragilidades e divisões entre os golpistas, como coloca na boca do povo a questão da política de preços do petróleo e seus derivados. A divisão dos de cima abre a oportunidade dos trabalhadores fazerem da luta contra a privatização da Petrobrás um estopim para uma luta unificada contra todos os ataques, inclusive a imposição do retorno inseguro às aulas que já levou os trabalhadores da educação de São Paulo à greve e cujo exemplo - de irracionalidade do PSDB - tende a se nacionalizar através dos governos estaduais e municipais por todo país. Somente essa luta unificada de toda a classe, apoiada nas lutas em curso, pode barrar a catástrofe sanitária que Bolsonaro, os militares, o STF, os governadores e o Congresso estão preparando.

O debate corrente sobre a política de preços da Petrobrás, que caminha lado a lado com a privatização, ganhou dimensão popular com as frequentes discussões em torno da pressão do imperialismo internacional em parear os preços do petróleo nacional aos valores mundiais. Fica cada vez mais evidente os interesses de rapina de empresas imperialistas mundiais em garantir que, ao comprarem os ativos da Petrobrás, lucrarão exorbitantemente com os preços internacionais e o alinhamento do governo federal e das instituições do regime na defesa dos interesses imperialistas no país. Enquanto entregam nossas riquezas naturais, avançam com ataques e mais privatizações, alegando falta de verbas para o auxílio emergencial e um combate efetivo à pandemia.

Bolsonaro faz um jogo cínico buscando confundir os brasileiros ao se colocar contra a política de preços da empresa, ao retirar Castello Branco da presidência da companhia ou mesmo quando defende zerar os impostos sobre combustíveis, medida que diversos especialistas têm apontado como ineficiente já que seria uma questão de tempo para que os preços voltassem aos patamares atuais. Por um lado, para garantir que a privatização da maior empresa nacional não corroa sua popularidade precisa se mostrar contrário a política de preços que recai no bolso dos trabalhadores, enquanto por outro lado, precisa se manter fiel aos seus amos imperialistas, acionistas e empresários e para isso não pode tocar em nenhum fio da política de privatização e preços que é o que garante os altos ganhos dos setores privatizadores.

O PT, com sua estratégia desmobilizadora, vem semeando ilusões de que o general indicado por Bolsonaro poderia se colocar contrário a alta dos preços dos combustíveis e parar o processo de privatização, ao mesmo tempo que deixa a luta dos petroleiros isolada. Enquanto fazem de tudo para desmobilizar os trabalhadores, saúdam golpistas e suas instituições, justamente para se mostrarem setores responsáveis capazes de administrar o Brasil do golpe, mirando 2022. Nos estados onde governam aplicam a mesma política dos governadores neoliberais, com toque de recolher e repressão sobre a população, medidas insuficientes para combater a pandemia e evitar mais mortes desnecessárias.

Por uma jornada de lutas nacional e unificada em apoio a greve dos petroleiros e das educadoras de São Paulo, além de um plano emergencial de combate a pandemia imposto pelos trabalhadores em luta

As divisões no governo e no regime colocam aos trabalhadores a oportunidade de golpear os planos privatizadores e a irracionalidade com que gerem à pandemia, sendo um grande exemplo a intenção de manterem escolas abertas mesmo na fase vermelha, como acontece nesse momento em São Paulo. Ao mesmo tempo, pela relevância que tomou o tema dos combustíveis, e tende a se nacionalizar o debate da volta às aulas, mas também da vacinação que sabemos que é insuficiente a população e temas candentes como auxílio, esse momento específico que vivemos abre uma possibilidade enorme de diálogo dos trabalhadores com a população.

Por isso nós do Movimento Nossa Classe e do MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) achamos que a CSP Conlutas deve aproveitar essa brecha nas alturas para começar a organizar por baixo uma verdadeira jornada de lutas unificada que trate da defesa da Petrobrás 100% estatal, exigindo a reversão de todos os ativos privatizados até agora; e unificando essa pauta com a necessária solidariedade às educadoras em greve no município e estado de São Paulo contra a irracionalidade do PSDB; e pela necessidade imperiosa de um plano emergencial de combate a pandemia que inclua exigência de contratação imediata de profissionais de saúde para suprir o déficit de mão de obra nos hospitais, a quebra das patentes das vacinas pois os lucros não podem valer mais que as vidas e por condições dignas de quarentena com um auxílio emergencial universal que garanta o salário mínimo do Dieese para todos.

Essas bandeiras, sensíveis ao conjunto da classe trabalhadora e do setores pobres e oprimidos da sociedade é capaz de colocar na cena nacional uma terceira voz, de independência de classe que possa dar uma alternativa frente às alas burguesas que disputam entre si em relação às saídas para a crise atual mas que estão unificadas em torno de atacar os direitos e as condições de vida do povo pobre e trabalhador.

Um plano desse seria capaz de, aproveitando as fissuras entre Governadores e governo Federal, STF e Militares, colocar a classe trabalhadora como a única capaz de dar uma saída que supere os interesses e planos das alas burguesas em disputa perante a população.

Para isso é preciso que a FNP, dirigida por setores da Conlutas seja parte desse processo de organização e e se coloque na linha de frente da mobilização nacional, começando a convocar assembleias em todas as suas bases. Tarefa que passa necessariamente por denunciar o papel traidor do PT por via da FUP em desmobilizar as bases para dar melhores condições deste partido se cacifar perante os golpistas e capitalistas e exigir da CUT medidas efetivas de mobilização e uma jornada nacional de luta – com todas as medidas de segurança sanitária.

Assim como é urgente a construção da mais ampla solidariedade à greve das educadoras de São Paulo, cujos limites são também as mesmas direções vacilantes que controlam o processo de luta extremamente importante instalado na categoria petroleira. Somente nossa unidade, partindo de uma jornada nacional de lutas, pode dar a visibilidade necessária à esses processos hoje bastante isolados pela CUT e CTB, que disputam por sua vez seu espaço no regime do golpe, enquanto aguardam 2022 e a ilusória saída eleitoral para a crise política e econômica que vivemos, cujas respostas só podem emergir das mãos de nossa classe, com as mulheres e o conjunto dos setores oprimidos a frente.

À luz do 8M, a Coordenação Nacional da Conlutas aprovou também por proposição da nossa delegação uma importante moção pelo direito democrático do Pão e Rosas falar no ato nacional desse 8M, leia mais aqui.

E assista também as intervenções realizadas por Thiago, trabalhador bancário; e Filipe, operador de trem do Metrô de São Paulo, na defesa do conteúdo apresentado nessa matéria.




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