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ESTADO POLICIAL

Pedro, Jenifer e chacina do Fallet: Moro e Bolsonaro liberam matança de negros e pobres

Em menos de uma semana, o Rio de Janeiro foi palco dos efeitos da proposta de Sergio Moro de combate (sic) “ao crime a corrupção”, que ficaram evidentes sem que a proposta precisasse ter sido aprovada. Para os familiares das vítimas da chacina no Fallet-Fogueiro, da garota de 11 anos, Jenifer, e de Pedro Henrique por um segurança bolsonarista, o racismo velado deu as caras. Sob comando de Bolsonaro e Moro, o Estado traz à baila a vocação mais assassina da “democracia racial” brasileira.

domingo 17 de fevereiro| Edição do dia

Fato 1: Na última sexta-feira, 8 de fevereiro, uma operação da PM no morro do Fallet-Fogueteiro, na zona central do Rio, terminou com pelo menos 13 mortos, a maior chacina do estado carioca em 12 anos. A polícia militar ameaçou “varrer todo mundo” que permanecesse no seu caminho. Levou parte dos jovens para a casa da mãe de um deles, torturou e executou, pintando a cena de sangue negro, destruindo a construção e a vida das famílias. Não demorou para os bolsonaristas celebrarem a carnificina, com um deputado do PSL, Rodrigo Amorim propondo uma homenagem “aos heróis” da operação, seguido do próprio governador, juiz Wilson Witzel (PSL), que parabenizando publicamente, em seu Twitter, o PM comandante desse atentado. O mesmo governador que prometeu autorizar os policiais a executarem sob proteção judicial e cogitou comprar drones para metralhar os morros e favelas.

Fato 2: Exatamente meio dia e meia de ontem (14), horário escolar que crianças e jovens estão voltando ou indo para as escolas, exatamente nesse momento “começa um tiroteio”, a polícia atinge uma criança de apenas onze anos de idade. A rua Bérgamo estava movimentada nesse horário, pois era horário escolar, tinha jovens e crianças no momento que carros da polícia chegaram armados após atirarem em Jenifer em uma troca de tiros, nessa mesma rua, só se escuta o grito de desespero de uma mãe, mãe negra, pobre e vítima cotidianamente da miséria capitalista, que o Estado tirou a vida de sua filha, sua filha pequena, sua filha, assim gritava a mãe da vítima.

Fato 3: Foi um escândalo nacional, muito comentado nas redes sociais - desde rappers como Djonga e Baco Exu do Blues à global Leandra Leal repudiaram - o cruel assassinato por estrangulamento de Pedro Henrique, 19, por parte de um segurança de um hipermercado no Rio de Janeiro. Pessoas no entorno tentam convencer o segurança a liberá-lo. Um cliente chega a tocar no segurança que responde: "Não segura, senhor, quem sabe sou eu" e diversos outros alertam que o rapaz está sufocando e a resposta do vigilante foi gritar com as pessoas ao redor: "Cala a boca". Não precisou completar a sentença, o jovem foi condenado ali mesmo, na frente dos pais, sem o direito de provar a sua inocência. O segurança foi detido e liberado três horas depois. Assim como o assassino do capoeirista Mestre Moa do Katendê, durante as eleições de 2018, Davi Ricardo é um bolsonarista assassino.

Os efeitos antecipados do pacote racista “anticrime e anticorrupção”

Dentre as propostas de Sergio Moro, estão a de dar licença para matar aos policiais, propondo medidas que não só legalizam execuções sumárias, dando os policiais o direito de matar sob “medo, à surpresa e à violenta emoção”, mas também incentiva as mortes por parte dos órgãos repressivos. Atribui a “legítima defesa” casos de “morte preventiva” gerados com objetivo de “prevenir agressão ou risco de agressão”. A impunidade bárbara aos policiais que matarem, alegando terem reagido por simples impulso instintivo, fará escorrer ainda mais sangue negro nos morros e bairros pobres.

Essa prática que é estrutural do modus operante policial, pode ganhar salvaguarda da lei, o que certamente encoraja a carnificina que vimos no Fallet-Fogueteiro. As vidas negras serão criminalizadas até que provem ao contrário, gerando efeitos psicológicos até mesmo em seguranças privados, como o do supermercado, um bolsonarista assumido, que ceifou a vida de Pedro Henrique por se sentir no direito de fazê-lo. Jenifer foi morta graças à marcha do “Estado policial” protagonizada por Moro e Bolsonaro, que potencializa a face mais assassina do racismo institucional, velado sob o mito da “democracia racial”.

Ao mesmo tempo, não estão calculados efeitos que a libertação desse Estado policial, umbilicalmente racista, podem gerar nos marcos de uma latente crise da democracia racial, aberta sobretudo em junho de 2013 sob as figuras de Rafael Braga (preso por portar Pinho Sol) e o desaparecimento do pedreiro Amarildo. Uma ira que despertou, no ano seguinte, a poderosa greve dos garis em meio ao Carnaval, que venceram mostrando que, sem os trabalhadores negros, não há festa, mas também não há capitalismo no Brasil.

Por isso, em resposta ao governo racista de Bolsonaro, os negros precisam se armar da estratégia que pode verdadeiramente levar a emancipação das correntes coloniais que carregam, da exploração capitalista que o imperialismo colonialista impõe sob o conjunto da classe trabalhadora brasileira, às mulheres negras. Uma estratégica essencialmente de classe, baseada na auto-organização em cada local de trabalho, estudo, nas comunidades, aliando negros, mulheres e operários. A primeira e mais decisiva batalha, para todo o povo negro, é contra a Reforma da Previdência, até pelo fato da expectativa dos negros serem ainda mais baixa que a média, seremos os primeiros condenados a trabalhar até morrer. Querem uma reforça dos tempos da chibata, oferecendo emprego sem direito para a juventude, precarizando ainda mais o futuro da juventude negra, que está ameaça por empreso sem sequer 13º, férias e FGTS, o básico dos direitos trabalhistas.

Um ataque para extrair ainda mais do suor dos trabalhadores mais precários, que ainda correrão o risco de se aposentarem recebendo entre R$ 500 e R$750. Frente a esse ataque, o Estado policial de Sergio Moro está sendo preparado para usar da perseguição jurídica aos sindicatos, grêmios, centros acadêmicos, partidos de esquerda, mas também aprofundar o terrorismo racista do Estado como parte de aprofundar as divisões ideológicas (o próprio racismo) e criminalizar qualquer resposta aos ataques.

Portanto faz-se mais necessário que nunca organizar a resistência da classe trabalhadora e como colocar suas organizações, cercando a fileira dos negros, mulheres e LGBTs com a dos trabalhadores a serviço desta batalha, tirando-as dos freios da burocracia sindical e impondo uma frente única para derrotar a “mãe de todas reformas”. É lamentável a traição que cumprem as centrais sindicais, especialmente a UGT que aliou-se a Bolsonaro para defender a reforma, mas também a CUT e CTB que tem tomar um café na Casa Grande com o vice Mourão para negociar, enquanto de "reforma menos branda", aliando-se à patronal Força Sindical.

Preferem isso a desenvolver o potencial das greves que estão acontecendo nesse momento, como em SP, no RN, como parte de unificar as categorias e elaborar um plano de lutas, assembleias para que os trabalhadores possam minimamente discutir sobre a reforma e pensar em como querem responder. Chamam plenárias nacionais totalmente por fora disso, isolando a vanguarda, apenas.

A força histórica de combate do povo negro deve estar na linha de frente, em casa escola, universidade, local trabalho ou comunidade, em especial das mulheres a partir desse 8 de Março, de organizar embriões antiburocráticos que possam se coordenar para superar essa muralha da burocracia. Serão espaços decisivos também para armar os explorados e oprimidos com um programa de superação desse Estado policial, abolindo todas as policias; abolindo o pagamento da dívida pública, principal lastro colonial que impõe a miséria (a Reforma da Previdência, como só serve para enriquecer bancos e investidores, é a comprovação disso).

Assim como um programa para impedir que a crise seja jogada sob as costas dos negros e trabalhadores, com desemprego e a superexploração; impondo o fim das divisões entre trabalhadores com direitos e sem direitos com o fim da terceirização, sem necessidade de concurso público, como parte do combate pela anulação da Reforma Trabalhista e a servidão no campo; um plano de obras públicas para construção de casas populares, garantindo emprego nas cidades; a reforma agrária contra a burguesia herdeira da escravidão.

Editorial: Um mês do governo Bolsonaro: expectativas, crises e tendências em curso




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