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Petroleiros iniciam paralisação na Bahia e mobilizações em outros estados

A partir da meia-noite de hoje está anunciada a paralisação da RLAM e outras unidades colocadas à venda na Bahia. Além da mobilização nessas unidades, estão previstas outras em mais estados do país. O ataque histórico à Petrobras, junto à crise dos combustíveis que está em curso, exige uma grande greve nacional dos petroleiros.

sexta-feira 5 de março| Edição do dia

gibran mendes / cut-pr

O Sindipetro-Bahia (filiado à Federação Única dos Petroleiros – FUP/CUT) anunciou a “retomada da greve” interrompida em 18/02 a partir de meia-noite de hoje. A FUP também informa que devem ocorrer outras mobilizações a partir de amanhã em outras localidades, tais como Paulínia e Mauá em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Amazonas. É possível, como também necessário que estas primeiras mobilizações se estendam por toda a categoria, de norte a sul, leste a oeste no país para fazer frente ao tamanho ataque em curso, de modo que se trace uma grande batalha contra as privatizações para garantir combustíveis baratos para toda a população.

Nas mobilizações já agendadas ou iniciadas, a FUP está levantando pautas locais, várias delas relacionadas ao forte processo de liquidação da Petrobras que está em curso, tal como a exigência de incorporação na Holding dos funcionários da PBIO que estão sendo privatizados junto a suas instalações em um outro processo, separado da privatização da RLAM, 4 terminais e 700km de oleodutos na Bahia. As pautas locais de falta de pessoal, maiores riscos de acidente, todas elas estão inseridas no contexto de precarização para abrir caminho para a privatização, ao passo que acontecem em meio à iminente assinatura da entrega da RLAM aos bilionários xeiques árabes da Mubadala Capital.

A mobilização dos petroleiros também está inserida no contexto da crise dos combustíveis que se desenvolve no país. Nessa crise se não houver resposta dos petroleiros e da classe trabalhadora, outros oferecerão suas respostas, sejam eles o “mercado”, Bolsonaro, as direções reacionárias de caminhoneiros, as patronais – como no locaute organizado pelas empresas de transporte em Minas Gerais. Porém cada um desses outros atores, que não a classe trabalhadora, só oferecerão respostas que vão na contramão dos interesses dos trabalhadores, que é garantir combustíveis baratos para a população e que as riquezas do petróleo sirvam não ao imperialismo, mas, a maioria trabalhadora de nosso país. Isso só é possível barrando as privatizações e, sobretudo, mudando de cabo a rabo como se administra a empresa: para os lucros, ou para os interesses gerais da população o que só seria possível com uma Petrobras 100% estatal administrada democraticamente pelos seus trabalhadores, e não por generais, empresários ou indicados para servirem os empresários.

Bolsonaro colocou um general que foi ministro de Temer para presidir a empresa, mas tanto ele como o general já deixaram claro que não mexerão na política de preços, ou seja, o brasileiro seguirá pagando combustível como se vivesse em Nova Iorque, para assim aumentar os lucros dos acionistas privados imperialistas da Petrobras (43,11% do capital da empresa) ou também para garantir os lucros – em dólar – de compradores como a Mubadala Capital.

Enganam os trabalhadores aqueles que apostam em um nacionalismo do general e, não é fortuito, que os mesmos que iludirão os petroleiros a esperarem algo não de seus uniformes laranjas mas da farda verde-oliva tenham desmontado a greve iniciada em 18/02, tal como criticado na coluna “O PT aplaude a intervenção de Bolsonaro e desorganiza a greve petroleira.

No dia 18, além da paralisação das unidades baianas, ocorreram atrasos e diversas mobilizações em todo o país, sobretudo, em refinarias e terminais, mobilizando bases tanto da FUP como da minoritária FNP. Desde a desorganização da greve de fevereiro pela FUP, diversas bases petroleiras que haviam votado por aderir à greve se desorganizaram e cada dia que os petroleiros perdem, mais se fortalecem aqueles que estão organizando as privatizações e uma resposta reacionária à crise dos combustíveis. Com a paralisação da Bahia e outras ações no país, isso pode começar a mudar.

É possível a partir da paralisação que se inicia daqui a poucas horas na Bahia traçar um caminho para uma greve que seja organizada como uma verdadeira batalha contra as privatizações.

Isso é possível organizando pela base cada refinaria, terminal e plataforma, erguer uma coordenação democrática com delegados de cada unidade que unifique os petroleiros de todo país, unindo as duas federações e dezenas de sindicatos, para a partir desta força exigir que as grandes centrais sindicais rompam sua paralisia diante do governo Bolsonaro.

Para tornar essa orientação possível, os sindicatos da FNP (onde se organizam correntes à esquerda do PT no plano político e sindical, tais como PSOL e PSTU) deveriam organizar assembleias imediatamente (coisa que não fizeram até o momento) para que essas unidades cumpram um papel ativo de impor a mobilização e unidade naqueles locais onde a FUP nem assembleias está convocando e, através de seus parlamentares e figuras políticas e dos movimentos sociais e sindicais na CSP-Conlutas tornar a luta dos petroleiros uma grande causa nacional, organizando um dia nacional de ações de solidariedade entre outras medidas.

A situação política nacional, com divisões entre forças no governo e do golpismo permite uma grande ação dos petroleiros e da classe trabalhadora para barrar as privatizações e oferecer uma resposta à crise dos combustíveis.




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