Educação

PANDEMIA NO ES

Para garantir o lucro dos empresários, Casagrande anuncia volta às aulas no ES

Nesta sexta-feira (25), o governador Casagrande autorizou a volta às aulas presenciais no Espírito Santo do Ensino Médio a partir do dia 13 de outubro para as escolas estaduais, e para a educação fundamental, a partir do dia 5 de outubro, desprezando e colocando em risco a vida dos trabalhadores e estudantes.

domingo 27 de setembro| Edição do dia

Imagem: Helio Filho/ Secom

O estado do Espírito Santo conta com o escandaloso número de 128.265 contaminados e 3.485 óbitos por Covid-19. Como se não bastasse, sem critérios, reabrir a economia sem garantir testes e leitos para a população e anunciar um absurdo protocolo do que fazer em caso de mortes de professores e alunos, Casagrande anunciou o retorno das aulas presenciais, em meio da pandemia, quando sabe-se que muitas escolas não possuem estrutura digna e adequada, sem condições sanitárias, nem antes da pandemia, ainda mais no cenário atual, para implementar medidas que impeçam o contágio do Covid-19, colocando em risco a vida de trabalhadores e estudantes.

Quem irá garantir que os protocolos e medidas sanitárias serão cumpridos? Quem garante que os professores que apresentaram atestado terão condições de permanecer em casa realizando seu trabalho sem serem demitidos e sabendo que muitos não têm condições materiais como uma boa internet e um bom computador para prosseguir com as aulas? Para além dessas questões urgentes, precisamos seguir lutando contra esse modelo de ensino, que precariza as condições de trabalho, que já vem expressando que não dá conta de abarcar todas as necessidades de um processo de aprendizagem, e que se aprofundam questões pertinentes a debatermos quando falamos de crianças. 

No protocolo de retorno às aulas, consta que se o aluno for de grupo de risco, a escola precisará continuar ofertando atividades remotas. Isso significa que, além de se arriscar e dar aulas presencialmente, o professor também terá que elaborar vídeo-aulas para os alunos que estiverem em casa, tendo assim um trabalho dobrado e sem receber a mais por isso. Não podemos nos enganar quanto ao caráter do que se trata essa reabertura das escolas e retorno às aulas, seja presencialmente ou através do ensino remoto, que por trás de toda demagogia que fazem os políticos, estão na verdade defendendo que os trabalhadores sigam cada vez mais explorados para que não afete o lucro do patrão. 

Nesta quinta-feira (24), coletivos e movimentos sociais realizaram ato em frente ao Palácio Anchieta, contra a volta às aulas sem vacina, e realizaram um abaixo-assinado, contando com mais de 6.000 assinaturas. Apesar dessa movimentação e exigência de alguns setores por uma posição do SinproES e SindiupES, é preciso lutar que coloquem sua força em luta e organizem já assembleias para que a comunidade escolar possa se colocar, já que os sindicatos são fortes ferramentas e que devem estar nas mãos dos trabalhadores. É necessário batalhar com muita potência para efetivamente construir a mobilização junto a base para que a greve se concretize e se fortaleça. Para que seja a comunidade escolar que decida quando e como retornar às aulas.

Em meio às eleições, os governadores do Espírito Santo e os atuais candidatos da extrema direita e direita continuam colocando a população em risco e o lucro acima da vida para manter vigente esse regime apodrecido, enquanto a enorme maioria dos partidos de esquerda seguem se adaptando ao regime sem apresentar um programa que realmente se enfrente com os ataques do governo Bolsonaro, Mourão e Militares e todos os atores desse regime, e demonstram que também não são uma alternativa para a classe trabalhadora, quando seguem a política de conciliação e alianças com a burguesia. Devemos lutar para que seja os capitalistas que paguem pela crise no ES, debatendo quais as tarefas da esquerda e como nossa luta, seja no parlamento, seja nos sindicatos, nos espaços de estudo e trabalho, esteja realmente a serviço da classe trabalhadora de conjunto e da população pobre. 

É por isso que o Movimento Revolucionário dos Trabalhadores e a Juventude Faísca se posiciona contra o retorno das aulas presenciais sem as medidas sanitárias necessárias, sobretudo, batalhando para que seja a comunidade escolar que decida quando e como retornar às aulas.

Nossas vidas valem mais que o lucro deles!




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