Juventude

CRISE DA EDUCAÇÃO

Professores da rede estadual em greve e estudantes da unesp constroem lutas em araraquara

G. P.

Araraquara

sábado 16 de maio de 2015| Edição do dia

Desde o dia 13 de março (início da greve dos professores do Estado de São Paulo) até hoje vemos uma nova gama de ativistas lutando pela educação pública. Com mais de 60 dias em greve, os professores lutam pela reabertura de 3900 salas, pelo reajuste salarial igual à inflação (dissídio), cobertura do IAMSP para todos os professores e fim da “duzentena” para os professores categoria O. Em concomitância à greve dos professores se seguia uma campanha pela revogação das 17 expulsões dos estudantes da UNESP de Araraquara. Estudantes que lutaram por permanência estudantil e por ensino superior público de qualidade.

Com o desenrolar da greve, uma parcela dos estudantes universitários apoiaram ativamente a luta em defesa da greve dos professores. Com isso se desenrolou uma aliança efetiva de estudantes e trabalhadores que se torna necessária em um contexto de crise geral da educação em que o governo federal corta 7 bilhões da educação, 30% dos orçamentos das universidades federais, chama a campanha publicitária “Ajustar para avançar”, e no dia 26 de abril, por meio da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) do governo Dilma, propôs reformas profundas na educação com propostas como parcerias-público-privadas com Organizações Sociais (OS) e Sociedades de Ação Específica.

Em Araraquara, tanto estudantes secundaristas quanto universitários construíram inúmeros atos a partir dos seus locais de estudo, como o 26M chamado pela oposição de esquerda da UNE e a ANEL, duas aulas públicas na praça Santa Cruz e o ato no dia 30 de março chamado pelos estudantes secundaristas. Em solidariedade ativa foi construído ato no dia 15 de abril contra a lei que autoriza a terceirização dos postos de trabalho nas atividades-fim, PL4330. Para a construção destes atos foi de fundamental importância a passagem de sala em sala na faculdade de ciências e letras da UNESP, que conseguiu trazer mais de 150 pessoas para o ato contra a PL4330 e a solidariedade ativa às pautas dos professores.

Professores e estudantes, fizemos passagens em sala, panfletamos e debatemos com outros estudantes sobre como a precarização das licenciaturas nas universidades é um ataque à educação básica e de como estudantes formados que iniciarão suas carreiras como professores sentirão na pele as brutais condições sob as quais são mantidas as escolas públicas e as condições de trabalho dos professores, que adoecem, recebem muito pouco e não são preparados nas universidades para enfrentar salas superlotadas e falta de materiais, e como o cenário somente irá piorar com a aprovação do PL4330.

Discutiu-se também sobre como são tratados aqueles que se levantam contra esse descaso com a educação, seja nas universidades ou nas escolas: com repressão! Com bala de borracha e gás lacrimogêneo no caso dos professores do Paraná. No caso dos professores de SP com corte dos salários. No caso da UNESP, 17 expulsões e perseguição política!

O exemplo dos professores do Estado de São Paulo, em Araraquara, questiona toda uma tradição sindical corporativista no Brasil; ou seja, sindicatos que lutam apenas por suas campanhas salariais. Se colocando em aliança com estudantes e entendendo a luta estudantil em defesa de licenciaturas e os cursos de pedagogia, da educação de base e o combate à repressão de forma unificada e buscando correlação de força com estudantes. Resultou no dia 3 de maio a manifestação de apoio e vídeo da turma noturna do curso de pedagogia da UNESP de Araraquara.

No dia 30 de abril, o mesmo governador, junto com a Reitoria da UNESP, que expulsou 17 estudantes, cortou os salários dos professores do Estado. Com isso a luta dos professores acentuou e demandou maior aliança entre estudantes e professores que construíram um calendário de mobilização juntos tanto para com seus atos em frente das escolas, construção do ato pela revogação das 17 expulsões, quanto para o “protocolaço” e a festa do comando de greve “de que lado você samba” para arrecadar fundos para suprir suas necessidades básicas devidas o corte de ponto. Na mesma semana, a contribuição com passagem de sala em sala conseguiu que 25 pessoas, entre professores e estudantes, se somassem ao ato contra o corte de ponto na diretoria de ensino de Araraquara no dia 6 maio, dando uma primeira mostra do potencial dessa aliança na cidade. Também fortaleceu a campanha contra as 17 expulsões, convencendo 80 estudantes da UNESP-Araraquara a construírem o ato dia 7 em SP que barrou a expulsão, apesar de terem sido mantidos 180 dias de suspensão para esses estudantes e a reabertura das 31 sindicâncias na UNESP de Rio Claro. Mostrou-se tanto a força dessa aliança como também que a luta continua, também contra a repressão aos lutadores.

Na mesma quinta-feira (7) à noite, a festa para o fundo de greve dos professores reuniu cerca de 200 pessoas. Demonstrou como podemos politizar festas, em meio a samba tínhamos palavras ordem como “para barrar a precarização. Greve Geral, piquete ocupação”, “professor é meu amigo. Mexeu com ele, mexeu comigo”.

Em meio ao processo, professores de Araraquara em greve tomaram a pauta pela revogação das 17 expulsões como suas e foram de fundamental importância para construção da revogação das 17 expulsões da UNESP que reuniu graças a eles 300 estudantes do estado inteiro na frente da reitoria, no 7 de maio. Esta aliança que permitiu esse importante passo para o movimento estudantil mostrou que o caminho para acabar com a repressão aos lutadores e transformar radicalmente a universidade é fortalecer essa aliança entre estudantes e trabalhadores.




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