Sociedade

SARI CORTE REAL DÁ ENTREVISTA

Patroa acusada de negligência que causou morte de Miguel dá entrevista à Globo com terço nas mãos

Neste domingo, 5, Sari Corte Real concedeu uma entrevista ao Fantástico para falar pela primeira vez sobre a sua negligência em permitir Miguel, um garoto de 5 anos, de ficar sozinho em um elevador. A esposa do prefeito de Tamandaré, em Pernambuco, foi acusada por abandono de incapaz acompanhado de morte, podendo cumprir a pena de 4 a 12 anos.

segunda-feira 6 de julho| Edição do dia

A mãe de Miguel, Mirtes, ao levar o cachorro da patroa para passear e deixar seu filho aos cuidados dela, nunca imaginou que isso pudesse acarretar na morte de seu filho por negligencia de sua patroa. Ao voltar da rua encontrou seu filho caído no chão após ter se desequilibrado e caído do nono andar, a uma altura de 35 metros. Sari estava em casa fazendo as unhas e, após insistência, permitiu que o menino ficasse sozinho no elevador, sem se responsabilizar ou olhar se o elevador estava subindo ou descendo.

Para ouvir o depoimento, a delegacia abriu mais cedo que o horário do expediente por pedido da defesa, para evitar uma aglomeração e uma possível agressão à primeira-dama. Mas isso apenas mostra como a polícia se desdobra para “melhor atender” os ricos. Na entrevista, ela aparece com um terço nas mãos e uma correntinha com um pingente de Nossa Senhora sobre uma camiseta branca, demonstrando um visual inocente. Sari disse que ao deixar o menino sozinho no elevador, acreditava que, ao não encontrar a mãe, ele voltaria para o mesmo andar. Essa decisão é irresponsável pelo fato da criança ter apenas 5 anos de idade e nunca ter ficado no elevador sozinho sem o acompanhamento de um responsável. A mesma também afirma ter se preocupado em saber para onde o menino havia ido, mas em depoimento da manicure que estava presente no local, Sari voltou para casa para continuar a fazer as unhas.

É um absurdo que Mirtes estivesse trabalhando, durante uma pandemia, em um serviço nada essencial como o da faxina. É um absurdo que tenha que levar o filho para o trabalho, pois o Estado não dá assistência para as mães. É um absurdo a patroa ter largado o filho da empregada num elevador enquanto ela servia à família ou ficaria sem salário. É um absurdo que a pele negra siga morrendo pela exploração e violência desse sistema. É inimaginável o sofrimento de uma mãe com a perda de seu único filho.

É preciso muita mobilização para garantir justiça para Miguel, pois se depender da justiça, Sari provavelmente sairá impune. Protestos em Pernambuco já foram feitos exigindo justiça. É preciso gritar por justiça a Miguel e tantos outros que têm suas vidas ceifadas pelo racismo, seja pelas balas policiais, seja pelo descaso do Estado.

Vidas negras importam. Não esquecemos, não perdoamos!




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