Gênero e sexualidade

8 DE MARÇO

Governismo sequestra 8/3 em São Paulo, mas esquerda resiste em ato independente

Nesse dia Oito de Março, milhares de mulheres se reuniram na Avenida Paulista em São Paulo. O PT sequestrou o 8 de março para transformá-lo em um dia em defesa de Lula e Dilma, mas mostramos que as mulheres querem arrancar seus direitos independente da direita conservadora e do governo dos ajustes, rompemos com o ato governista com um ato independente

Odete Cristina

estudante de ciências sociais na USP

quarta-feira 9 de março de 2016| Edição do dia

Governismo sequestra o 8 de março para defender Lula e Dilma

O Oito de Março é um dia histórico de luta das mulheres, mas este ano setores governistas o sequestraram para transformá-lo em um dia de defesa de Lula e Dilma. Grupos como a Marcha Mundial de Mulheres, CUT, CTB, UNE, UBES, Levante Popular da Juventude e outros passaram por cima dos eixos que foram deliberados anteriormente nas reuniões preparatórias.

Em São Paulo, foi onde essa política foi mais descarada. Utilizaram-se dos seus já tradicionais métodos burocráticos e até mesmo de agressão física contra militantes do Movimento Mulheres em Luta que criticavam o governo Dilma, agressão que rechaçamos veementemente.

A esquerda fez ato independente para garantir que as demandas das mulheres se fizesse presente

Diante desse escandaloso oportunismo, nós do MRT e do Pão e Rosas nos juntamos a setores de esquerda e rompemos com o ato governista, marchando em outra direção junto a algumas correntes do PSOL, o PSTU e o PCB. Também compuseram o ato uma série de centros acadêmicos como o CA de Pedagogia da USP, com uma combativa delegação, o CA de Letras, além de diversos coletivos feministas, como o de Mulheres da ECA e da História da USP, junto a estudantes secundaristas e a corrente Enfrentamento e o Território Livre. O Sintusp também estava presente, além de outras representações sindicais como o Sindicato dos Metroviários e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.

Nos negamos a abrir mão das pautas unificadas das mulheres como a luta pela legalização do aborto, contra o ajuste fiscal e a reforma da previdência, em defesa da democracia para lutar.

Construímos dessa forma um ato vivo, forte e independente, com mais de mil e quinhentas mulheres que sabem que não é ao lado da direita conservadora e muito menos defendo um governo como o do PT que vamos ter nossas demandas atendidas, mas nos unificando entorno de demandas comuns em luta na defesa da vida das mulheres, como o direito ao aborto.

Nossa unidade com a esquerda no ato não oculta nossas diferenças

Conforme expressamos nessa declaração nós do MRT que hoje marchamos ao lado de diversas companheiras da esquerda para garantir a defesa das demandas das mulheres nas ruas, não temos acordo com a política que essas correntes vem defendendo nacionalmente.

Nós do MRT marchamos denunciando este governo do PT e seu plano de ajustes e ataques aos trabalhadores, que atingem nós mulheres em especial. Denunciamos também que o próprio PT foi quem abriu espaço pra esta direita que hoje defende um reacionário impeachment somente pra poder aplicar um plano de ajuste ainda mais forte contra nós. No ato dos setores da esquerda se expressaram outras posições das quais não compartilhamos como a linha de Eleições Gerais levantada pelo PSTU que significa dar uma cara um pouco mais democrática pros objetivos dos setores de direita que querem a qualquer custo entrar no poder.

Essa mesma política é defendida pela corrente de Luciana Genro, que tem como grupo juvenil o Juntos, além de se manterem em uma política de conciliação de classes ao fazer parte da Frente Povo Sem Medo que tem sido funcional a defesa do governo Dilma. Nós rechaçamos o impeachment reacionário e exigimos que as centrais sindicais como a CUT rompam imediatamente com o governo pra organizar em suas bases para um movimento nacional contra os ajustes e a impunidade para os políticos e poderosos, que para nós deve culminar em uma Assembléia Constituinte imposta pela força da mobilização. Nós, a partir da CSP-Conlutas e das entidades onde estamos colocaremos nossas forças na construção de um movimento como este.

Foi essa política que junto a centenas de companheiras e companheiros, nós marchamos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e outras cidades.

É pela vida das mulheres

Ano passado as mulheres tomaram às ruas de diversas cidades do país contra o PL 5069 de Eduardo Cunha, em defesa da legalização do aborto e pelo direito ao próprio corpo.

Agora voltamos às ruas para mais uma vez lutar contra os ataques e pela conquista de nossas demandas frente a essa situação política nacional onde a direita reacionária busca fazer um impeachment, para aplicar um ajuste ainda mais duro, enquanto o governo do PT, que em 14 anos não legalizou o direito ao aborto, aumentou ainda mais a terceirização, abriu espaço para a direita e assumiu pra si seus métodos corruptos, vem descontando os custos da crise nas costas da classe trabalhadora, sendo nós mulheres um dos setores mais afetados.

Neste momento, a epidemia do zika vírus no Brasil escancarou como a desigualdade de gênero impõe que nós mulheres tenhamos que arcar com os custos da crise. Ao mesmo tempo em que nosso direito a maternidade é retirado pelos governos e patrões que só visam o lucro. O direito ao aborto é negado e criminalizado, enquanto milhares de mulheres continuam morrendo devido a realização de procedimentos clandestinos e inseguros. Por isso o grupo de mulheres Pão e Rosas esteve presente com um forte bloco no ato, com jovens universitárias e secundaristas e delegações de trabalhadoras, trazendo a necessidade de construir um forte movimento de mulheres que arranque o direito ao aborto legal, seguro e gratuito. Um movimento nacional que busque ser parte da construção de uma alternativa independente diante da crise. Expressando também que pra lutar contra todo esse sistema de exploração e opressão devemos nos inspirar nas secundaristas de São Paulo, nas professoras do Rio de Janeiro e nas milhares de mulheres jovens e trabalhadoras que assumiram a linha de frente de diversas lutas no Brasil e no mundo. E se o ajuste veio quente, nós mulheres estamos fervendo, seja nas escolas, nas universidades, nas fábricas ou nas ruas.

Maíra Machado, militante do Pão e Rosas e do MRT no ato do Dia Internacional das Mulheres em São Paulo. O PT tentou fazer desse ato histórico em defesa dos direitos das mulheres um dia em defesa de Lula e Dilma, não aceitamos!




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