Educação

13/03

Por que a educação ficou ausente das manifestações do último dia 13?

Mauro Sala

Campinas

segunda-feira 14 de março de 2016| Edição do dia

As manifestações desse domingo foram marcadas por uma grande ausência: as pautas por direitos sociais. Nenhuma das grandes questões que afligem cotidianamente a população trabalhadora teve espaço nessas manifestações. Não se via, entre os muitos cartazes e faixas de “fora Dilma”, “Lula na cadeia”, “Fora PT”, nenhuma brecha para se tocar em temas como educação, saúde, trabalho ou transporte.

Diferentemente das grandes manifestações de junho de 2013, quando todas essas demandas foram levantadas, marcando elementos progressistas em disputa, nas manifestações do último domingo parecia haver um bloqueio direto de tais elementos. Podemos lembrar de uma outra manifestação promovida por esses mesmos grupos, quando um jovem da periferia paulistana foi hostilizado e expulso por levantar a questão da chacina que tinha ocorrida dias antes na cidade de Osasco, que teve participação direta de policiais militares e da guarda municipal da cidade. Não há espaço ali para esse tipo de manifestação.

Pode-se alegar que se tratava de uma manifestação onde o grande mote era o impeachment da presidenta, e que, por isso, a centralidade do ato era de manifestação direta pelo seu afastamento, secundarizando outras demandas. Isso poderia ser verdade se fosse de fato uma secundarização, e não uma completa ausência.

Nem mesmo a educação, que tem sido espaço importante de politização e conflito contra os governos, apareceu nesses atos.

Mesmo após um ano marcado por dezenas de greves de professores, por importantes levantes de estudantes secundaristas, por denúncias de fraudes, por cortes milionários e desvios de verba, esse tema não foi tratado nas manifestações do último domingo.

Ou pior: quando o tema da educação foi apareceu, foi de forma negativa e elitista: como manifestação de combate e desaprovação em relação à política de cotas implementadas no último período, ou seja, como a negação da democratização do acesso à educação para setores mais amplos da sociedade.

Assim, podemos ver claramente o corte social e político dessas manifestação. Por ter um tom marcadamente de direita, essas manifestações não comportam demandas por direitos sociais: demandas históricas dos movimentos dos trabalhadores e da esquerda.

Essas manifestações, pelo contrário, tendem a tocar apenas em temas e demandas da alternância do poder. Querem mudar os jogadores sem tocar nas regras do jogo. Ou para lembrar uma frase famosa, eles querem que tudo mude, para ficar tudo exatamente como está.




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