Política

PATRONAIS SE POSICIONAM

O que dizem empresários da FIESP e a CNI sobre o impeachment e a crise

Babi Dellatorre

Trabalhadora do Hospital Universitário da USP, representante dos trabalhadores no Conselho Universitário

sexta-feira 18 de março de 2016| Edição do dia

Nesta quinta feira (17), Paulo Skaf, presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), reuniu 300 entidades que se posicionaram pelo impeachment imediato de Dilma. Segundo Skaf, a renúncia da presidente seria a forma mais rápida de eliminar a questão política que trava a economia, e afirmou que “Todos aqui irão se concentrar em conscientizar os parlamentares que a sociedade quer uma mudança, quer o impedimento da senhora presidente da República”. Fora isto o FIESP pagou "marmitas gourmet" para os manifestantes que defendem sua posição, como denunciamos nesta matéria

Já a Confederação Nacional da Indústria, mais discreta na defesa do impeachment, em Carta à Nação,faz um chamado ao Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF) para solucionarem a crise política e econômica. A CNI orienta adotar "melhores práticas administrativas" e implantar "medidas favoráveis à estabilidade social, ao emprego e ao desenvolvimento". Leia-se: implementar as reformas da previdência, trabalhista e tributária. Ou ainda: atacar os direitos dos trabalhadores reformando a CLT. Com impeachment, renúncia ou continuidade do governo Dilma a FIESP e CNI convergem, querem mais ajustes. Para a FIESP a forma de conseguir isto é depondo Dilma e conseguindo um governo mais forte para implementar este programa.

Desde o início de março a Ibovespa vem respondendo favorável ao impeachment, fechando em alta toda vez que essa alternativa se fortalece. Ontem não foi diferente, depois da consultoria Eurasia Group avaliar em 75% a probabilidade de impeachment, a Ibovespa fechou em 6,6%, a maior alta dos últimos anos, refletindo principalmente a opinião das instituições financeiras como Bradesco, Banco do Brasil, Itau Unibanco, Santander, entre outros.

O que apontam empresários e banqueiros é que, para enfrentar a crise econômica, é preciso aprofundar os ajustes e ataques aos trabalhadores e isso deve ocorrer rapidamente. Também por isso sentenciam o governo em 30 dias para sua substituição, uma linha similar ao que o PMDB do presidente da FIESP, Skaf, e do vice-presidente Temer afirmaram, em 30 dias decidiram se jogaram, definitivamente, seu peso pelo fim do governo ou não. Por hora mantém seus cargos e benefícios e seus votos junto aos do PT para arrancar ataques aos trabalhadores como foi a aprovação do PLS 555 que abre espaço para a privatização de todas estatais. As posições das grandes patronais por maiores ajustes, com ou sem impeachment mostram a urgência dos sindicatos e centrais sindicais romperem com o governo e impulsionarem um movimento contra os ajustes de Dilma (e aplauso da FIESP e CNI) e contra a impunidade.




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