Mundo Operário

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

O que está em jogo na luta dos trabalhadores da USP?

Babi Dellatorre

Diretora do SINTUSP

Bruno Gilga

Diretor de Base do Sindicato da USP.

quarta-feira 1º de julho de 2015| Edição do dia

Zago e o Conselho Universitário seguem na mesma política de descarregar as consequências da crise financeira da universidade sobre os estudantes, trabalhadores e a população. Isso apesar de Zago ter dito na última reunião do CO que “já não se deve falar em crise”, que mantendo as medidas de “contenção” a situação se normalizará. Ainda assim, outros dirigentes disseram na mesma reunião que, “como não há mais o que cortar, é preciso buscar aportes na iniciativa privada”, apontando cada vez mais claramente para a receita “precarizar para privatizar”. Por isso estão sendo intransigentes na negociação com os trabalhadores sobre nossa pauta específica, não tendo oferecido nada na negociação no início de junho, marcando a próxima reunião somente para o início de julho.

Isso porque no centro da pauta específica estão medidas de defesa da universidade pública, contra o seu desmonte, como a contratação de funcionários para repor as 1400 demissões do início deste ano, e atender à demanda que já existia em órgão como os restaurantes, hospitais e Centros de Saúde Escola. Em função da falta de funcionários a USP fechou todas as vagas nas creches para este ano, fechou um dos restaurantes e está comprometendo serviços fundamentais em diversas unidades, apesar do aumento na sobrecarga dos trabalhadores, que estão sendo assediados para dar conta dos colegas demitidos.

Uma das situações mais graves é a do HU, que passou a negar atendimento para casos menos graves no pronto socorro, encerrou atendimentos de emergência como o oftalmológico, serviços ambulatoriais como o ortopédico, dezenas de tipos de exames, e fechou mais de um quinto de seus leitos, quase metade dos de UTI! Como na região, que pelos parâmetros da própria secretaria de saúde deveria ter 25 Unidades Básicas de Saúde e tem somente 12, o atendimento depende muito do Hospital, a consequência da política da reitoria é aumentar o número de mortes!

O HRAC, de Bauru, teve sua desvinculação aprovada no ano passado, e permanece com destino incerto. O HU, cuja desvinculação teve a votação adiada pela pressão do movimento, está sendo desmontado por dentro, e vai ficando claro que fazem isso, aprofundando a calamidade, justamente para justificar a entrada das fundações privadas.

Hoje há sinais de um impasse, fruto das disputas de interesses entre a prefeitura de Haddad e a Fundação Faculdade de Medicina, o governo de Alckmin e a Fundação Sírio Libanês, e de qual esfera do Estado ficará com a responsabilidade sobre o seu financiamento. Então se até agora não há uma posição da reitoria ou da superintendência do HU sobre o seu futuro, iso talvez seja porque ainda não chegaram a um acordo sobre quem irá assumir essa responsabilidade. Enquanto esses senhores negociam e disputam as responsabilidades e os benefícios da privatização dos Hospitais, a reitoria segue desmontando o HU.

E parte da resistência contra isso está justamente na organização dos trabalhadores da universidade e na luta por contratações e pelo restante de sua “pauta específica”, em defesa da universidade, que a reitoria se nega a negociar.




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