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Pela revogação das resoluções do CONSEPE, confiemos na nossa força para decidir os rumos da UFRN!

Na última semana ocorreu a primeira Assembleia Geral dos Estudantes de 2020 na UFRN, com a participação de mais de 150 estudantes e nesta sexta-feira será votado o novo Plano de Desenvolvimento Institucional no CONSUNI, quando faremos uma manifestação exigindo a revogação imediata das resoluções do último CONSEPE. Para lutar contra os ataques precisamos defender uma universidade à serviço da classe trabalhadora e do povo pobre e só confiar nas nossas próprias forças mobilizadas.

segunda-feira 23 de novembro de 2020| Edição do dia

Essa é a maior crise pela qual nossa geração já passou. Uma crise que está para além das universidades no Brasil de Bolsonaro. Trata-se de uma crise sanitária, econômica e social sem precedentes. Já significou a morte de milhões de pessoas no mundo, centenas de milhares no nosso país, um aprofundamento do desemprego, da fome. Esse efeito não esteve inscrito nos RNAs ou qualquer outra função do vírus. A crise aprofundada com a COVID-19 expôs a incapacidade do capitalismo resolver as suas próprias contradições.

O mundo anuncia uma segunda onda de contágios, que começa a aterrissar no Brasil. Bolsonaro já negou isso, como era de se esperar de alguém que chamou de “maricas” os que temem a morte pela COVID-19, remarcando sua homofobia. Quer que tudo siga na normalidade, que um milagre acabe com o vírus, morram os que tiverem morrer. O importante pra ele é salvar os lucros capitalistas e que sigamos trabalhando pra isso.

Por outro lado, a Globo, os governos estaduais, e toda a casta de juízes e políticos golpistas que fizeram propaganda do Fica em Casa, falam em nome da ciência, mas nos deixaram sem testes, EPIs, ou mesmo o direito de ficar em casa, de ter a garantia de que não perderiamos o emprego.

Nas universidades, estas duas alas da burguesia significam um mesmo projeto, querem o EAD pra sempre, usando das Reitorias para avançar com a privatização, o corte da permanência, e distanciar as universidades ainda mais das necessidades da população, em um momento em que ela mais precisa das universidades. A verdade é que, tanto com o negacionismo de Bolsonaro, quanto com a dos demais atores desse regime político, são os capitalistas que ganham com a pandemia e avançam sobre as universidades que já vinham sendo precarizadas com teto de gastos e tantos outros ataques.

Diante disso, nós da Faísca queremos debater qual movimento estudantil precisamos construir para dar uma saída a essa crise contra o projeto de Bolsonaro, do regime golpista e da reitoria. O único caminho é aquele que aponte um giro decidido da produção de conhecimento dentro dela a serviço dos trabalhadores e os mais afetados pela pandemia. Seremos os primeiros a pensar a volta às atividades presenciais, desde que seja para impulsionar pesquisas, grupos de trabalho interdisciplinares, que colocassem todo o corpo técnico-científico para investigar e apresentar soluções concretas para a crise sanitária, econômica e social, que está vivendo um inferno na mão dos políticos e dos empresários. Tudo isso auto-organizando os cuidados sanitários, através de comissões de higiene e saúde, por exemplo. Chega de uma UFRN voltada a criar patentes para empresas dos seus parques tecnológicos ou paralisada quando a população mais precisa. A ciência precisa estar sob controle dos trabalhadores darem a sua saída para essa crise histórica. É com essa perspectiva que chamamos os estudantes a lutarem nesse momento, pois esse é o caminho para superar a crise da UFRN apresentando um novo projeto de universidade.

Está passando um enorme corte de verbas, a contratação de professores está congelada, a permanência cada vez mais incerta, bolsas de pesquisa estão cortadas, e muitos terceirizados estão sendo demitidos. Essa é a “saída” da reitoria para a crise da universidade, encaminhando uma paulatina transformação reacionária, elitista e privatista da universidade, se aproveitando da pandemia, e do caráter antidemocrático da universidade através do CONSEPE, do CONSUNI. São órgãos que representam uma minoria de gestores da burocracia acadêmica, enquanto a maioria de estudantes e funcionários dividem os outros tem representação mínima, quando existe e os terceirizados que fazem a universidade funcionar não tem voz ou voto.

Por isso, qualquer saída só é possível se enfrentando com as regras do jogo institucional antidemocrático dessa universidade, em primeiro lugar construindo uma forte luta pela revogação das últimas decisões do CONSEPE. Mas também apontar uma alternativa para como as decisões são tomadas, dando poder à maioria para definir os rumos da universidade.

Por isso defendemos na assembleia de ontem um chamado aos professores e funcionários técnico-administrativos para organizar uma assembleia das três categorias, exigindo da reitoria a liberação dos terceirizados, que seja soberana às decisões do CONSEPE e CONSUNI, cujas deliberações estejam baseadas no sufrágio universal (um voto por cabeça, respeitando o peso da votação de estudantes e dando voz e voto aos terceirizados), garantindo todas as medidas sanitárias. Essa assembleia teria o papel de definir o funcionamento da universidade no próximo período, não apenas se teremos aulas presenciais, híbridas ou remotas, mas que iniciativas de pesquisa e grupos de trabalho organizar para direcionar o conhecimento técnico e científico a serviço das necessidades da população trabalhadora e mais precarizada. No Amapá, a população sem luz e água há mais de 10 dias se enfrenta todos os dias com o projeto de país de Bolsonaro, Mourão e todos os golpistas, essa é uma situação que a UFRN deveria se jogar com todo o seu corpo técnico-científico para responder.

Uma iniciativa como essa seria um enfrentamento direto à reitoria e à casta da burocracia acadêmica, que não ficaria passiva diante de uma iniciativa tão fundamental como essa. O caminho apresentado pela atual gestão do DCE da UFRN, composta pelo Juntos, UJC e Correnteza, de apresentação de projetos paliativos e confiança no bom senso do CONSEPE, colaborou com esse setor que quis burocratizar ainda mais as decisões de dentro da universidade para aprofundar a passividade dos estudantes. Nesse sentido, é necessário dizer que a auto-declarada oposição de esquerda da UNE acabou atuando como sua direção majoritária, funcional à implementação do EAD e que o Plano de Desenvolvimento Institucional quer garantir que permaneça.

Para nós, somente devemos confiar na disposição dos estudantes em fortalecer a nossa auto-organização em cada curso, ao lado das trabalhadoras e trabalhadores de dentro e fora da universidade. A força dessa organização desde as bases é o que permitiria superar de vez a estrutura autoritária e que restringe a produção científica aos lucros de grandes empresas, através de uma Estatuinte Livre e Soberana que instaure um conselho único de representantes eleitos nos cursos, unidades de trabalho e departamento, composto proporcionalmente com o peso de cada setor da universidade, portanto de maioria estudantil e de funcionários.

Este é o projeto que a Faísca quer debater com cada estudante que quer expulsar cada um dos interventores de Bolsonaro nas Reitorias: nos coloquemos ombro a ombro com os trabalhadores, nos colocando em luta contra a estrutura de poder da universidade, a reitoria, e para transformar a universidade a serviço das necessidades não dos capitalistas, mas da maioria da população, e por uma ciência e produção artística verdadeiramente livre.

Chamamos todo a se somarem à manifestação simultânea à sessão do CONSUNI, no dia 27 de novembro, às 09:00, com concentração na Parada do Circular ao lado do Via Direta, pela revogação das últimas medidas adotadas pelo CONSEPE e convocação de uma assembleia soberana de toda comunidade acadêmica, com cada cabeça, um voto para deliberar sobre os rumos da universidade




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