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RIO GRANDE DO SUL

Os escandalosos privilégios dos políticos de Cachoeirinha e a forte greve dos servidores

Nepotismo, privilégios, violência e muita luta em Cachoeirinha - RS, cidade cujo prefeito recebe o maior salário do país.

quarta-feira 5 de abril de 2017| Edição do dia

Os servidores de Cachoeirinha – RS estão em greve há mais de um mês contra o pacote de ataques da prefeitura que visa cortar direitos dos trabalhadores como fim do vale-alimentação, redução dos reajustes salariais, entre outras medidas. O pacote vem sendo aplicado justamente por um prefeito que recebe o maior salário de prefeito de todo o país (maior do que o da capital gaúcha e de São Paulo) e uma série de escândalos que escancaram o nepotismo na câmara dos vereadores e na estrutura de poder municipal como um todo.

O tamanho do escândalo vem sendo respondido com uma luta à altura: um forte movimento de centenas de trabalhadores do município, com bastante radicalização e disposição de luta. Até greve de fome já foi utilizada como forma de protesto parte de alguns sindicalistas. Recentemente a Brigada Militar protagonizou uma repressão brutal ao movimento, levando a muitos feridos e alguns presos. Cercar de solidariedade essa greve é necessário.

O prefeito Miki Breier (PSB) recebe atualmente um salário de R$ 27 mil. Ao mesmo tempo, mesmo recebendo seu salário em dia, essa é a mesma prefeitura que possui uma dívida de mais de R$ 500 mil com rescisões provenientes das exonerações pós eleições. Em meio à crise, o prefeito prefere retirar direitos dos já fortemente afetados pela crise trabalhadores do município ao invés de começar a retirar dos seus próprios privilégios.

Chovem denúncias na câmara dos vereadores e indicações de cargos públicos. O filho de 19 anos do vereador Deoclécio Mello (Solidariedade), por exemplo, foi empregado pela prefeitura no cargo de Diretor de Captação de Recursos, cargo estratégico cujo salário é de R$ 7.612.16. O vereador Gattini (PMDB), por sua vez, recebe um salário de mais de R$ 12 mil e emprega pelo menos três familiares, a filha, a nora e a sobrinha que, juntas, recebem ao todo quase R$ 15 mil mensais. O mesmo sobre a vereadora do PSB, Jussara Caçapava, que emprega o filho e dois enteados com salários cujo total extrapola a marca de R$ 10 mil.

Tudo isso pago com dinheiro público. Esses e tantos outros exemplos de privilégios dos políticos mostram os interesses escusos por trás de tantos partidos e políticos de Cachoeirinha. Brasil afora vemos muitos exemplos semelhantes e quem paga a conta são os trabalhadores e a população pobre.

Mas os servidores de cachoeirinha estão travando uma dura batalha contra o pacote de ajustes do prefeito mais bem pago do país. Agora a prefeitura, junto da justiça e da mídia, tenta criminalizar o movimento, espalhando notícias falsas e aprofundando a repressão. A violência cometida pela Brigada no dia 30 de Março foi descrita pelo movimento da seguinte maneira, como se pode ver na página do sindicato: “gás, bombas, tortura, choques nos seios, pontapés nas genitais, asfixia, tentativa de homicídio, cadeiradas na cabeça, tiros de bala de borracha à queima roupa e próximos à cabeça, todas essas barbaridades chamadas eufemisticamente de “técnicas de contenção de distúrbios” pela Brigada Militar.” E apesar de tudo isso, a categoria não se intimidou e a greve segue forte.

Abaixo, imagens da repressão do dia 30:

Veja abaixo algumas das imagens veiculadas recentemente pelas mídias sociais:




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