Juventude

CRISE DO ESTADO - RJ

Ocupar, resistir e unificar as lutas contra os cortes na educação

Artur Lins

Estudante de História/UFRJ

sábado 9 de abril de 2016| Edição do dia

Os estudantes, desde o início da greve dos professores, já mostravam sua grande disposição de mobilização fazendo atos massivos e cortes de rua denunciando a estrutura precária de suas escolas e a falta de funcionários e professores. No entanto, os estudantes do colégio Mendes de Moraes deram um passo adiante, radicalizaram a luta e ocuparam sua escola.

Tomando as ocupações de São Paulo como exemplo e a até então recente ocupação do Mendes de Moraes, estudantes de diversos colégios, dentre eles o Heitor Lyra, o Gomes Freire e o Visconde de Cairu, resolveram também radicalizar a luta, fazendo com que o exemplo deles influenciasse outros estudantes de outros municípios do Rio de Janeiro a ocuparem suas escolas.

Já são dezoito escolas ocupadas no estado do Rio de Janeiro em defesa da educação pública e em apoio à greve dos professores, dando uma nova qualidade para a luta contra os ajustes do governo Pezão-Dornelles, porém ainda há passos muito importantes que precisam ser dados para o movimento criar as condições de vencer.

Unificar as escolas ocupadas para atacar mais forte o governo

Para a luta avançar e derrotar o governo e sua política de cortes na educação e investir nas demandas dos estudantes se faz necessária a criação de um comando de base unificado das escolas ocupadas, para que esse organismo de luta coordene as reinvindicações estudantis de todas as escolas ocupadas. Para que unifique os atos e cortes de rua com todos os estudantes mobilizados que estão ocupando e com os que ainda não ocuparam suas escolas, e organizar os estudantes de forma independente, por fora das entidades burocráticas do movimento estudantil, como a AERJ, a UBES e a AMES, essas duas últimas ligadas ao governo do PT, que assim como o PMDB no Rio, aplica igualmente cortes na educação.

Como em São Paulo, o comando unificado das escolas ocupadas teria que ser formado por representantes de cada escola ocupada, eleitos democraticamente em assembleia e com mandatos revogáveis a qualquer momento.

Além de unificar os estudantes, é crucial a aliança desses com os trabalhadores em greve. Isso tornará o movimento mais forte e poderá influenciar os professores a superarem suas direções sindicais rotineiras, que fazem com que a greve perca força, realizando passeatas pacíficas e que incomodam em nada o governo ajustador. É preciso se atrever a ser combativo para que a vitória aconteça, e os estudantes já estão dando um sinal disso para as outras categorias.

É preciso parar o Rio de Janeiro, e mostrar a todos que os professores, trabalhadores e estudantes das escolas são os que podem abrir o caminho para uma Educação pública, gratuita e de qualidade para todos. A Faísca, Juventude Anticapitalista e Revolucionária, no Rio de Janeiro tem colocado todas as suas forças a impulsionar essa perspectiva nas universidades e escolas em que atua. E chama a todos os CAs, DCEs, e demais organizações estudantis a organizar ações unificadas que coloquem a juventude nas ruas, de maneira unificada, paralisando a cidade. Pois o governo do PMDB já mostrou que se depender dele a Educação vai ser cada vez mais atacada. E isso nós não permitiremos.

Por uma saída independente da crise política e contra os cortes
A juventude vem protagonizando recentemente os maiores exemplos de luta, combatividade e organização independente contra seus governos ajustadores, tanto aqui no Brasil como no mundo, e no caso brasileiro as ocupações dos estudantes do Rio de Janeiro podem ser a faísca para a generalização de métodos radicais de luta contra os ajustes que vêm sendo aplicados tanto pelo governo do PT quanto pelos governos estaduais. Há que partir do exemplo de São Paulo em que os estudantes conseguiram barrar o fechamento das escolas imposto pelo governador Alckmin. Além disso estiveram lado a lado com os operários demitidos da MABE, em Campinas, estão seguindo firmes na ocupação da fábrica em defesa de seus empregos e salários atrasados.

Na atual crise política que o Brasil passa, a unificação dos estudantes em aliança com os trabalhadores em luta pode se tornar a alternativa independente contra o impeachment da direita e dos ajustes do governo do PT. Confiando nas suas próprias forças e radicalizando a luta, a classe trabalhadora e a juventude podem enfim perceber que apenas com a organização independente e controlada pela base é possível barrar os ajustes e dar uma saída progressista para a crise política, pois não adianta lutar apenas contra os cortes sem construir, a partir dessa luta, uma alternativa política que de fato defenda os interesses dos trabalhadores e da juventude.

A luta dos estudantes do Rio deve fazer como na França: se organizar, massificar e unir-se aos trabalhadores

A luta estudantil e o despertar da juventude é internacional, e mais exemplos de combatividade acontecem e agora vêm da França. Nesse país, o governo de François Hollande quer implementar uma reforma trabalhista, que tem como objetivo satisfazer as demandas dos patrões contra os trabalhadores e a juventude, através da diminuição de salários e perda de direitos trabalhistas para aumentar os lucros das empresas. No entanto, os trabalhadores e a juventude franceses estão dando um grande exemplo de luta contra essa reforma, massificando os atos de rua e realizando assembleias para coordenar as mobilizações.

A França ainda passa pela crise econômica que afeta principalmente a juventude, que sofre com um alto nível de desemprego e empregos precários. Nesse sentido, secundaristas e universitários avançaram na organização da luta formando coordenadorias estudantis regionais e a nível nacional, que através de assembleias gerais por local de estudo se auto organizam para que o governo antipopular de Hollande suspenda sem negociações o projeto de lei da infame reforma trabalhista.
No entanto, o movimento auto organizado dos estudantes está incomodando o governo e o mesmo já respondeu com repressão, realizando detenções e tentando impedir a todo custo a organização das assembleias gerais das coordenadorias estudantis. Isso é uma amostra de que a organização combativa e unificada dos estudantes é um instrumento fortíssimo de luta que pode arrancar vitórias e pressionar o governo a suspender os ataques. Temos que seguir esse exemplo internacionalista, nos ligar aos trabalhadores, criar nossos organismos de coordenação e unificação da luta e impor que sejam os capitalistas e seus governos os que paguem pela crise que criaram.




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