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Imperialismo e pandemia | Pfizer, Moderna e BioTech embolsam 62 bilhões com a vacina que a África segue esperando

Pfizer, Moderna e BioTech embolsam 62 bilhões com a vacina que a África segue esperando. A luta pela liberação das patentes é uma questão vital para o conjunto da humanidade. Os governos imperialistas, incluindo o espanhol, seguem permitindo isso.

sexta-feira 7 de janeiro | Edição do dia

As principais farmacêuticas estadunidenses e europeias seguem fazendo caixa com a pandemia. O ano de 2021 fechou com recorde de receita. As norte-americanas Pfizer e Moderna alcançaram 31.450 milhões e 15.725 respectivamente, e a alemã Bio Tech 14.850. Outras como a britânica AstraZeneca ou a estadunidense Johnson & Johnson ainda não publicaram seus resultados, mas há previsão de que também sejam históricos.

Um negócio gordo que realizam as custas de que regiões inteiras, especialmente da África, estejam ficando de fora da campanha de vacinação. A quebra das patentes foi demandada por mais de 100 países no outono de 2020 na OMC. Os governos imperialistas dos EUA, Japão e a UE, incluindo os partidos espanhóis PSOE e UP, se opuseram. Desde então alguns deles mudaram suas posições, desde Biden até Pedro Sánchez, mas sem tomar nenhuma medida real contra estes direitos de propriedade.

Atualmente mais de 40% da população mundial ainda não recebeu uma dose sequer e somente a metade completou as duas doses. Mas esse dado global se torna dramático se vemos os índices de países como a República Democrática do Congo, onde o índice é de 0,1% da população vacinada, na Nigéria 2,2% ou em Camarões com 2,5%, para colocar somente três exemplos do que é a tônica desse continente da qual só se livram Marrocos com 62%, Tunísia, com 50% e Botswana com 43%. Egito supera timidamente os 20% e a África do Sul não chega a 27%.

Como advertiram milhares de virologistas e cientistas, a ausência de uma estratégia de imunização global, condena a toda a humanidade a estender a pandemia, dada a multiplicação de possibilidades para a emergência de novas mutações de coronavírus. As duas variantes com as que abriu e fechou 2021, provocando uma replicação de contágios, hospitalizações e novas restrições ao fim do ano, surgiram precisamente de dois dos países que demandaram em 2020 a quebra das patentes que não chega: Delta da Índia e Ômicron da África do Sul.

Segundo o próprio centro de desenvolvimento de vacinas dos EUA ainda são necessários 9 bilhões de doses de doses para atingir uma vacinação mundial, o que equivale a uma produção tão grande como a distribuída até agora de 10 milhões. Um negócio que estas mesmas multinacionais não querem perder e que já prevê outro ano de lucro recorde para 2022, ainda que, como criticou a própria OMS, é mais provável que se dirijam a terceira e até quarta doses - como já se prevê em Israel - nos países imperialistas e que tenham capacidade de compra, e não ao continente africano.

A priorização dos interesses e lucros destas companhias e seus acionistas, acima do direito ao acesso a um bem tão essencial como a vacinação de centenas de milhões, é uma das mostras mais latentes do caráter criminoso e irracional desse sistema. A luta, em particular dos países imperialistas que são quem tem a chave para a quebra das patentes e a intervenção de laboratórios e instalações necessárias para a produção e distribuição em escala mundial das vacinas, se transforma neste 2022 em uma demanda vital para toda a humanidade.




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