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LUTA DE CLASSES E O MRT | Os processos de resistência da classe trabalhadora e a atuação do MRT

Mesmo com a crise sanitária e econômica, em que os capitalista tentam atacar ainda mais a nossa vida, nos últimos meses vimos focos de resistência de trabalhadores contra essa situação e responder aos ataques e demissões das patronais e governos. O MRT, junto ao Esquerda Diário e a Juventude Faísca, veio atuando ativamente nesses processos e resumimos alguns exemplos neste texto.

terça-feira 18 de maio | Edição do dia

Em plena pandemia do coronavírus, o Brasil vive um dos piores cenários das últimas décadas. Com o governo Bolsonaro a classe trabalhadora brasileira vem sofrendo com as mais de 437 mil mortes pelo vírus, além do desemprego e a miséria, que vem assolando a população nos quatro cantos do país, com a fome batendo na porta de milhões de famílias. Ao mesmo tempo, Bolsonaro e todo o regime político golpista, com o Congresso, STF e governadores vem tentando descarregar mais ataques em cima das costas da nossa classe com cortes, reformas e privatizações. Em uma situação extremamente difícil e reacionária, onde a classe capitalista vem deteriorando ainda mais a vida dos trabalhadores para preservar seus lucros frente a crise econômica, vimos nos últimos meses focos de resistência contra essa situação, onde trabalhadores se organizaram em seus locais de trabalho para resistir aos ataques e demissões das patronais e também exigindo segurança sanitária e higiene, além de testes, EPIs, e principalmente a garantia da vacinação para todos.

O Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) esteve presente, atuando em alguns desses processos, nas categorias onde estamos presentes com nossa militância, mas também em outros processos em que atuamos através do Esquerda Diário, colocando o diário a disposição dessas lutas, e com nossos militantes participando ativamente, prestando solidariedade, colaborando e atuando ao lado dos trabalhadores que se mobilizam.

Em São Paulo uma das categorias que seguimos batalhando dentro da mobilização é a dos metroviários, trabalhadores de um serviço essencial que vieram sofrendo com os ataques de Doria de privatização e as ameaças de retirada dos seus direitos, demissões e até mesmo a disposição do governo de atacar a organização sindical, tentando retirar a sede do sindicato. Sem falar no risco que os metroviários passam todos os dias, sem parar sequer um dia desde o início da crise pandêmica, trabalhando presencialmente com os vagões lotados de milhares de passageiros e tendo que batalhar por equipamentos de segurança. Esses trabalhadores estão mostrando nesse momento muita disposição para lutar contra essas arbitrariedades do governo, como ficou marcado na forte manifestação que ocorreu no dia 11 de maio com centenas de metroviários, que tomaram as ruas em um ato, puxado pelos trabalhadores do setor de manutenção do metrô, e como pode ser na semana em que publicamos esse artigo, já que se o metrô não recuar nos ataques os trabalhadores indicam que podem paralisar as atividades. A corrente Nossa Classe, impulsionada pelo MRT e independentes, que forma a chapa 4 do sindicato de metroviários, veio travando uma forte batalha contra as burocracias das correntes majoritárias da direção, com seus diretores e componentes exigindo que as assembleias fossem democráticas, abrindo direito a fala para a base da categoria, mesmo que não haja possibilidade de assembleias presenciais. Batalham contra os ataques com um programa que defende o corte dos supersalários da gerência, os subsídios das linhas privadas e exigindo vacinação para toda a população.

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Também pelo Nossa Classe Educação e o Esquerda Diário, o MRT está presente na luta dos professores de São Paulo contra os governos de Doria e Ricardo Nunes (antes com Covas) e também na luta dos professores municipais de Belo Horizonte, contra o prefeito Kalil. Os professores dessas cidades e estado iniciaram greves contra o retorno inseguro das aulas presenciais imposto pelos governos, sem qualquer garantia de segurança, testes massivos ou vacinação para os educadores. Nossos professores seguem batalhando pela unificação dessas lutas contra esse retorno autoritário e contra os ataques ao direito de greve, como o absurdo corte de ponto feito por Doria e Covas aos grevistas da rede estadual e municipal de São Paulo. Assim como em Belo Horizonte, colocamos a importância dessa unificação entre as trabalhadoras efetivas e terceirizadas da educação. Também exigindo que a mobilização da categoria fosse organizada na base, com assembleias democráticas, virtuais ou presenciais, incentivando a auto organização dos trabalhadores da educação, para tomarem a luta em suas mãos contra as burocracias sindicais que limitam e dividem a luta, como faz a Apeoesp e Sinpeem, e exigirem que as comunidades escolares possam decidir como e quando retornar as aulas presenciais com segurança, e impor comissões de segurança e higiene nas escolas compostas pelos membros das comunidades escolares.

Com a crise econômica vimos grandes empresas descarregando os efeitos dela nas costas dos trabalhadores, como foi na fábrica da LG e das 3 fornecedoras, Suntech, Bluetech e 3C, na cidade de Taubaté-SP, onde a empresa anunciou o fechamento da unidade, colocando dezenas de trabalhadoras efetivas e terceirizadas na rua. As trabalhadoras não aceitaram sem luta essas demissões e iniciaram uma greve, paralisando a produção que seguia na fábrica, com a patronal querendo explorar e lucrar o máximo que podiam em cima das funcionárias antes de fechar as portas. Através do Esquerda Diário e da nossa militância, mesmo de outras categorias em luta como o metrô e professores fomos parte desse processo, cobrindo e cercando de solidariedade a mobilização contra a LG, mas também fomos parte de batalhar junto às trabalhadoras para unificar a luta nas 4 fábricas que foram anunciadas para serem fechadas. Unificação essa que foi impedida pela burocracia sindical da CUT, que dirige o sindicato da fábrica direta, o sindicato de Metalúrgicos de Taubaté. Ainda assim, as trabalhadoras terceirizadas conseguiram arrancar da patronal o direito à indenização pelas demissões, com valor aproximado das trabalhadoras diretas, mostrando que a defesa da unificação das lutas era realmente correta, e se não tivesse sido impedida pelas direções poderia ter arrancado ainda mais dos patrões, com as mãos fortes dessas mulheres trabalhadoras.

Leia também: Greve das trabalhadoras da LG é encerrada, mas terceirizadas seguem sua luta. Todo apoio!

As mobilizações e focos de resistência de trabalhadores perpassam diversas categorias, inclusive das dos trabalhos essencial, como vimos no metrô, mas também na saúde. Em fevereiro desse ano, mais uma vez com mulheres à frente, as trabalhadoras e trabalhadores do HU da USP organizaram uma forte greve que teve amplo apoio interno para garantir que todos fossem vacinados: efetivos e terceirizados, temporários, residentes e estudantes da saúde, além de denunciar a falta de vacina para toda a população. Pouco antes, em janeiro, mais de 50 trabalhadoras terceirizadas da limpeza da Faculdade de Odontologia da USP receberam a notícia que muitas seriam demitidas, mas decidiram resistir à investida da empresa e não aceitar nenhuma demissão. Em luta, reverteram todas as demissões. O MRT, junto ao Nossa Classe e os estudantes da Juventude Faísca, tem um importante histórico de atuação entre os trabalhadores da USP, e nessas duas batalhas não foi diferente. Seguem com a intransigente batalha para unificar efetivos e terceirizados, contra os desmandos dos governos, contando com a experiencia dos trabalhadores que há anos conhecem a USP, mas também com a importante renovação de ativistas da categoria.

Veja mais: Lições da Greve das Trabalhadoras do Hospital Universitário da USP: a luta por vacina para todos

No país em que a pandemia atingiu níveis absolutamente criminosos por culpa dos governos, tem sido uma constante que os trabalhadores da saúde precisem se mobilizar exigindo o mínimo, seus salários e condições de trabalho para salvar a vida da população que padece. Em Recife as trabalhadoras e trabalhadores da saúde saíram em protesto por seus direitos básicos, e o Esquerda Diário esteve presente, dando voz às denuncias e palavras de ordem da categoria, para que essa importante resistência seja acompanhada e coberta de solidariedade.

No Rio Grande do Sul já no final do ano passado, vimos a mobilização dos rodoviários contra a demissão de Digão, trabalhador delegado sindical e umas das principais lideranças da greve histórica dos rodoviários de Porto Alegre em 2014, que paralisaram toda a cidade durante três semanas. Digão foi um demitido político por ter organizado na garagem de ônibus onde trabalhava, seus colegas para não aceitarem o ataque que a patronal queria impor de redução salarial sem redução da jornada de trabalho durante a pandemia, um ataque garantido com a MP da morte de Bolsonaro. No mesmo dia em que foi demitido, os colegas de Digão paralisaram e deixaram os ônibus nos terminais. A juventude Faísca também esteve nesse processo apoiando a paralisação dos rodoviários e mostrando a importância da unidade entre estudantes e trabalhadores. O Esquerda Diário impulsionou uma campanha ampla, em diversos estados, pela readmissão de Digão e pela revogação do plebiscito que aprovava os ataques da MP na categoria. Dezenas de trabalhadores e estudantes se somaram com uma campanha de fotos nas redes sociais em solidariedade a Digão e os demais trabalhadores da Tinga, em Porto Alegre. Figuras parlamentares como Fernanda Melchionna, Roberto Robaina e Pedro Ruas se somaram à campanha do Esquerda Diário, com vídeos de apoio.

Também no final do ano em Brasília os trabalhadores eletricitários aqueceram seus motores. Atuamos ombro a ombro com os trabalhadores da CEB (Companhia Energética de Brasília) na luta contra a privatização e a precarização deste serviço essencial, em cada assembleia e passeata. E seguimos, mais recentemente nos juntamos à defesa da ocupação CCBB contra os despejos racistas e higienistas, utilizando brutal violência policial. Ambos os ataques protagonizados pelo governador milionário e direitista Ibaneis Rocha, que no morde e assopra com Bolsonaro, na prática estão sempre juntos para que os empresários lucrem e os trabalhadores e o povo pobre pague.

Nas últimas semanas vimos mais uma barbaridade com a chacina na comunidade do Jacarezinho no Rio de Janeiro, feita pela Polícia Civil na maior operação policial na história do Brasil. A violência racista da polícia e o assassinato sistemático da população pobre e negra nos morros carioca ocorrem há décadas e é tão aplaudida e elogiada por Bolsonaro, Mourão e a extrema direita, quantos por governadores e prefeitos pelo país. Nesse último dia 13 de maio, dia que marca a abolição da escravidão no país há 133 anos, milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades do país exigindo justiça por Jacarezinho. Desde os primeiros protestos e mobilizações no Rio de Janeiro em rechaço a operação policial e aos assassinatos, a professora Carolina Cacau, que também é militante do Quilombo Vermelho e do MRT esteve bastante presente, se juntando a população que chora, mas que se levanta pedindo justiça por Jacarezinho. Carolina Cacau e o MRT se somaram aos atos colocando a necessidade de lutar por uma investigação independente, imposta pela mobilização dos negros junto aos trabalhadores, pelo fim dos autos de resistência, por punição aos assassinos, pelo fim das operações policiais nas favelas e o fim dessa instituição racista.

Em todos esses processos o MRT e o Esquerda Diário atuaram para dar voz aos trabalhadores que resistem aos ataques, e a população que luta contra a opressão e a violência do estado capitalista. Batalhando nos locais em que estamos pela auto-organização da nossa classe e pela unificação de todos os focos e processos de resistência, para que juntas possam se transformar em uma grande luta nacional contra Bolsonaro e Mourão, e os demais setores do regime golpista como STF, Congresso, e os governadores, que também descarregam os efeitos da crise sanitária na nossa classe. Colocando sempre a necessidade levantar um programa anticapitalista, de independência de classe para enfrentar os ataques. Ao mesmo tempo batalhando por uma saída que deixe em xeque esse regime político do golpe institucional, nessa perspectiva defendendo a necessidade de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, imposta pela luta para mudar as regras do jogo e desse regime degradado e não esperar até 2022 para derrotar Bolsonaro, como faz hoje o PT e mesmo os partidos de esquerda, enquanto milhares seguem morrendo de Covid e de fome no país. Seguimos fazendo um chamado às correntes de esquerda, como foi no metrô de São Paulo, para forma um polo anti-burocrático e batalhar contra as direções sindicais, principalmente pela CUT que dirige grande parte dos sindicatos do país, que tentam conduzir toda a revolta e indignação dos trabalhadores para uma estratégia eleitoral sem organizar efetivamente a luta das categorias que resistem, em unidade com os movimentos sociais e a juventude, o que poderia colocar novamente a classe trabalhadora em movimento no país.

Nossa luta também está ligada a todos os processos internacionais que vem ocorrendo. Como a rebelião na Colômbia contra os ajustes do governo de extrema direita, aliado de Bolsonaro, e a repressão violenta da polícia nesse país. Contra o massacre que o Estado sionista de Israel está fazendo com o povo palestino. Por isso, nossa batalha é aqui no Brasil levantar uma bandeira de apoio e solidariedade a esses processos, e que essas lutas sirvam de exemplo para seguirmos o mesmo caminho para derrotar Bolsonaro, Mourão e os golpistas. Somos uma só classe!

Veja também: EDITORIAL: Um debate de estratégia com a esquerda a partir da chacina do Jacarezinho




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