Política

CRISE POLÍTICA

PMDB do RJ rompe com governo Dilma

O vice-presidente Michel Temer segue buscando garantir uma vitória expressiva na reunião do diretório nacional do PMDB, marcada para terça-feira, em que deve ser oficializado o rompimento do partido com a presidente Dilma Rousseff, passo considerado fundamental para o impeachment da petista. Temer ainda não confirmou sua presença na reunião do diretório na próxima terça-feira, pois o vice da declarou que prefere não presidir o encontro que deve beneficiá-lo. A direção dos trabalhos caberia ao primeiro vice-presidente do partido, senador Romero Jucá (PMDB-RR), favorável ao impeachment.

sábado 26 de março de 2016| Edição do dia

Diante das investidas da cúpula do governo, Michel Temer decidiu na manhã de quinta-feira não viajar para Portugal. Em Lisboa, o vice-presidente participaria de um evento promovido pelo instituto de ensino jurídicos ligado ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com Temer envolvido diretamente nos bastidores da articulação, o PMDB do Rio de Janeiro anunciou nesta quinta-feira que irá votar pelo desembarque do governo. Os peemedebistas fluminenses sempre foram considerados estratégicos para o jogo do impeachment no Congresso. O Planalto deu mostras, contudo, que usará o poder que ainda tem para atrapalhar os planos de Temer. A edição do Diário Oficial de ontem trouxe a demissão do presidente da Fundação Nacional de Saúde, Antonio Henrique Pires, que é ligada ao grupo do vice-presidente.

A troca deixa claro que o Planalto resolveu abrir mão de negociar com os partidos para atender diretamente às demandas dos deputados, provocando uma série de divisões em todas as bancadas. O foco do governo é o universo de 172 votos, número mínimo necessário para impedir o impeachment.

Conforme o Estado publicou ontem, o Planalto decidiu apostar na oferta de cargos em primeiro e segundo escalão com dois objetivos iniciais: diminuir o impacto do provável rompimento do PMDB e evitar que esse episódio contamine o restante dos partidos da base de sustentação no Congresso.

"Qualquer voto que eles conseguirem no PMDB é lucro", disse o deputado Lúcio Vieira Lima (BA), integrante da ala a favor do impeachment. "Para nós, é importante aprovar o desembarque do partido para mostrar nossa força", completou.

O Planalto conta com a ajuda da maior parte dos atuais sete ministros do PMDB, que ocupam as pastas de Minas e Energia, Saúde, Agricultura, Ciência e Tecnologia, Turismo, Aviação Civil e Portos. Por ora, a maioria deles já se pronunciou que deseja permanecer no cargo.

Em reunião com a presidente quarta-feira a noite, eles apresentaram o quadro atual da disputa dentro do partido e comprometeram-se a não facilitar o rompimento liderado pelo vice-presidente. Mesmo durante o feriado, o grupo de ministros deverá realizar ligações para integrantes dos respectivos diretórios estaduais, no intuito de assegurar votos contra a debandada.

Temer irá atuar nos bastidores para garantir uma vitória expressiva na reunião do diretório. O grupo do vice acredita que pode conseguir 75% de apoio a favor do rompimento. O diretório é integrado por 119 membros, das 27 unidades da federação.

Do início do governo do PT até agora pouco, o PT somente fortaleceu e abriu espaço para o PMDB, que até então chamava de sua "base aliada". No RJ, onde tinha a mais forte bancada do PMDB como base aliada, pode agora se desmantelar todo o apoio que um dia esta base lhe ofereceu, que agora quer a cabeça de Dilma na busca pelo impeachment. Em todos estes anos, o PT, ao contrário de combater a direita,e os setores mais conservadores do congresso, apenas a fortaleceu com acordos espúrios de cargos e mais cargos em troca de favores políticos, inclusive quando estes favores significavam mais e mais ataques em cima dos trabalhadores e do povo pobre. Agora, na mão deles, comem o pão que o diabo amassou.

No RJ, da onde vem Eduardo Cunha que nunca tinha sido criticado no primeiro mandato quando era líder do PMDB no Congresso, foi o próprio Eduardo Paes, prefeito do RJ, quem protocolou o pedido de impeachment da presidente Lula no Mensalão quando era líder do PSDB na Câmara. Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do RJ, pai do "ex-governista" líder do PMDB na Câmara Leonardo Picciani, foi um dos grandes protagonistas da campanha "Aezão", que dividiu o apoio na campanha do governador Pezão com o voto em Aécio. Assim como eles, Sergio Cabral foi também um dos grandes aliados dos tucanos quando estes governaram o rio nos anos 90. Do alto deste histórico o PT confiava e não combateu estes aliados. Hoje, o partido que por muito tempo apareceu como "aliado" do PT, o PMDB pode ser determinante para a saída deste partido e do impeachment de Dilma. Na realidade, o PMDB sempre teve um lado mais tucano do que petista, e foi o PT que "se deixou enganar", ou tentou enganar a todos, buscando incessantemente um aliado forte para se localizar no governo. O tiro saiu pela culatra.

Para Diana Assunção "Nós do MRT defendemos que seja punida e investigada toda corrupção, e não somente dos petistas como quer a Lava Jato, por isto propomos que todo crime de corrupção seja julgado por juri popular, lutamos na primeira fileira contra o brutal ajuste de Dilma e do PT. Nos opomos a que este governo caia pela decisão de um poder que ninguém elegeu, como é o caso do Poder Judiciário, ou por um parlamento dominado pelos também corruptos do PMDB e do PSDB. Nos opomos à derrubada deste governo por camarilhas corruptas de parlamentares e da justiça como é o caso agora. Até agora a Lava Jato está dirigida apenas contra o PT e seus “empresários amigos”, mas há muitos indícios de que a corrupção também envolve os políticos da oposição, como veio sendo denunciado esta semana com as delações sobre a Odebrecht. Lutamos por uma Constituinte Livre e Soberana onde defenderemos que sejam adotadas medidas para que a crise seja paga pelos capitalistas, e onde também lutaremos por medidas democrático-radicais elementares como a revogabilidade dos mandatos pelos eleitores a cada momento que um governo entre em crise e por perder apoio dos que o votaram."

Com informações da Agência Estado




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