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"Os judeus são os culpados": ocorrem atos neonazistas em Madrid em homenagem às tropas fascistas

Cerca de 300 neonazistas marcharam no último sábado, 13 de fevereiro, até o cemitério de Almudena, em Madri, em homenagem à Divisão Azul de Franco. O governo que permitiu esta infame manifestação em Madrid é o mesmo que deu sinal verde à prisão do rapper Pablo Hasél por ter criticado a monarquia e que proibiu manifestações de esquerda.

terça-feira 16 de fevereiro | Edição do dia

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Marcha neonazista em homenagem aos mortos da Divisão Azul em Madrid, no sábado 13 de fevereiro de 2021 / EFE / VÍCTOR LERENA / VÍDEO: EFE

Gritando "Avante Espanha" e "os judeus são os culpados e a Divisão Azul lutou contra eles", cerca de 300 nazistas se manifestaram neste sábado em Madri em uma marcha em homenagem aos mortos da Divisão Azul, um destacamento militar ibérico que lutou ao lado da Alemanha nazista.

O evento comemorou o 78º aniversário da Batalha de Krasny Bor, na qual a divisão espanhola participou a serviço do nazismo. Nas palavras dos oradores foi possível ouvir que “é nosso supremo dever lutar pela Espanha e pela Europa, que agora se encontram fracas e liquidadas pelo inimigo, que é sempre o mesmo mas com máscaras diferentes: o judeu! Nada é mais correto do que essa afirmação ". A oradora, vestida com uma camisa azul, continuou: "O judeu é o culpado e a Divisão Azul lutou contra eles para livrar a Europa do comunismo, que é uma invenção judaica."

Tais discursos eram proferidos em praça pública. Curiosamente o Ministério Público Estadual eleito pelo atual governo "progressista", nada fez em relação a essa manifestação, mas deu sinal verde à prisão do rapper Pablo Hasél por ter criticado a monarquia e a polícia.

Outro dos oradores foi Ignacio Menéndez, advogado da extrema-direita e co-autor dos assassinatos de Atocha Carlos García Juliá. Ele fez uma incitação ao não cumprimento do toque de recolher e disse "reúnam-se com suas famílias e amigos, mesmo que sejam mais de seis pessoas, como estamos hoje aqui. Se abraçem, cantem, e vivam com alegria porque fascismo é alegria, camarada ”.

A Federação das Comunidades Judaicas da Espanha (FCJE) abriu um pedido de investigação de crimes de ódio pelas "graves acusações" e insultos que foram lançados contra os judeus no sábado. Através da publicação de um comunicado, a comunidade judaica considerou "inadmissível" que "em um estado de plenos direitos e uma democracia sólida como a Espanha, essas acusações fiquem impunes".

Recordemos que a Delegação do Governo de Madrid permitiu esta infame e absurda manifestação ao mesmo tempo que proibiu uma manifestação de aposentados e também um ato em defesa dos serviços públicos convocada por mais de 100 organizações.

A extrema direita e o regime herdeiro de Franco

O crescimento da extrema direita é uma realidade política em toda a Europa e em particular na Espanha. Em conversa com o La Izquierda Diario, Lucía Nistal, porta-voz da Corrente Revolucionária dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Madrid, destacou que “Não podemos dar-lhes as ruas ou permitir que capitalizem o descontentamento social desta crise histórica do capitalismo. Esse descontentamento vem crescendo como consequência das constantes políticas neoliberais do governo do PSOE e do Unidas Podemos que não satisfazem as necessidades de milhares de trabalhadores. Tais políticas servem apenas de resgate a grandes empresas e aplicam mais controle policial e repressão social ”.

A extrema direita do Estado espanhol, desde os grupos neonazistas até os mais moderados, aproveitam qualquer oportunidade para ocupar as ruas tentando se mostrar como a única “oposição” ao governo do PSOE e do Unidas Podemos. “Nós que fazemos parte da esquerda socialista e revolucionária, que nos dizemos antifascistas e anticapitalistas, devemos expressar claramente nossa rejeição às suas políticas. Não podemos permitir que a extrema direita seja a oposição ao governo porque uma boa parte da “esquerda" está no próprio governo e politicamente subordinada ao PSOE".

“Não há outra forma de lutar contra a extrema direita do que uma grande frente única da classe trabalhadora e suas organizações para se enfrentar eles nas ruas, com um programa operário e anticapitalista que contemple as demandas democráticas mais elementares como o direito de protestar e o direito de decidir, entre outros ”, concluiu Nistal.

Traduzido de: http://www.laizquierdadiario.com/El-judio-es-el-culpable-acto-de-neonazis-en-Madrid-en-homenaje-a-tropas-fascistas




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