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Por que a direção do CPERS não quis unificar a luta pela educação nos dias 02 e 03 de outubro?

A assembleia geral do CPERS ocorreu nesta sexta-feira (27) com menos de 3 mil professores e funcionários de escola na Casa do Gaúcho em Porto Alegre. Com salários atrasados, empregos ameaçados com a enturmação do governo Leite precarizando ainda mais a educação e em meio às negociações da reforma da previdência de Bolsonaro no Senado, essa assembleia poderia ser histórica e unificar os professores com as paralisações nas universidades nos próximos dias 02 e 03.

sábado 28 de setembro| Edição do dia

A categoria amarga 5 anos de salários congelados e parcelados, situações precárias nas escolas, fechamento de turmas e demissão de professores contratados por adoecerem neste cenário. Mais recentemente o governo de Eduardo Leite, além de manter os atrasos de salários vem impondo a enturmação, que aumenta o número de alunos em sala e reduz a demanda de professores ameaçando os empregos dos educadores, principalmente dos contratos temporários que já são o setor mais precarizado da categoria. Frente a tal situação e em meio às queda de popularidade do governo Bolsonaro, que negocia incluir servidores estaduais na reforma da previdência, essa assembleia poderia ser histórica. Nos próximos dias 02 e 03 diversas universidades de todo o país vão paralisar e ir pras ruas contra o governo e os professores poderiam aderir ao calendário paralisando também as escolas e forjando uma aliança com os estudantes e trabalhadores das universidades em uma só luta em defesa da educação e contra as reformas a nível federal e estadual, unindo forças contra Leite e Bolsonaro.

Entretanto, nada disso estava nas propostas da direção do sindicato (PT e PCdoB), aprovadas no conselho geral e levadas à assembleia. A própria assembleia não foi construída com massividade e poucos ônibus do interior do estado chegaram à Porto Alegre para a votação. O conselho geral e a direção central propuseram deflagrar greve apenas se o ataque à aposentadoria e ao plano de carreira for colocado em votação na ALERGS, sendo que no caso da aposentadoria isso só ocorrerá se a nível nacional os governadores não conseguirem incluir os funcionários estaduais na reforma de Bolsonaro que tramita no Senado após aprovada na Câmara inclusive com o aval dos governadores do PT e PCdoB do nordeste e a traição das centrais sindicais. O plano de carreira já vem sob ataques desde o governo Sartori. Na prática a política da direção do CPERS garante que os educadores não se coloquem como parte de uma luta nacional contra a reforma da previdência que está em tramitação no momento pois a mobilização deve ocorrer apenas mediante movimentações da ALERGS.

Todas as propostas do conselho geral foram aprovadas, entre elas este indicativo de greve sem data para começar. Outras abstrações, como "somar-se" às mobilizações dos estudantes nos dias 2 e 3 de outubro, sem previsão de paralisação nem nenhuma medida de garantia da participação dos professores para massificar a adesão também foram aprovadas. Alguns professores pediram espaço e questionaram na assembleia a falta de clareza dessa proposta, dizendo que deveríamos votar paralisação para esses dias, a fim de aderir de fato e construir uma greve nacional da educação junto com os estudantes universitários que estão se mobilizando contra o future-se e os cortes do governo Bolsonaro. No entanto, numa votação dividida, a assembleia aprovou a proposta da direção central e do conselho geral.

Esta assembleia não corresponde em nada com a realidade da categoria. A direção central, assim como também a oposição, não mobilizaram massivamente para discutir os reais problemas e interesses da categoria. Outra proposta aprovada foi a tradicional pressão parlamentar, que vem acumulando derrotas para categoria, com a direção central se limitando a ficar na porta a ALERGS e passando nos gabinetes dos deputados, já pensando nas eleições do ano que vem e de 2022. Mas a situação dos educadores e funcionários é urgente, está calamitosa e os dias 02 e 03 poderiam ser uma demonstração de força e unidade da categoria junto ao movimento estudantil. Ainda podem com os professores se somando às manifestações que ocorrerão, mas será limitada pelo fato de não haver paralisação.

Nesse mês ocorreu ainda o congresso do CPERS em Bento Gonçalvez, envolvendo uma pequena parcela da categoria, bastante burocratizado e restrito do ponto de vista do conteúdo das discussões. Chamou atenção os gastos do sindicato com o congresso, ao se hospedarem no hotel Dal Londer, um dos mais caros de Bento, e isso também foi questionado pela categoria nas redes sociais. "Tem dinheiro para hospedagem cara, mas para denunciar nossa situação e para mobilizar a categoria não?" Questionou uma educadora, criticando que o fato do sindicato não colocar todas as suas forças para massificar uma mobilização na categoria nem para denunciar a enturmação, a precarização nas escolas, a reforma da previdência a nível nacional, os atrasos de salários e outros ataques. Deste questionamento legítimo de para onde vão os recursos do sindicato é preciso buscar uma conclusão política mais profunda. Somente retomando o sindicato para as mãos dos trabalhadores é possível transformar o sindicato verdadeiramente numa ferramenta de luta e organização da categoria.

A direção do CPERS atua para dividir a luta dos trabalhadores da luta dos estudantes como fizeram nos dias 15 e 30 de maio e agora mais uma vez nos dias 02 e 03 de outubro. É preciso pressionar desde construir uma pressão desde as bases que aponte um caminho distinto da pressão parlamentar mirando as eleições na qual a direção aposta, exigindo que rompam com essa política e busque unir as forças da categoria com a classe trabalhadora de conjunto e a juventude que rechaça Bolsonaro e Leite.




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