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Debates na Esquerda | Pedro Castillo, AMLO, Syriza e a deriva da esquerda dita “socialista” no Brasil

Publicamos aqui um debate com setores da esquerda que insistem em apoiar alternativas de conciliação de classes.

sábado 18 de setembro | Edição do dia

Há alguns meses atrás boa parte da esquerda dita socialista e revolucionária brasileira celebrou e se entusiasmou com a eleição do “socialista” Pedro Castillo no Peru. Relativizando seu discurso que menosprezava a luta das mulheres e dos LGBTQI+ (que ele tratava como “ideologia de gênero”), a esquerda exaltou seu programa econômico. Era algo como “conservador nos costumes, mas socialista na economia”. Apesar disso, nem Castillo nem seu partido nunca se propuseram a fazer nenhum tipo de mudança revolucionária , seu programa não passava de algumas reformas dentro do marco desse sistema. Sua proposta mais radical era de uma nova constituição.

No entanto, já no segundo turno, quando sua vitória ficou mais palpável, Castillo foi dando vários sinais de moderação. A proposta de uma nova constituinte foi jogada de lado. Após as eleições, enquanto sua vitória ainda não era reconhecida sua vitória pelo Jurando Nacional de Elecciones (JNE), Castillo foi aumentando sua conciliação, se reunindo com empresários e anunciando nomes neoliberais e próximos ao mercado financeiro para os ministérios. No entanto, esses setores da esquerda continuaram o apoiando, fechando os olhos para essa conciliação ou “torcendo” para que seu partido o “pressionasse à esquerda”. O MRT no Brasil e seu grupo irmão no Peru, a Corrente Socialista das e dos Trabalhadores (CST) foram um dos únicos grupos que denunciaram essa postura e se mantiveram firmes na defesa da independência de classe.

Com 2 meses de Castillo na presidência fica óbvio que seu governo não tem nada de socialista, tampouco de anti-imperialista. A nova constituição se esqueceu. As propostas de nacionalização caíram por terra. O salário mínimo não aumentará. Na política externa, o governo fechou pactos para que as tropas dos EUA entrem no país e anunciou o direitista Óscar Maúrtua para o Ministério das Relações Exteriores. Até agora, nenhum balanço da esquerda “socialista” brasileira que apoiou Castillo, que vai desde o PSOL ao PCB.

E o balanço provavelmente não virá. Muitos desses foram os mesmos setores que se entusiasmaram e apoiaram com a eleição de Lopez Obrador no México, o AMLO. O caminho foi parecido. Conforme a vitória foi se tornando palpável, foi moderando o discurso. No governo, uma direitização total. AMLO ficou próximo a Trump, atuando em favor desse no controle das fronteiras e chegou inclusive a se alinhar a Bolsonaro na demora para reconhecer a derrota do direitista americano. E a esquerda que o apoiou até agora nada comenta.

Outro caso emblemático foi o do Syriza. O PSOL, em quase a totalidade de suas correntes, apoiou entusiasmante esse projeto. Nas eleições gregas de 2015, chegaram até mesmo a enviar correspondentes para acompanhar as eleições. O resultado é conhecido. O Syriza aceitou todas as imposições da troika da UE e aplicou os ajustes. Em 2019, voltou ao poder o partido de centro direita Nova Democracia. E esse mesmo setor que depositou suas esperanças segue quieto.

Contra essas capitulações desse setor em apoiarem e botarem expectativas em alternativas reformistas de conciliação de esquerda, a Fração Trotskista-Quarta Internacional (FT-QI), da qual o MRT faz parte, esteve na linha de frente em defender uma posição de independência de classe. O fato de que esse setor fez isso repetidamente sem nenhum balanço só mostra que esses setores estão prontos para cometer esses erros de novo e levar a classe trabalhadora a mais derrotas. Se faz urgente a construção de uma esquerda socialista e revolucionária que tenha princípios firmes de independência de classes e é nessa tarefa que nós do MRT nos propomos.




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