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Eleições 2022 | Por que as candidaturas de policiais vão na contramão da independência de classe do Polo Socialista Revolucionário?

No sábado, dia 14 de maio, foi lançado o Capitão Vinicius Souza no Espírito Santo como pré-candidato a governador. Ele é militante do grupo Revolução Brasileira do PSOL, e saiu como candidato do Polo Socialista Revolucionário, por filiação democrática no PSTU. Nós do MRT queremos destacar novamente nossa posição sobre como a esquerda e o Polo devem lidar com a questão da polícia e porque somos contrários a candidaturas policiais como posicionamento geral.

Carolina CacauProfessora da rede estadual em Nova Iguaçu-RJ e dirigente do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista e MRT

quinta-feira 19 de maio | Edição do dia

Recentemente publicamos um artigo onde expressamos debates que abrimos no Polo Socialista Revolucionário (PSR), que nós do MRT construímos junto a outras organizações, sobre o conteúdo das campanhas eleitorais esse ano, bem como sobre a forma de lidar com as divergências que existem entre os componentes do PSR. Este debate está em aberto ainda e é neste marco que se deu o lançamento da candidatura deste policial que tem como trajetória ter sido candidato pela Rede e pelo Patriotas, dois partidos burgueses, nos últimos anos.

O PSR tem o desafio de se apresentar como alternativa de independência de classe no combate contra a extrema direita, o bolsonarismo e os ataques neoliberais, expressando como esse combate tem que se dar de forma independente de setores diretamente burgueses como o nacional-desenvolvimentista Ciro Gomes (PDT) e da conciliação de classes petista, que se apresenta com Geraldo Alckmin como vice de Lula, junto a uma série de políticos e partidos que alentaram o golpe institucional de 2016 e as contrareformas. Para cumprir este papel como PSR, o conteúdo das candidaturas e o seu caráter de classe deveriam ser consequentes com uma política de conteúdo classista e defesa dos setores mais explorados e oprimidos, dentro da qual é elementar, por exemplo, a denúncia da repressão policial do Estado.

Nesse sentido, apesar de que sabemos que há divergência no PSR em relação a como lidar com a questão da polícia e as candidaturas policiais, na carta que apresentamos ao PSR “frisamos que devemos ter uma base comum de que qualquer candidatura tem que fazer a denúncia da violência policial racista. E neste ponto também é o caso das candidaturas do Polo que têm mais visibilidade (executivas) terem o cuidado de expressar que sobre a polícia há diferentes opiniões no PSR.”

A candidatura do Capitão Vinicius Souza sequer isso expressa. Já apontamos esses pontos no artigo sobre o Manifesto de lançamento da candidatura do Capitão, que tinha o problema importante de sequer denunciar a violência policial, e isso se expressou novamente no lançamento da candidatura.

(Fizemos uma nota de esclarecimento sobre uma afirmação que fazíamos neste artigo)

No artigo pontuamos o que para nós deveria ser um ponto de partida que consideramos muito importante que seja básico em qualquer candidatura do Polo, questões que consideramos que todos os componentes do PSR têm acordo: “É necessário enfrentar a polícia e o judiciário racistas. Basta de assassinatos policiais e seus criminosos ’autos de resistência’ ou ’excludentes de ilicitude’, verdadeiras licença para o extermínio de negros e pobres. É urgente batalhar pelo fim das operações policiais e da militarização das favelas e bairros populares. Contra a repressão policial a qualquer luta dos trabalhadores. Pelo desmantelamento completo de todo o aparato repressivo contra o povo e a revogação das leis repressivas.” Ainda que a constatação de que na pré-candidatura do Capitão da PM não se expresse esse tipo de posição não é uma surpresa, pois isso é parte constitutiva da contradição de um policial ser candidato, isso só reforça que se configura um problema político importante para o PSR.

Além disso, a intervenção de Filipe Skiter novamente confunde o papel das Forças Armadas com o papel das polícias na tradição marxista, como se fossem a mesma coisa para os revolucionários, o que já foi tema de vários debates que fizemos com o PSTU. Não concordamos com o que ele diz de que ajuda no diálogo com a população “capturada por um militarismo” fazer esse “diálogo” com um militar. Ao contrário, a esquerda deveria combater a militarização da política e não copiar a direita neste aspecto. A estratégia para autodefesa da população não passa por buscar “policiais de esquerda” mas por construir a mais sólida independência política da classe trabalhadora, na luta de classes, com consciência do papel nefasto da polícia. Só a partir dessa consciência que pode a classe avançar para sua autodefesa, que deve ser construída somente com a confiança em suas próprias forças.

Nós sabemos que dentro do PSR há diferenças programáticas sobre a questão da polícia, que é importante aprofundar entre nós. Alguns consideram necessário levantar um programa de democratização da polícia, como o que o Capitão da PM expressou no lançamento de sua candidatura que é similar ao programa do PSTU, que nós do MRT consideramos um programa utópico e reacionário (como polemizamos aqui).

Para nós, isso se liga também a que “temos uma posição contrária às candidaturas policiais, como também já expressamos em outros momentos, como em relação ao ex-Comandante Geral da PM do RJ, Coronel Ibis Pereira, que foi candidato pelo PSOL. Não consideramos que a polícia é parte da classe trabalhadora, e não apoiamos seus motins.”

Neste sentido consideramos importante a discussão geral sobre os eixos das candidaturas do Polo Socialista Revolucionário e nos posicionamos publicamente contrários à candidatura do Capitão Vinicius no Espírito Santo.




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