Mundo Operário

14J CONTRA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Paralisações e atos em todos os Estados do país contra a reforma da previdência de Bolsonaro e do Congresso

No total, 26 Estados além do DF e 181 cidades tiveram demonstrações de completo rechaço aos ataques do governo Bolsonaro e à reforma da previdência, além de que em 111 dessas cidades houve importante paralisação de serviços, principalmente de transportes.

sábado 15 de junho| Edição do dia

Este dia 14 de junho abrigou nas ruas das principais capitais do país atos contra a reforma da previdência. No total, 26 Estados além do DF e 181 cidades tiveram demonstrações de completo rechaço aos ataques do governo Bolsonaro e à reforma da previdência, além de que em 111 dessas cidades houve importante paralisação de serviços, principalmente de transportes.

Foram repudiáveis as mostras de repressão em Porto Alegre, em São Paulo, no ato dos trabalhadores e estudantes da USP, no Rio de Janeiro e em distintas cidades. Exigimos a imediata liberdade de todos os presos que lutam contra a reforma da previdência. Também repudiável foram as ameaças do governador tucano João Dória, que chantageou os metroviários de SP com punições e até demissões.

Há enorme disposição em amplos setores da classe trabalhadora e da juventude para enfrentar e derrubar a odiada reforma da previdência. Certamente a jornada teria sido ainda mais forte, não fosse pela política divisionista das centrais sindicais (com a colaboração da UNE), que buscaram separar os trabalhadores e jovens, além de estarem negociando pelas costas das massas a destruição de nossas aposentadorias com nossos inimigos.

A manhã de hoje começou com diversas categorias paralisadas pelo país, especialmente nos setores de transporte, como metroviários de São Paulo e Belo Horizonte, os rodoviários de Salvador e do Distrito Federal. Petroleiros também cruzaram os braços contra a reforma da previdência e Universidades e Escolas aderiram à paralisação. 10 das 12 refinarias do país paralisaram, o Pólo Petroquímico de Camaçari, fábricas do ABC como a Volks, a Mercedes e diversas menores tiveram paralisações parciais, assim como a Randon em Caxias. Além de atos e cortes de ruas e estradas em diversos Estados e cidades.

Confira abaixo os atos contra a Reforma da Previdência, em defesa da educação e contra o autoritarismo da Lava-Jato que se alastram pelo país.

Em Belo Horizonte (BH) ocorreram diversas paralisações de categorias importantes de trabalhadores de serviços públicos, além de cortes e piquetes em avenidas, vias e rodovias.

Em Recife (PE), manifestantes ocuparam cerca de um quilômetro da Avenida Conde de Boa Vista, além de todo o trecho da ponte Duarte Coelho contra a reforma da previdência e os ataques à educação sob gritos contra a golpista e autoritária LavaJato e exigindo liberdade à Lula.

Em São Paulo (SP) manifestação concentrou-se no MASP e percorreu a Av. Paulista. Cerca de 4 quarteirões foram tomados por manifestantes. Mesmo a mídia tendo passado o dia inteiro em campanha contra os métodos tradicionais de luta dos trabalhadores como paralisações e piquetes, os metroviários receberam apoio da população.

Veja mais: Nem mídia consegue esconder apoio aos metroviários-SP no 14J contra a reforma da previdência

Ato no Rio de Janeiro percorreu as ruas do centro. Foram professores e estudantes do setor público, da educação básica e superior; mas também professores da rede privada de ensino, petroleiros, trabalhadores dos Correios, trabalhadores da FIOCRUZ, do IBGE e inúmeras outras categorias que aderiram à esta greve.

Manifestação em Curitiba (PR) se concentrou na Boca Maldita, tradicional centro de protestos na cidade.

Ato em Salvador (BA) se confrontou contra reforma da previdência, os cortes na educação e também pela forte denúncia contra a Lava Jato, seu golpismo e caráter autoritário.

Em Porto Alegre (RS), manifestantes se reuniram na Esquina Democrática, um dos principais pontos de concentração política na capital gaúcha, na Av. Borges de Medeiros, para protestar contra a reforma da previdência e os cortes na educação.

A jornada do 14J mostrou que há energia e disposição de combate em amplos setores da classe trabalhadora e da juventude para derrubar a reforma da previdência, com atos em todos os Estados do país, expressando a extensão nacional do repúdio à reforma neoliberal que quer destruir as aposentadorias de milhões.

Sem dúvida alguma, a paralisação pela manhã, e as manifestações pela tarde, teriam sido muito maiores, não fosse a política traidora das centrais sindicais. A UGT, que até há pouco mostrava abertamente que apoia a reforma da previdência do governo, desconvocou a participação dos rodoviários em SP e em distintas capitais do país. A Força Sindical, que também dirige importantes contingentes de rodoviários, não desconvocou, mas agiu como se tivesse: essa burocracia esteve alinhada com a declaração de seu deputado Paulinho, segundo o qual o objetivo seria "desidratar" a reforma, mas deixá-la passar. Vagner Freitas, da CUT (dirigida pelo PT), pediu a todos que "ficassem em casa", ao invés de saírem às ruas para dar uma demonstração de forças contundente contra o governo. Atende aos interesses dos governadores do PT (e do PCdoB) que apoiam a proposta de reforma da previdência feita pelo Congresso, e a querem em seus próprios Estados. Assumem para si a responsabilidade de parte importante dos ajustes neoliberais do governo, sendo impotente contra os ataques de Bolsonaro.

Em algumas capitais importantes como Curitiba e Recife os sindicatos de rodoviários, como o de São Paulo, também levantaram a greve. Mas os trabalhadores mesmo assim conseguiram paralisar os transportes nestas cidades. Em Belo Horizonte todas as 19 estações do metrô paralisaram completamente; em Recife o metrô parou também. Em Salvador, Curitiba, Londrina e Maringá os ônibus pararam, muitas das quais contra as direções sindicais que atuaram contra a paralisação. Essa disposição de luta, se enfrentando com as direções burocráticas mostram nossa força e potencial.

Fica claro que com essa disposição as manifestações mostra que há força para derrotar os ajustes do governo. Por que os atos não foram maiores? Porque as centrais sindicais subordinaram a organização do dia às negociações que levam adiante com Maia, o Centrão e o governo, em função de aprovar uma reforma da previdência "a seu gosto". As direções sindicais, não apenas as da Força Sindical e da UGT, mas as da CUT e da CTB (dirigidas pelo PT e o PCdoB), desenvolvem a visão de que é uma "vitória fruto da pressão sindical" o novo relatório da reforma da previdência apresentado pelo relator da comissão especial da Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP).

A proposta apresentada pelo relator Samuel Moreira atende a proposta dos governadores do nordeste, ou seja do PT e PCdoB, para que estes apoiem publicamente o imenso ataque à previdência. Com as alterações a fortuna que será desviada das aposentadorias para entregar aos donos da dívida passaria dos R$ 1,2 trilhão planejados por Guedes e Bolsonaro pela ainda gigantesca soma de R$850 bilhões, segundo algumas estimativas.

O ataque é enorme e representa, assim como a proposta da reforma da previdência de Bolsonaro, a destruição da aposentadoria de milhões de trabalhadores. Nessa proposta, não se alteram (em relação à proposta de Bolsonaro) o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a aposentadoria rural (permanece vinculada à Constituição qualquer mudança na previdência) e elimina-se provisoriamente o debate sobre a capitalização. Também não se altera a idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos está mantida e o corte no valor das aposentadorias. A regra que impõe um confisco ao valor das aposentadorias está integralmente mantida. A regra atual garante aposentadoria no valor da média das 80% maiores contribuições, ou seja, descarta 20% de menores valores, pela nova regra impõem-se a média simples e de todas contribuições.

Como se pode considerar uma "vitória" uma tal aberração? A reforma da previdência, nessa e nas versões "desidratadas" de Paulinho da Força, da deputada Tábata Amaral do PDT, e dos governadores do PT, é brutal contra os direitos da classe trabalhadora. A única coisa que essa conduta de "cantar vitória" demonstra é que as centrais sindicais seguem negociando com o Centrão e com Rodrigo Maia o nosso futuro pelas nossas costas. O senador Paulo Paim (PT-RS) chega ao absurdo de avaliar positivamente esse novo relatório da reforma da Previdência.

Nosso objetivo não é conseguir uma reforma "alternativa". É absolutamente vergonhoso o apoio dos governadores do PT e do PCdoB à proposta de reforma da previdência federal - para que seja aplicada nos Estados que governam - junto a todos os outros governadores da direita nacional. PT e PCdoB (além do PDT) assumem para si parte essencial dos ajustes neoliberais do governo Bolsonaro. Precisamos de um plano de luta sério até derrubar toda e qualquer reforma, inclusive a reforma "alternativa" do Congresso e dos governadores!

Diante dessa política vergonhosa, o PSOL, principal partido à esquerda do PT, deveria como mínimo romper com o bloco parlamentar que tem com o PT e denunciar essa política.

Não podemos separar a luta econômica da batalha política. Contra os ajustes neoliberais do governo e os cortes à educação, precisamos levantar um programa para que os capitalistas paguem pela crise. O governo quer uma nova "geração perdida", esmagada pelo desemprego e a precarização do trabalho (como nos serviços de aplicativo Rappi, iFood, etc.). Contra a reforma da previdência, exigimos o não pagamento da fraudulenta dívida pública, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial para atacar o flagelo do desemprego e da precarização na juventude.

Diante da crise aberta com a Lava Jato pró-imperialista, é preciso dizer: contra essa democracia manipulada por juízes politicamente interessados, exigimos que os juízes sejam eleitos pelo povo, revogáveis a qualquer momento e recebam o mesmo salário de uma professora, abolindo suas verbas auxiliares. Para acabar com a farra de empresários e políticos corruptos, que atinge todos os partidos dominantes, todos os julgamentos por corrupção devem ser realizados por júris populares, abolindo os tribunais superiores.

Defendemos a liberdade imediata de Lula, sem qualquer apoio político ao PT, que abriu caminho ao golpe institucional com sua estratégia de conciliação de classes

Consideramos que no caso de um desenvolvimento das mobilizações de massas contra os ataques neoliberais, em meio à crise do governo com o escândalo da Lava Jato, a tarefa da esquerda deverá ser elevar as aspirações das mesmas colocando a necessidade de lutar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que se contraponha a todo tipo de soluções bonapartistas, com um programa de demandas democrático-radicais, anticapitalistas e anti-imperialistas como o não pagamento da dívida pública, a expropriação dos grandes latifundiários e dos principais recursos estratégicos da economia sob controle popular e outras medidas que respondam às demandas mais sentidas das camadas exploradas e oprimidas, em defesa dos setores oprimidos, mulheres, negros, LGBTs. Um luta dentro da qual possam surgir as forças para batalhar por um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo, baseado em organismos de democracia direta das massas.




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