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ED RODOVIÁRIOS | Por que Sebastião Melo (MDB) quer vender a Carris?

Sebastião Melo, prefeito de Porto Alegre (MDB), está determinado a cumprir seu compromisso com os empresários de ônibus, que é o de garantir o lucro a qualquer preço, mesmo que seja o de praticar o contraditório de permitir que os empresários escolham que linhas a fazer, e que o prefeito tenha que se socorrer da empresa pública Cia Carris, que segundo os argumentos privatistas, de seu próprio governo, não tem mais motivo de existir porque só gera prejuízos para o cidadão porto alegrense.

domingo 4 de julho | Edição do dia

Como a mídia burguesa da cidade não abre espaço pra se fazer o contraponto, até porque uma dessas empresas de jornalismo está interessada que um dos seus braços financeiros no ramo imobiliário compre a preço irrisório o terreno da atual garagem da Carris, fazemos nós alguns questionamentos ao prefeito, que deveria ser, em última instância, o representante e defensor dos interesses públicos e não privados.

Por que, Sebastião, só os empresários de ônibus devem ter garantidos em contrato, seus lucros? Por que não deixamos , segundo a cartilha do seu governo, o mercado regular o ramo fazendo com que esses empresários de ônibus assumam os riscos de empreender em Porto Alegre, como qualquer outro mortal da cidade?

Os barões do transporte de Porto Alegre, usam o argumento da pandemia para justificar o prejuízo de suas operações, mas quem em plena pandemia , além dos empresários de ônibus pode contar com uma empresa pública fazendo o seu trabalho de transportar os trabalhadores da cidade , mantendo seus ônibus parados nas garagens, escolhendo linhas e horários pra operar, usando a Medida Provisória do governo Bolsonaro (seu parceiro) para não pagar salários na integralidade, massacrando e condenando trabalhadores a fome e ao subemprego? E quem mais na pandemia pode demitir seus empregados com dinheiro de subsídios federais e de seu próprio governo municipal? Quem teve o valor da tarifa aumentado acima da inflação, mesmo rasgando por conta o contrato de licitação e com conivência de seu governo mesmo depois do aumento tarifário, poder continuar a escolher linhas e horários pra operar?

Sobre o subsídio de seu governo, de 16 milhões mensais para os empresários de ônibus, perguntamos, o que diferencia ele do subsídio que o senhor alega dar pra Carris? Por que o senhor admite subsidiar empresários, que sugam há décadas, suor e sangue de trabalhadores e passageiros, e não considera usar esse subsídio para criar um sistema de transporte 100% público? Qual é a diferença, prefeito? Por que o subsídio pra empresário é legítimo e para manter um serviço público com qualidade e controle público não é legitimo?

Perguntamos também, Sebastião, por que a Cia Carris é viável para operar linhas deficitárias e precisa ser vendida ou extinta quando opera linhas que dão lucro?

Perguntamos também prefeito, por que o valor do seu compromisso com o lucro dos empresários é muito mais importante do que o valor que o senhor tem pelo interesse público?

E por fim, Sebastião, a pergunta legítima para saber se o senhor está realmente disposto a fazer a população comer na mão de empresários de ônibus que não têm compromisso com contratos a exemplo da licitação rasgada, que não têm compromisso com serviço de qualidade e nem com a necessidade real da população? O senhor está pronto pra fazer esse debate, sem sua demagogia de que defende a população? Porque até agora, suas práticas só evidenciam um única preocupação: a de fiar a viabilidade do sistema de transporte no controle de sanguessugas dos trabalhadores da cidade, que nunca demonstraram interesse em qualificar seus serviços e estão dispostos a qualquer manobra vil para manterem seus lucros.

Leia também: Sebastião Melo MDB assina projeto para entregar a Carris aos empresários do transporte
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