GREVE DE PETROLEIROS

Para a greve dos petroleiros vencer é urgente que a CUT mude sua orientação imediatamente

Em meio à primeira greve nacional de petroleiros no governo Bolsonaro, a CUT chamou como próxima ação uma panfletagem apenas para o dia 14. Enquanto isso a empresa está tomando mais medidas para tentar atacar o movimento, entrando com ações no TST, organizando o corte de salário de grevistas, espalhando mentiras sobre a suposta ilegalidade da greve. Cada dia que passa a data de demissão de mil trabalhadores em Araucária se aproxima e se torna mais e mais urgente que a greve se torne uma “grande causa nacional”.

Marcello Pablito

candidato a vereador em São Paulo, pela Bancada Revolucionária de Trabalhadores.

terça-feira 4 de fevereiro| Edição do dia

A categoria pode vencer o plano privatista de Bolsonaro e para isso é preciso que as centrais sindicais cerquem o movimento de solidariedade e organizem manifestações reais em cada local que estão!

Os petroleiros, no quarto dia de greve com cada vez mais adesão das bases e com mais plataformas e terminais realizando assembleias, estão protagonizando o mais forte enfrentamento nacional da categoria no governo Bolsonaro. Desde ontem a greve já começou a ser organizada nos sindicatos da FNP que não estavam em greve. Todas as bases operacionais do país ou já estão em greve ou no mínimo tem data agendada para entrar no movimento, de alguma maneira. A greve se enfrenta com a demissão de mais de 1000 empregos na Fábrica de Fertilizantes de Araucária no Paraná (FAFEN) e com o projeto de entregar nossas riquezas nacionais ao capital estrangeiro. A luta da categoria, tal como foi em 1995, pode ser um ponto de inflexão contra as privatizações.

A mobilização está ocorrendo em um momento de aprovação de reformas como a da previdência no qual há um “consenso geral” de Bolsonaro, Guedes e dos capitalistas em acabar com os direitos trabalhistas e entregar os recursos do país para o imperialismo. Ela pode barrar as demissões no Paraná e a partir disso oferecer um freio a todo o projeto privatista, mas para isso precisa avançar e se tornar uma causa nacional.

Frente a esse cenário, as centrais sindicais, especialmente a CUT, que é a maior do país, precisam urgentemente cercar a greve dos petroleiros de solidariedade, mudando sua linha de apenas soltar notas jornalísticas sobre a mobilização e chamando um apoio ativo de outras categorias, ao invés de chamar apenas uma panfletagem em pontos do INSS para o dia 14. Uma ação – de panfletagem somente e daqui a 10 dias (!)- exatamente no mesmo dia que mil trabalhadores serão enxotados de seus locais de trabalho na FAFEN. É preciso generalizar a greve e seu apoio, fazer com que ela doa no bolso dos acionistas privados e estrangeiros, que afete a produção de combustíveis, e garanta os empregos de todos trabalhadores.

Nesta segunda-feira, 3, a CUT publicou uma nota sobre um ato contra Bolsonaro na Av. Paulista na qual nem citou a greve. Na nota, Juvândia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, afirmou: “Temos que protestar. Não é um problema só dos metalúrgicos, dos químicos ou dos bancários. É de toda a sociedade. Só chamando atenção a população, cobrando mudança é que vamos fazer o Brasil retomar o crescimento, com geração de empregos de qualidade”. Por quê, então, não organiza essas categorias em solidariedade aos petroleiros, com grandes campanhas pelo país em apoio à greve? Porque não tomaram nenhuma ação em apoio a essa greve?

Na mesma nota, Sérgio Nobre, presidente da central sindical, em uma declaração absurda disse cinicamente que mandou um recado à Fiesp afirmando que tem “respeito a muitos diretores dessa entidade” porque já negociou direitos dos trabalhadores com vários deles.

Sabemos que não é declarando respeito aos dirigentes dos patos da Fiesp que foram pilar para o golpe institucional que a central sindical vai se colocar lado a lado dos petroleiros. Para isso, é preciso combater junto com a categoria em greve esse “consenso” burguês que para além de Bolsonaro chega até nos governadores do PT, que apoiaram a reforma da previdência e agora estão buscando aprová-las estadualmente, como faz Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte.

Os petroleiros, com o potencial da categoria, estão mostrando disposição de se enfrentar com os planos entreguistas do governo e podem vencer a greve. Para isso precisam que a CUT com seu grande alcance em todo o país organize o apoio de toda a classe trabalhadora em cada unidade em que está para ajudar a romper o cerco midiático à mobilização, que denuncie as medidas antissindicais da empresa de norte a sul do país, e, junto com a UNE, organize manifestações reais em solidariedade à categoria. Os petroleiros podem e precisam vencer. A derrota das privatizações e das demissões podem inspirar os trabalhadores e a juventude em todo o país, por isso é urgente deixar de lado o elogio à FIESP, deixar de lado uma ação para constar daqui a 10 dias, e agir com toda a força agora. A CUT precisa tomar um lado, o dos petroleiros ou dos patos da FIESP.




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