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Machismo | "O patriarcado que expõe Klara Castanho não vai cair sozinho nem pelas eleições, nós temos que derrubá-lo", diz Maíra

Conversamos com Maíra Machado dirigente do MRT e do grupo de mulheres Pão e Rosas, professora da rede estadual de São Paulo e pré-candidata a deputada estadual por São Paulo sobre o doloroso caso da atriz Klara Castanho.

quinta-feira 30 de junho | Edição do dia

"As inúmeras violências as quais Klara foi submetida nos últimos meses são fruto de um Estado capitalista regido pela extrema-direita que odeia as mulheres, da expressão mais podre da imprensa burguesa patriarcal. Como vimos na última semana, a extrema-direita ataca nossos direitos no mundo todo. Em um dia no Brasil massacram uma menina de 11 anos que abortou, no outro expõem uma mulher por ter entregado o bebê para adoção, ambas engravidaram depois de um estupro. Enquanto isso, milhares de companheiras tomam as ruas dos EUA mostrando que não aceitaremos caladas a retirada do direito ao aborto pela direita trumpista e nenhum dos ataques conservadores que tentam impor às nossas vidas.

A situação vivenciada pelos EUA em que o voto de 6 juízes, eleitos por ninguém, foi capaz de derrubar um direito histórico das mulheres, escancara que que as eleições não são capazes de derrotar verdadeiramente a extrema-direita, que tem seus interesses garantidos pelo judiciário e demais instituições do Estado burguês. Biden não representa uma alternativa para a luta das mulheres. O presidente norte-americano que em sua campanha dizia que iria tornar a Roe vs Wade uma lei federal, nunca fez nada para garantir esse direito às mulheres.

Para arrancar justiça por cada mulher violentada não podemos confiar no judiciário. Nossa luta não pode ter confiança nenhuma nessa instituição do Estado, mas precisa ser contra ela. A justiça já mostrou como trata as mulheres como no caso de Mari Ferrer que foi completamente humilhada pelo judiciário que escancarou toda sua face misógina e reacionária, de mãos dadas com a extrema direita ao absolver o empresário André de Camargo Aranha, que estuprou Mariana.

Instituições, como o judiciário e o congresso, não titubeiam em se unificar para atacar os direitos dos trabalhadores, das mulheres e gestantes com reformas como a da previdência, a trabalhista e do teto de gastos. Cada uma dessas reformas são fruto do golpe institucional de 2016 e de toda manipulação suja nas eleições de 2018.

Também o PT, em seus 13 anos de governo, através de muita conciliação de classes e acordos com a bancada evangélica quanto a não legalização do aborto, além de episódios horrendos como a Carta ao Povo de Deus e a designação de Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos, o que fortaleceu a bancada evangélica hoje aliada de Bolsonaro, não buscou em nenhum momento legalizar o aborto e hoje com a chapa Lula-Alckmin, inclusive já retirou do seu programa o ponto que falava de direitos reprodutivos.

É imprescindível enfrentar a direita e seus ataques com a unidade dos trabalhadores e das mulheres, confiando em nossas próprias forças e não em saídas eleitorais e institucionais. As centrais sindicais e estudantis dirigidas pelo PT e PCdoB precisam convocar uma forte luta, construída desde as bases nos locais de trabalho e estudo, por justiça a Klara, menina de 11 anos e a tantas outras de nós, contra a extrema-direita e pelo direito ao aborto.

O aborto é uma realidade e milhões de mulheres recorrem a ele na ilegalidade, mas são as mulheres pobres, sendo a maioria negras, as que morrem no procedimento, já que fazem de forma insegura e muitas vezes letal. Por isso, nós do grupo de mulheres Pão e Rosas lutamos por educação sexual para decidir, contraceptivos para não engravidar e aborto legal, seguro e gratuito para não morrer."




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