REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Para professores, reforma pode roubar 15 anos de vida para o trabalho

O professorado foi elencado como principal inimigo do governo Bolsonaro, o que se expressa com força na reforma da previdência, que pode roubar até 10 anos de vida do professor para o trabalho.

Mariá Tubman

Brasília - DF

sexta-feira 22 de março| Edição do dia

O professorado foi elencado como principal inimigo do governo Bolsonaro muitas vezes. Sua predileção por ter como alvo os professores se demonstrou muitas vezes, desde o apreço pelo projeto Escola sem Partido até o golpe da reforma da Previdência, que pode roubar até 15 anos de vida do professor para o trabalho.

Atualmente, as condições e ambiente de trabalho dos professores são considerados prejudiciais à saúde e à integridade física acima dos limites de tolerância, de acordo com o decreto 3048/99. As turmas lotadas, a sobrecarga de tarefas exercidas fora da escola e a realidade de precariedade como um todo da escola pública são as bases desse decreto.

Devido a ele, hoje os professores precisam contribuir cinco anos a menos para se aposentar, desde que comprovem "exclusivamente, tempo de efetivo exercício em função de magistério na Educação Infantil, no Ensino Fundamental ou no Ensino Médio”. O tempo de contribuição em função do magistério é de 25 anos para mulheres e 30 anos para homem sem desconto de benefício (fora da aposentadoria especial, o tempo de contribuição é de, 30 e 35 anos). A idade mínima é de cinco anos a menos do que as regras gerais da aposentadoria, sendo de 50 anos para mulheres e 55 para homens. No setor privado, não há idade mínima, apenas tempo de contribuição.

Na reforma apresentada por Bolsonaro, os professores, coordenadores e diretores de escola perderiam o direito à aposentadoria especial, sendo todos forçados a se aposentar no mínimo aos 60 anos. Para as professoras, isso pode significar mais 15 anos de vida roubados para o trabalho! Se levamos em consideração a média de sobrevida da população trabalhadora do país e a péssima qualidade de vida que os salários dos professores impõe, muitas professoras e professores vão, de fato, trabalhar até morrer.

A revolta contra essa reforma atingiu em cheio os professores de São Paulo e Campinas, que contra o boicote das centrais sindicais, nesse dia 22 decidiu paralisar escolas e ir às ruas contra a reforma da previdência. Foi uma verdadeira aula à CUT e à CTB do que deve ser feito nacionalmente para derrotar a reforma da Previdência, que atinge em cheio os professores mas significa uma enorme perda de qualidade de vida para toda a classe trabalhadora, com a restrição de benefícios como a aposentadoria por invalidez, por miserabilidade, e a burocratização da aposentadoria rural que pode levar diretamente ao fim desse tipo de aposentadoria.

O exemplo da luta dos professores em São Paulo e Campinas deve se extender por todo o país, com uma paralisação nacional contra a reforma da Previdência, em base a um plano de lutas concreto organizado e apresentado pelas centrais sindicais, com assembleias de base capazes de transformar em organização a enorme revolta que atinge milhares de categorias operárias em todo o país.

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