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Paralisação inédita Brasil e Argentina: um passo de união dos dois maiores proletariados da América do Sul

Pela primeira vez entregadores de diferentes países se unem em um só dia de paralisação internacional, em ato inédito que resultou na unificação necessária dos dois maiores proletariados da América do Sul. Brasil, Chile, Argentina, Equador, Guatemala, México e Costa Rica se mobilizam no dia de hoje (01/07) em defesa das vidas e melhores condições de trabalho.

quarta-feira 1º de julho| Edição do dia

Imagem: Denny Cesare/Folhapress

Os dois maiores proletariados da América do Sul, que unificados ganham a impressionante força de dezenas de milhões de homens e mulheres, hoje deram uma pequena demonstração de como unidos somos mais fortes. Em inédito acontecimento, a paralisação de entregadores de app, o breque dos entregadores, demonstrou como as grandes multinacionais que dominam o mundo devem ser enfrentadas de forma internacional.

Sabemos como os entregadores de aplicativo são parte do setor mais precarizado da classe trabalhadora mundial. Os efeitos da chamada uberização do trabalho, que implica na retirada total de direitos, é sentida por esses trabalhadores, em sua maioria extremamente jovens, que já eram parte de uma parcela do proletariado que mais sentia os efeitos da crise econômica internacional. Com a pandemia, essa situação se escancarou de forma ainda mais brutal, com os entregadores de app sendo parte dos mais expostos ao vírus, sem nenhuma segurança garantida pelas empresas de entrega, que se negam inclusive a pagar qualquer tipo de seguro de vida ou acidente a esses trabalhadores.

Em todo o mundo, fazem parte de um enorme contingente de explorados que deixam suas vidas em cima das bicicletas e motos, recebendo um “salário” de miséria que mal consegue chegar ao final do mês. “Você imagina a tortura que é andar com fome carregando comida nas costas?” foi a tocante frase sentida por milhares pelo mundo que fruto do aumento do desemprego e da miséria, se arriscam todos os dias para poder sobreviver neste sistema.

No Brasil de Bolsonaro, vemos como o aumento da precarização do trabalho é parte de seu ódio contra os trabalhadores e a juventude, que em meio a pandemia tem ganhado contornos cada vez mais cruéis. Com a aprovação da MP da morte, essas condições passam a ser mais generalizadas e prometem destinar milhões a fome e a miséria. Estes trabalhadores de entrega são em sua maioria trabalhadores negros, que, como sabemos, são os que mais morrem com a pandemia. Que sempre estiveram nos postos de trabalho mais precários e hoje passam por jornadas de trabalho extremamente exaustivas sem nenhum direito trabalhista. Essa realidade é sentida por esses trabalhadores em diversos países do mundo, mostrando como a precarização do trabalho afeta em cheio a periferia do capitalismo.

Na Argentina, em que o governo de Alberto Fernández deixou claro que a prioridade é pagar os especuladores da dívida e esquecer as arbitrariedades dos capitalistas que comandam o serviço de entrega, essa importante paralisação foi aprovada em assembleia virtual que contou com a presença de centenas de entregadores independentes e de diversas agrupações como a “La Red” (Rede de Trabalhadores Precários) que reúne trabalhadores precários e informais.

A unificação internacional de trabalhadores ganha um nível elevado de importância pois é parte justamente de mostrar como a classe trabalhadora é uma só em todo o mundo, e quando se unifica, pode atacar os lucros dos patrões de maneira muito mais profunda. Contra todo tipo de chantagem que tais empresas de entrega podem fazer contra os trabalhadores de determinado país, sua unificação internacional mostra quem são os que de fato controlam tudo.

Esse passo de união extremamente significativo é parte de um processo profundo de levante contra a barbárie a que nos destina esse sistema, que com a pandemia tem ganhado uma faceta cada vez mais cruel. São os trabalhadores que tem pagado com suas vidas pelo descaso dos governos, que tem como única preocupação o aumento dos lucros. Isso porque sabemos que se hoje são os entregadores que mais sofrem com a uberização do trabalho, esse processo de precarização tem como objetivo se generalizar de tal forma que atinja a classe operária de conjunto pelo mundo, aumentando a exploração e as condições de miséria e carestia de vida da maioria dos trabalhadores.

Em um momento de grandes convulsões sociais em que as mobilizações pelo Black Lives Matter contagiaram todos os cantos do mundo, mostrando a força da fúria negra que se levanta contra a polícia, uma paralisação como essa pode ganhar contornos ainda mais profundos. No Brasil, o forte contingente de trabalhadores de aplicativos são em sua maioria negros e lutar por melhores condições de trabalho para esses trabalhadores é parte de dizer que as vidas negras importam, basta de trabalho precário.

É parte dessa batalha, pela unificação internacional dos trabalhadores contra a precarização do trabalho que a rede internacional do Esquerda Diário, impulsionada pela Fração Trotskista pela Quarta Internacional tem atuado através de suas seções nacionais, no Brasil, o Movimento Revolucionário de Trabalhadores.

A classe trabalhadora não tem fronteiras e é essencial. Nossas vidas valem mais que o lucro deles!




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