Educação

DECLARAÇÃO

Por um CPERS classista e combativo pela base para barrar os ataques de Temer e Sartori

Contribuição do movimento Nossa Classe e independentes para o debate com a oposição sobre as eleições do CPERS.

sexta-feira 14 de abril de 2017| Edição do dia

Ataques de todos os lados e muita disposição de luta

Há quem pense que a categoria de trabalhadores em educação não quer lutar num momento em que sofre os maiores ataques de todos os tempos. Esse vem sendo o discurso da direção do CPERS há tempos para justificar a sua própria política de derrota. No Brasil e no Rio Grande do Sul os trabalhadores da educação e o conjunto da população trabalhadora e pobre vêm sendo brutalmente atacados pelos governos. A nível federal estamos vendo as reformas de Temer sendo aplicadas para fazer os trabalhadores e a juventude pagarem pela crise capitalista. A reforma da previdência, trabalhista, do ensino médio, a PEC 55 e tantos outros ataques servem para isso.

Aqui no estado estamos no marco dos maiores ataques já sofridos pela categoria, que somam salários congelados desde 2015, parcelamentos de salários e décimo terceiro, ameaça de fim da obrigatoriedade de pagamento em dia dos salários e do 13º, extinção da licença-prêmio, extinção da remuneração de servidores em exercício de representação sindical, fim dos adicionais por tempo de serviço, além do pacotão das privatizações e demissões. Ou seja, motivos para os professores lutarem não falta.

O dia 15 de Março mostrou isso, onde professores de distintos estados se somaram na paralisação nacional junto a diversas outras categorias em luta, como rodoviários, metroviários, metalúrigicos, etc. Agora o próximo dia de paralisação nacional que temos que construir com força está marcado para dia 28 de Abril. Mas mesmo antes de a situação piorar, antes da consumação do golpe institucional, motivos também não faltavam. A enorme greve da nossa categoria em 2015 mostrou isso.

Greve de 2015: divisor de águas

Entretanto à época assistimos um show de horrores com a atual direção do CPERS. Show esse que deixou bem claro que os objetivos desses dirigentes não são os mesmos das bases. Enquanto a base da categoria mostrava cada vez mais disposição de luta, em uma greve histórica com ampla adesão, a luta desses dirigentes burocratas se limitou a defender a CUT e o PT, numa linha de desgaste de Sartori na esperança de que a base dê uma resposta nas urnas contra o PMDB e sua base aliada. Tudo isso para, em última instância, eleger alguém do PT nas próximas eleições e não derrotar os ataques de fato. Essa foi a política conciliadora e traidora da direção do sindicato.

O mesmo ocorre a nível nacional, onde os objetivos da CUT e CTB não é derrotar Temer e suas reformas de fato, mas sim desgastá-lo a fim de eleger Lula em 2018 sem opor nenhum perigo real aos grandes empresários do país.

Dessa forma, ignoraram a vida de milhares de professores que sofreram com seus salários parcelados, suas contas no vermelho, e em casos mais extremos até a fome e a humilhação de não ter dinheiro para o transporte para ir trabalhar. Se a atual direção fosse combativa, tinha feito daquele acúmulo de forças de 2015 a maior greve de todos os tempos, o que poderia ter colocado um freio em Sartori e nos deputados que estão determinados a fazer os servidores públicos pagarem a conta da crise. Mas não, golpearam a categoria com um discurso de paralisação de três dias para manter a unidade com a polícia e manobraram a famosa assembleia na Pepsi On Stage, em 11 de setembro de 2015, a fim de manter seu projeto eleitoreiro.

Agora também não estão construindo de fato o dia 28 de Abril na base, com os professores, tendo medidas de ação. Os mesmos problemas vimos ao longo do ano passado durante a greve e agora nesta última, onde a direção do sindicato não a preparou, tampouco promoveu ações efetivas para construí-la. Parte dessa política irresponsável da direção vem sendo também a omissão com relação às sucessivas perseguições políticas e assédios morais sofridos pela categoria.

Uma parte importante desse balanço da greve de 2015 gira em torno também das possibilidades que os núcleos 38º e 39º tiveram após a traição da direção central. No momento, por se tratar de dois dos maiores núcleos da categoria e dirigidos pela oposição, o silêncio e a ausência de medidas efetivas que pudessem dar continuidade à greve à revelia da decisão burocrática da direção na assembleia permitiu a direção enterrar de vez o movimento. A política correta no momento, não levada a frente por nenhuma das direções desses dois núcleos, teria sido chamar os trabalhadores a continuar a greve, passando por cima da traição. Mas eles nada fizeram. Perdeu-se a oportunidade de dar um combate decisivo e conseguir trazer consigo os demais núcleos e trabalhadores que estavam na luta.

É assim que a burocracia sindical do PT e PC do B atuam e muitas vezes setores da oposição acabam reproduzindo práticas e políticas semelhantes. O discurso da direção, que se mantém até hoje e é até compartilhado por parte da oposição, é o de que “não existe crise do estado”, que se trata de um problema de “vontade política do governador”. Acontece que a crise existe, nossos familiares sentem na pele quando vão ao mercado e veem seus colegas sendo demitidos. E não é trocando um governador do PMDB por outro governador do PT que vamos resolvê-la. Apenas confiando nas nossas próprias forças, dos educadores em união com outras categorias e a juventude, é que vamos conseguir resistir aos ataques e ao plano de demissões e privatizações, derrubar Sartori, avançar para não pagar a dívida do estado (que consome boa parte do orçamento público e serve apenas para enriquecer banqueiros) e impor que não sejamos nós quem vai pagar por essa crise.

Construir o dia 28 de Abril!

Parte dessa luta deve girar em torno da criação de comandos desde as bases e comitês nas escolas com delegados eleitos, que possam realizar debates e assembleias por escolas, em função da construção da paralisação nacional do dia 28 de Abril. É de responsabilidade da atual direção do CPERS o chamado amplo aos professores para uma forte paralisação, através de assembleias de base e ações efetivas. Apenas construindo esse dia pela base, de maneira democrática, vamos impor uma paralisação real a Sartori, Temer e ao conjunto dos golpistas.

Agora vivemos em tempos de eleição no sindicato. Este é o momento de refletir bem os rumos que queremos para um dos maiores sindicatos da América Latina e é com esse conteúdo que queremos debater com o conjunto da categoria uma política diferente para o nosso sindicato. Enquanto a CUT e a CTB continuarem na direção do sindicato, a categoria vai encontrar freios importantes para o fortalecimento de sua luta.

É indispensável uma unidade de esquerda que supere a atual direção do CPERS. Porém não para eleger outras espécies de burocratas. É preciso mais do que nunca uma direção classista e combativa, que traga a base para a luta e aponte para a construção de um forte movimento de resistência aos ataques. É necessário um plano de lutas real em cada escola a fim de construir a paralisação do dia 28 de Abril e a continuidade da luta contra os ataques dos governos. Essa é uma das tarefas principais que uma unidade da oposição deve levar a frente!

Qual unidade?

Defendemos uma concepção de unidade pautada em torno desses acordos, combinada à liberdade de tendências dentro da chapa, onde distintas posições possam se expressar e serem testadas na prática. Em São Paulo recentemente tivemos uma experiência onde a oposição se unificou para combater a direção burocrática do PT.

Ao mesmos tempo, para o sindicato, uma das maneiras de democratizar sua gestão é através da proporcionalidade dentro da gestão, permitindo que todos que participaram das eleições possam ter representação proporcional dxentro da direção do sindicato, permitindo inclusive que setores independentes possam participar do processo de maneira democrática, avessa à atual maneira burocrática que vemos. Defendemos também a rotatividade dos representantes sindicais de forma a combater a burocratização do sindicato. Não é possível que diretores sindicais se mantenham durante tantos anos liberados, recebendo privilégios e se distanciando das bases da categoria.

Para além do combate ao parcelamento de salários e ao conjunto dos ataques de Sartori, defendemos também a efetivação de todos os contratados e terceirizados. Durante os momentos de mobilização e greve, o comando que se conforma deve ser democraticamente eleito nas bases, diferente da forma como se configura hoje, com delegados eleitos nas assembleias de núcleo. Hoje, com o comando composto majoritariamente pela direção central e apenas com representantes das correntes políticas, impede com que a base e professores independentes possam ter a sua voz expressa neste que deve ser o órgão mais representativo e democrático para tocar a luta.

Diante do exposto é imprescindível que o CPERS, com todo o seu peso, torne-se um sindicato classista, combativo e de luta e que esteja com uma direção à altura de organizar os trabalhadores em educação para os grandes embates das lutas de classes atuais. A contribuição do movimento Nossa Classe e independentes vai de encontro a isso, pois acreditamos na importância de uma unidade entre a oposição de esquerda e independentes para construir novamente essa grande ferramenta de luta e derrotar a burocracia sindical para colocar o CPERS nos trilhos de um sindicato classista e combativo.




Tópicos relacionados

Sartori   /    Greve Professores RS   /    Governo Temer   /    Michel Temer   /    Porto Alegre   /    Caxias do Sul   /    Crise gaúcha   /    Educação   /    Professores

Comentários

Comentar