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Burocracia Sindical | O que a CUT está esperando para organizar os servidores contra a reforma administrativa?

quinta-feira 7 de outubro | Edição do dia

Do bolsonarismo à oposição de direita, passando por todas as instituições podres desse regime e o show de horrores do Congresso Nacional, a reforma administrativa é mais um desses grandes ataques que unificam distintas alas burguesas no objetivo de descarregar a crise nas costas dos trabalhadores e do povo pobre. Apesar de reduzido o projeto inicial de Guedes, o texto atual ainda implica na possibilidade de redução de salário e jornada de até 25%, no fim da estabilidade, em contratos temporários e terceirização, facilitando demissões, interferência política nos contratos e destruindo serviços públicos como saúde e educação.

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A Comissão Especial da Câmara de Deputados aprovou o projeto e o enviou para o plenário da Câmara, onde vem sendo objeto de debate. Parte da mídia capitalista e alguns políticos da direita problematizam que o receio de alguns parlamentares com a possibilidade da reforma afetar as chances de reeleição no próximo ano talvez impeça uma aprovação até lá - e há quem se diga contra a reforma e fique tranquilo com esse palavreado vindo de quem ama atacar a classe trabalhadora e odeia revoltas sociais. Esse parece ser o caso das centrais sindicais como a CUT, que, para além da demagogia de luta, não esboça esforço nenhum em organizar os trabalhadores contra esse e outros ataques.

O governo vende essa reforma como o fim dos privilégios, mas ela é o completo oposto: ataca direitos de trabalhadores da saúde, educação, ciência, fiscalização e conservação ambiental, enquanto mantém os plenos privilégios de juízes, militares e políticos, os verdadeiros parasitas intocáveis dentro do orçamento público.

Diante de um ataque tão brutal, é criminosa a trégua das direções burocráticas das principais centrais sindicais do país, a CUT e a CTB. Se encontram mergulhadas em um total eleitoralismo, fazendo lives e convocando mobilizações dispersas contra Bolsonaro somente com a finalidade de preparar o terreno para sua política de eleger Lula no ano que vem, à que infelizmente partidos como o PSOL também se subordinam, como ficou evidente em seu último congresso. Ou seja, se encontram muito longe do que seria um enfrentamento decidido contra a reforma administrativa, as privatizações, o desemprego e a carestia de vida que afeta milhões no país hoje, e que demanda a organização e a unidade de ação do conjunto da classe trabalhadora.

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Essas são as mesmas direções sindicais, ligadas ao PT e ao PCdoB majoritariamente, que através da Campanha Fora Bolsonaro (PT, PCdoB, PSOL, UP, PCB, PSTU, PCO e movimentos sociais) preferiram construir os atos do dia 2 em aliança com partidos de direita, inimigos que na Câmara votam a favor da reforma e de todos os ataques ao lado de Bolsonaro. Não é possível conciliar os interesses da direita e os dos trabalhadores e do povo pobre, como pretendem os defensores de uma frente ampla. Como mostra a análise dos últimos atos, essas tentativas apenas enfraquecem a esquerda, lavam a cara da direita liberal e não oferecem uma saída para a crise por fora dos planos capitalistas de jogá-la em nossas costas.

Por isso, nós do Esquerda Diário e do MRT viemos levantando a necessidade de unificar iniciativas da esquerda socialista e revolucionária para apontar um caminho classista para enfrentar os ataques em curso. A catástrofe cuja trégua da burocracia petista também faz parte coloca a urgência de construir polos classistas e antiburocráticos no movimento operário, para que a esquerda socialista possa ser um contraponto à política das direções burocráticas dos sindicatos e das grandes centrais sindicais, batalhando pelo fortalecimento e unificação das lutas em curso pelo país, e pela aliança da nossa classe com setores populares e movimentos sociais contra todos os políticos e instituições a serviço da burguesia e de seus ataques.

Campanha

Longe de oferecer solução para os problemas que nossa classe, o povo pobre, os indígenas e a juventude vivem hoje, a defesa do impeachment de Bolsonaro, levantada por praticamente toda a esquerda, é parte de diluir os trabalhadores numa mesma política que a direita. Viemos alertando como o impeachment é uma armadilha, que exige um grande acordo político, envolvendo as figuras mais reacionárias da direita institucional, e preserva o regime e os ataques, além de resultar na chegada de Mourão à presidência. Além disso, Bolsonaro, a extrema-direita e sua base reacionária não iriam simplesmente desaparecer, assim como não vão sumir caso o atual presidente perca as eleições. Terão de ser enfrentados na luta de classes.

Para dar uma saída aos problemas mais dramáticos que a população enfrenta hoje, estamos levantando uma campanha nacional por um programa operário para que os capitalistas paguem pela crise, incluindo pautas como o reajuste automático dos salários a cada mês de acordo com o aumento do custo de vida, e empregos com direitos para todos através da divisão das horas de trabalho entre empregados e desempregados (sem redução de salário). Nós lutamos por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo, pois é isso que pode atender plenamente as demandas das massas. Sabendo que os trabalhadores ainda acreditam na democracia capitalista, chamamos a lutar para impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, onde a maioria do povo possa votar pela reversão de todos os ataques de ontem e hoje, abrindo espaço para que o conjunto da população decida os rumos do país e dissolvendo todas as instituições reacionárias do atual regime.




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