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Petroleiros são obrigados a fazer “quarentena” em hotel e Petrobras não fornece testes

sexta-feira 27 de março| Edição do dia

A Petrobras não consegue garantir o mínimo de segurança para os trabalhadores, próprios e efetivos, em meio a crise profunda que se abre com o coronavírus e o perigo de contaminação e exposição dos petroleiros e de suas famílias, ela se nega em garantir testes para todos os funcionários, sintomáticos e assintomáticos, incluindo seus familiares que nesse exato momento já correm o risco de estar infectados. É absurdo que a maior empresa do Brasil que doará 600 mil testes ao SUS não possa garantir testes aos trabalhadores e terceirizados.

Além disso, a empresa exige que os petroleiros de plataforma trabalhem 28 dias embarcados, 14 dias de folga e 7 dias antes do embarque que façam uma “quarentena” em um hotel pago pela empresa. A questão é que não existe um isolamento efetivo e racional para os trabalhadores que ficarão depois 21 dias confinados em alto mar, que não passe por fazer testes para covid-19 antes deles embarcarem, uma “quarentena” de 7 dias não adianta em nada, porque já está comprovado que o vírus pode ser transmitido por pessoas assintomáticas, além do que o período de incubação do vírus extrapola esse prazo de 7 dias. A Petrobras impõe que os trabalhadores não tenham nem sequer a possibilidade de escolher se querem ou não ficar isolados em um hotel, ou seja, na prática significa mais 7 dias longe da família, além de já estarem ainda mais sobrecarregados nas plataformas com a nova escala de trabalho de 21 dias.

Um petroleiro denunciou a farsa que é o isolamento dentro de um hotel, afirmando que mesmo nessa “quarentena” de 7 dias no hotel eles continuam expostos ao vírus e podem contaminar suas famílias e outros companheiros em seus locais de trabalho.

“Cheguei aqui no hotel, fiz o check in, no outro dia de manhã e tive um informativo de segurança, falando que nós não podemos sair, temos que ficar isolados, ficar no quarto o máximo de tempo possível. No caso o hotel que eu estou não tem refeições no quarto, então as refeições são feitas nos restaurantes. O tempo todo estamos em contato com os outros hóspedes, ontem quando eu saí da janta, havia chegado uma comitiva de comissários de uma empresa inglesa e quando eu fui entrar no elevador, eles entraram, pegaram o mesmo elevador que eu. Se algum deles estivesse contaminado, provavelmente eu também estaria. Me sinto bem mais seguro estando em casa do que aqui no hotel.

Outro petroleiro denunciou a falta de testes e o descaso que a empresa tem com sua vida e de seus familiares:

“Eu subi, fiquei embarcado dez dias, várias pessoas passaram a apresentar sintoma de gripe, isso é uma coisa muito comum a bordo, porque sempre que rola um vírus lá, como sistema de ar condicionado é central, acaba atingindo todos os camarotes e locais. Agora quem tem tiver sintomas de gripe desce. O problema que tem muita gente que tem medo de descer, de se queimar e isso acaba sendo bem prejudicial pro restante da turma. Eu estou com tosse aqui porque eu acabei descendo com essa gripe e agora eu acabei ficando isolado num quarto da casa, quando estou em convívio com a família estou usando máscara e tentando manter distância. E agora a estratégia dos caras é colocar o pessoal sete dias trancado em um quarto de hotel antes de embarcar, mas assim se não fizer nenhum teste, talvez não adiante muito...se bem que é uma medida restritiva. Só que o problema é: e se o vírus já estiver lá em cima? A gente vai subir e se contaminar? Igual eu contaminei com uma gripe, pode ter sido com o corona lá em cima. Trabalhamos 28 dias, quer dizer o organismo vai desgastar para caramba, aí quando desce pra descansar tem que ficar os 14 dias afastado da família que é o que eles falam que as pessoas contaminadas tem que estar. Então, quanto tempo que o pessoal vai aguentar isso? Descer e subir escada, dormindo mal, dormido de dia, trabalhando a noite 28 dias direito, pra na hora que descer não saber como vai ser em casa, vôo cancelado direto e se chegar em casa vai contaminar a família ou não vai? Situação bem complicada, mas vamos enfrentando aí e ver o que agente consegue.”

Está mais claro que a Petrobras se preocupa com os lucros e com a produção, e não com os trabalhadores, por isso mesmo que os próprios petroleiros devem exigir testes para todos os trabalhadores, próprios e terceirizados, de unidades que ficaram expostos a pessoas que apresentaram sintomas de coronavírus, bem como de suas famílias. A Petrobras não pode decidir quais são as medidas de segurança pelos trabalhadores, o que lhe interessa são os lucros e a produção e não a vida dos petroleiros e suas famílias, por isso eles devem tomar cada decisão sobre as medidas de segurança e higiene nas unidades, contingenciamento, transportes e todas as questões referentes à produção.

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